A primeira vez que fui em uma parada gay não sabia exatamente porque estava indo. Com dezoito anos tinha muita coisa que eu ainda não sabia, e uma delas era se eu tinha orgulho de ser gay.

Minha aventura em São Paulo aconteceu por causa de uma amiga sapa do colegial que, em cima da hora, me chamou. Inventei uma desculpa qualquer para minha mãe, trabalho de faculdade na casa de alguém – Aham, Cláudia, senta lá risos… – e fomos.
Nunca tinha visto tanto viado junto sob a luz do dia, ainda estava me acostumando com as baladas gls da cidade, tinha só minha amiga do colegial e um mundo novo todo colorido – às vezes nem tanto – para descobrir.
Passei a parada toda com uma única pessoa que conheci no ônibus – para quem queria pegar geral eu consegui quase o meu primeiro namorado risos… – e me encantei com toda a festa. Diversão, foi por isso que eu voltei novamente para a parada no ano seguinte, para me divertir: dançar, beber, beijar, dar pinta – longe das câmeras da globo, claro risos… e ser feliz sem me preocupar com o dia seguinte: novamente dentro do armário.
Como tudo começou
A Parada de São Paulo começou em 1997, quando cerca de 2 mil pessoas reuniram-se para ocupar a Avenida Paulista e caminhar em marcha até a Praça Roosevelt e protestar contra a discriminação e violência sofridas constantemente pela população LGBT. Puxadas por uma perua Kombi com uma caixa de som em cima, gritavam palavras de ordem: “Somos muitos e estamos em todas as profissões!â€. Começava assim a parada gay que se tornaria a maior do mundo.
A Kombi foi substituÃda por trios elétricos, o número de participantes passou os 3 milhões e em 2010 a parada tem sua 14ª edição. E minha pergunta é, será que esses 3 milhões de pessoas tem realmente orgulho de serem elas mesmas? Será que eles tem consciência do real significado da Parada?
Vote contra a homofobia: defenda a cidadania!
O tema da parada desse ano, que acontece no próximo domingo, dia 06 de junho, é “Vote contra a homofobia: defenda a cidadania!†e minha preocupação é se esses milhões de pessoas que estarão marchando pelo fim da homofobia sabem ao menos o que significa essa palavra.
Será que elas sabem pelo que estão marchando? Ou será que o simples fato de estarem lá – como eu estive um dia – já é o suficiente? Sinceramente eu não sei, o fato é que a parada traz uma enorme visibilidade para a diversidade, um carnaval gay como ouço por aÃ, que ganhou proporções gigantescas e vem sendo o principal dia do calendário lgbt.
Não acho que a Parada LGBT vá mudar a forma das pessoas verem os gays de maneira direta, quem é preconceituoso vai continuar sendo preconceituoso, quem não é vai continuar não sendo – ou talvez se assuste com tanta gente pelada na Paulista, né? Risos… Mas a parada está ai para mostrar que estamos aqui, dentro ou fora do armário, gordos, magros, peludos, lisos, brasileiros ou qualquer outra nacionalidade, e que não podemos ser ignorados.
Saiba mais
Para saber mais sobre a programação, afinal junho é o mês do orgulho gay em São Paulo, é só entrar no site do APOGLBT (Associação da Parada do Orgulho GLBT de São Paulo) e ficar por dentro de tudo que está rolando.
Aproveitem, se divirtam Domingo, mas não se esqueçam que a Parada significa mais que diversão (olha o pseudo ativista cricri falando risos…) e que a luta contra o preconceito acontece dia após dia e em todos os lugares.
Conscientizem-se, façam a diferença. Hoje eu tenho orgulho de quem eu sou, e vocês?
Beijos e Abraços,
Daniel Henrique
_______________________
Daniel Henrique é analista de sistemas, tem 22 anos e mora em SP. Como blogueiro, www.intimocontraste.com, encontrou no mundo virtual uma maneira de misturar razão e sentimentos para mostrar que ser gay é absolutamente normal.