Sintetizadores Moog, dildos, nudez, bom humor, baterias, experimentalismo, pin-ups, robôs, Inglaterra, voyerismo. Engana-se quem pensa que estes elementos não têm nada em comum. E a prova é a finada banda britânica Add N to (X), que com esse nome esquisito, mais parecendo uma fórmula matemática, uniu estes elementos todos no que pode ser definido como a vertente mais experimental do Indie Rock britânico no final dos anos 1990 e começo dos anos 2000.
Musicalmente falando, a “fórmula” da banda tinha influência marcante de bandas de experimentações eletrônicas como Krafwerk e Cabaret Voltaire com forte tempero de Brit Pop (Blur, Pulp, Primal Scream, Stone Roses, etc) com o Indie Rock americano (Sonic Youth, Pixies,etc) da virada 1980/1990. Suas músicas iam de baladas sexy e lisérgicas a porradonas experimentais, passando por roquezinhos divertidos e dançantes, sempre com forte presença dos Moogs, sons distorcidinhos e bateria seca.
A diversidade de influências culturais da banda são evidentes no visual, letras, tÃtulos e conceitos. Citações e homenagens ao arquiteto visionário Buckminster Fuller, filmes B, Thurston Moore – o lÃder da banda Sonic Youth -, dadaÃsmo e muito safadeza: sugestões de sexo, nudez, acessórios eróticos e até Valentina, de Milo Manara, são freqüentes em suas músicas e clipes. Prato cheios para geeks safados.
Infelizmente, a banda acabou em 2003. Seria interessante ver qual direção teriam tomado caso tivessem continuado. Considerando o caminhos de seus álbuns, eu diria que teriam se tornado um pouco menos experimental, e mais acessÃvel ao público. E isto poderia ter proporcionando muita “fuck music” bacana, ou mesmo músicas pop um pouco mais experimentais, meio na linha do que muita banda brasileira, como a Stop Play Moon, vem fazendo hoje.
Para o bem e para o mal, é certo que nos próximos anos veremos um revival dos 1990. Quem sabe a banda se reúne e faz mais músicas safadas para nós?
Enquanto isso, fique com três destes momentos mais quentes da carreira deles. Quatro, se contarmos o bônus!
Add N to (X) – Metal Fingers in my Body
Esta música não é exatamente uma “fuck music”, pois é uma porradona de sintetizadores duelando com uma bateria tÃpica de indie rock. Tá mais para “about fuck music”, pois o clipe, sobre um mulher boazuda solitária e com tesão contratando os serviços de um michê robótico, é uma homenagem explÃcita (pegou o triplo sentido?) à Valentina - uma das personagens mais sexy e icônicas dos quadrinhos – e toda a obra do Milo Manara.
Ideal para você transformar um papo sobre cultura pop em algo mais picante e puxar um assunto mais pessoal e safado. 🙂
Add N to (X) – Revenge of the Black Regent
Esta até daria para ser uma “fuck music”. Tem um quê de romantismo, drama e fetiche.
É meio que continuação de outra música da banda, chamada Black Regent. Ambas experimentais, lisérgicas, e sexies. Black Regent não tem letra e eu nunca conseguir entender o que é cantado em Revenge of the Black Regent, nem encontrei a letra na web. Os tÃtulos remetem à jogos de dominação e o clipe de Revenge of the Black Regente é uma piração de jogos de sombra, luz e caleidoscópios de um corpo nú.
Viagem para quem gosta ou está acostumado com música alternativa. É ótmia para quem gosta de sexo em estados alterados de percepção. Acreditem na minha palavra.
Add N to (X) – Plug me In
É uma fuck music divertidinha e o tÃtulo, de duplo sentido, é sensacional. Sobre o clipe não vou escrever muito, pois sei que vocês vão pular o texto para ver o vÃdeo logo, mas envolve 2 atrizes pornôs brincando entre si e com o que parece ser o estoque de dildos e acessórios eróticos de um sex shop. Ótima para puxar aquele papo sobre coisas diferentes, se é que você me entende.
Bônus – Ménage-à -Trois Musical 007 – Add N to (X)
Add N to (X) – Oh, Yeah! Oh, no!
Eis uma música na medida para geeks retrôs safados (oi! chamou?). Gemidos, sussurros, teclados moog em profusão e até um saxofone meio jazz. Sabe sexo com carinho, mas intenso? Pra mim esta música tem muito disso. Começa doce e vai ficando com um som mais encorpado, e o som saturado do meio para o final me remete aos gemidos e saturação dos sentidos durante e logo após o gozo.
