Códigos Sexuais: Mitos e Verdades | Parte 2

Este texto é o segundo de uma série de três posts sobre Códigos Sexuais. O tema foi colocado em debate aqui no blog e no twitter, recebemos inúmeras colaborações e o resultado, depois de muita pesquisa, ficou bem legal, mas gigantesco (por isso a necessidade de dividir em três pra não cansar). Espero que gostem e opinem ainda mais. Certamente isso vai dar o que falar.

Se chegou agora, não deixe de ler o post/pesquisa e as opiniões dos leitores Pesquisa: Códigos Sexuais ou Puro Preconceito? Assim como a primeira e a segunda parte deste texto: Códigos Sexuais: Mitos e Verdades | Parte 1, e Códigos Sexuais: Mitos e Verdades | Parte 2.

Nem tudo é o que parece, mas…

Podolatria

Como tenho uma relação muito próxima com fetichistas (sobretudo os podólatras) fiz uma pesquisa informal entre alguns amigos. Nesta pesquisa percebi (principalmente entre os mais velhos, já que os mais jovens tem hoje uma acessibilidade à informação que outros não tiveram) que durante anos ter a sensibilidade para perceber certas sutilezas entre as mocinhas fazia uma diferença crucial na abordagem. Afinal, uma mulher que tem o cuidado de adornar seus pés com anéis e pulseiras, provavelmente não se incomodaria em tê-los acariciados, quem sabe até adorados.

É lógico que encontrar uma mocinha que adora um badulaque no pezinho pode não significar absolutamente nada. Afinal de contas, para muitas, o uso de adereços nos pés não passa de vaidade. Uma maneira a mais de mostrar-se atraente e diferenciar-se das demais. É bom lembrar que ver os tornozelos das mocinhas é algo relativamente novo em nossas história, pouco menos de 100 anos. Os pés, em determinados momentos da história, foram objeto de desejo, muito mais eróticos que o colo/seios, por exemplo. Pelo simples fato de ser muito mais desconhecido, por viver sob saias e escondido em botinhas.

Fadinhas e Borboletas: expressão pessoal ou mensagem implícita? / Imagem: Fairy and Butterfly Tattoo, por cwalker71, no Flickr

Tatuagens

No caso das tatuagens a coisa muda um pouco de figura. Recentemente, assistindo a um episódio do seriado MoonLight (é, eu sou apaixonada por uma história de vampiro), vi que Coraline, a ex-noiva que vampirizou Mick St John, foi uma prostituta antes de ser vampirizada e por isso ela carregava a marca do seu senhor no ombro, uma flor-de-lis marcada a ferro. Fui pesquisar e não é que é verdade isso? Esta marca, a princípio imposta às escravas sexuais, posteriormente virou uma espécie de homenagem das prostitutas a seus cafetões. Aliás, até bem pouco tempo (pouco mais de 30 anos) as únicas mulheres que ousavam se tatuar eram as prostitutas. Já não seria este um código para se diferenciar entre as demais?

É claro que nos dias de hoje a tatuagem está longe da marca da marginalização de outrora, muito pelo contrário. Ainda bem que o estigma do tatuado foi abrandado com o tempo e voltou a ter uma conotação como a de suas origens, o adorno, o enfeite. Se a opção por uma tatuagem de pata de bicho (alusão a pata de um urso), ninfa/borboleta (relacionando à homo e bissexualidade), ou das tatuagens no cóccix (referência a fãs do sexo anal)está ligada a um desejo de passar um código implícito, se faz parte de um ato falho do inconsciente coletivo ou se tudo não passa de uma mera coincidência, só quem pode dizer é a própria pessoa, ninguém mais. Realmente nestes casos, dar uma de Sherlock Holmes pode levar tanto a uma deliciosa constatação como a uma desagradável surpresa. Eu não apostaria nisso…

Orientação Sexual e Mitos Eróticos

Ainda no quesito orientação sexual ao longo dos tempos os códigos vão se alternando, alguns ficando ultrapassados, outros evidenciando que não passavam de um mito. Lembro que na minha adolescência havia o mito de homens que usavam brincos (o tal lance do uso na orelha direita ou esquerda) à homossexualidade, que com o tempo perderam totalmente o sentido. Assim como alguns, dignos de dar risada, como o caso dos homens que tem pé grande ou bumbum pouco avantajado serem donos de paus descumunais. Posso assegurar que isso não é nenhuma regra, acreditem!

Sadomasoquismo x Body Modification

No caso de Body Modification, e a tatuagem se inclui nesta categoria, coincidência ou não, conheço vários adeptos do BDSM, principalmente os masoquistas (por sinal, alguns dos mais agressivos visualmente são os submissos mais doces), que ostentam argolas, piercings genitais, alargadores de orelhas e etc. É claro que nesta categoria, muitos adeptos talvez sequer tenham parado para relacionar essa paixão ao masoquismo, ao prazer em dor. Pelo contrário, muitos vêem esta prática como sinônimo de força e coragem, onde apesar de toda dor são capazes de superar em nome do efeito estético, mas… Opção estética ou não, como sexualmente sádica que sou, saber da existência de um piercing genital ou nos mamilos chega a dar um comichão dentro de mim… rs. Impossível não me imaginar fazendo uso destes adereços em uma cena.

Amanhã, a terceira e última parte deste texto sobre Códigos Sexuais. Falando um pouco mais sobre como determinados grupos fazem uma relação entre as cores e o sexo. Imperdível!

Beijos!

B.
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