Foto de Ludmilla, Stripper Virtual (Webstripper)

Entrevista com Ludmilla, uma stripper virtual

Dia desses, um comentário em um post antigo, Profissão: Stripper Virtual, me levou ao blog de Ludmilla, uma Web Stripper. E, curiosa que sou, a partir do seu blog fui a outro, e depois mais outro… tentando entender um pouco mais dessa virtualidade erótica, que já foi tema até de personagem da série de TV Heroes (Quem esquece a Niki Sanders se exibindo  em seu “escritório” na garagem de casa?).

E como para entender um pouco melhor o universo de um profissional nada melhor que perguntar ao próprio, perguntei à Ludmilla que, gentilmente, respondeu a todas as perguntas, nos proporcionando assim a oportunidade de conhecer um pouco mais dessa versão 2.0 das strippers que enlouquecem os voyeurs de plantão.

1 – Sem entrar em detalhes que possam te comprometer, fale um pouco do seu lado A. Trabalha, estuda, tem companheiro?

Foto de Ludmilla, Stripper Virtual (Webstripper)Meu trabalho é apenas como stripper virtual, difícil fazer as pessoas entenderem, mas é meu trabalho e não uma “brincadeira” como muitos pensam e tentam usar de argumentos com base nisso para me ver sem pagar. Eu digo a eles: se querem ver sem pagar, procure alguém q faça isso por diversão esporádica numa sala de chat. Eu faço este trabalho para poder continuar fazendo minha faculdade, pagar minhas despesas como estudante… tais como passagem, livros… essas coisas. Tenho namorado e ele sabe do meu trabalho e entende.

2 – A profissão de webstripper é, sem dúvida, muito exibicionista, um prato cheio para os inúmeros voyeuristas que circulam pela net. Ainda assim, com tantas que fazem “shows grátis” pela webcam, o que te motivou a tentar este mercado? O exibicionismo foi um agente motivador ou outros fatores contribuiram? Fale um pouco sobre isso.

Comecei trabalhando,  ainda trabalho, em sites americanos em 2008. Vi que dava retorno, mas achei que no Brasil não funcionaria este tipo de comércio, porém, eu estava enganada, resolvi tentar abrir meu trabalho para o Brasil e ver no que dava. Deu certo!

Estou com o blog desde o mês de Janeiro (2010), e mesmo sendo nova no Brasil como stripper virtual, já estou sendo procurada. Quanto a brincar de se exibir antes de ser stripper, nunca tinha tentando acredite se quiser, porque comprei minha webcam quando iniciei como webstripper em um site americano.

3 – Seu blog (como o de outras strippers virtuais) é muito simples e direto. Você vende a sua exibição claramente como um produto, não só com as fotos e o vídeo de exibição, mas também com detalhes da sua anatomia. Percebo um certo distanciamento intencional, uma impessoalidade, entre o produto a ser exibido e a pessoa. Como a mulher por trás da stripper convive com isso? Pra você realmente é uma profissão como outra qualquer?

Como mulher em relação a isso vivo tranquilamente, pois não tenho que esnconder do meu companheiro, moramos só nós dois em casa. Então, para mim é tranquilo por este lado, vivo minha vida pessoal completamente separada do mundo virtual, que é o meu trabalho. Quanto ao fator “profissão”, sim eu encaro como uma profissão qualquer, que aos olhos de muitos pode parecer bem fácil. Claro que tenho minhas vantagens, como trabalhar em casa… Mas tenho fatores estressantes como em uma outra profissão qualquer, clientes que querem me ver e não sabem usar o sistema de pagamento, pessoas que compram um show e querem ver outro mais completo e ficam bravas, pessoas que querem de graça e eu digo “não” e excluo do MSN e eles voltam a me adicionar com outro MSN, pessoas essas acho eu que devem gostar de levar um “não” ou se acham muito boas de lábia… Coisas deste tipo acontecem a todo momento.

Mantenho um certo distanciamento no blog em virtude dos que pensam que vão me adicionar e ver de graça com um xaveco qualquer… Mas todo este distanciamento é encurtado durante o show, eu e o cliente ficamos separados apenas pela tela do monitor, rs…

Foto de Ludmilla, Stripper Virtual (Webstripper), via webcam.

4 – Falando um pouco mais da profissão, que percebi que é tratada com muita seriedade. Poderia falar algumas curiosidades já vividas? Coisas como quais os pedidos mais recorrentes, qual o pedido mais estranho (fetiches e outros), se algo já a deixou constrangida ou irritada a ponto de desconectar.

O campeão dos pedidos sem dúvida é a masturbação anal, a qual faço em um dos meus shows (o completo), porém não posso fazer esta prática nos shows simples porque faço muitos shows simples por dia, e por motivos óbvios não posso fazer a prática da masturbação anal em todos os shows. Entre os pedidos mais inusitados (pois para mim nada é considerado tão estranho, sendo que sou uma fetichista na vida real) foi um cliente que queria apenas me ver vomitando, coisa que detesto fazer até quando preciso. E o que mais me irritou a ponto de desconectar, foi em um site americano, onde ganho por minuto de show feito, então se eu desconectar o cliente não perde nada, é até melhor para ele que eu abra o jogo que não vou fazer tal prática a ficar enrolando para que ele torre todo o seu saldo assistindo outra coisa diferente do que quer ver. Voltando, o que me fez desconectar do site foi a insistência do cliente quanto a prática do FISTING, que eu nunca fiz e nem vou fazer, por dinheiro nenhum.

5 – Para alguns exibicionistas, a webcam é uma via de mão dupla. Ou seja, é meio que uma brincadeirinha infantil do tipo, uma moeda de troca, eu mostro o meu e você mostra o seu. Isso acontece durante o striptease virtual? Alguns querem se exibir pra você também?

Geralmente a maioria dos meus clientes abrem também a webcam para que eu possa interagir com ele, mas isso não é necessário para o show, o cliente faz se quiser, se sentir vontade.

Muitos homens por aí acham que só pelo fato de se mostrarem para mim eu vou me mostrar para eles de graça, em troca de vê-lo, mas comigo não funciona assim, por isso essas pessoas me acham pretenciosa, por eu desfazer deles, não aceitar tal troca. Mas eu não estou me desfazendo deles, não estou ali brincando, estou trabalhando para “brincar” de divertir os meus clientes pagantes. Quem quer trocar apenas por trocar, sem pagar, deve procurar uma mulher a fim de brincadeira livre por aí, e não uma que se deu ao trabalho de ter um blog, com forma de pagamento, que fica do dia todo na internet para trabalhar. Muitos acham graça: “trabalho?”, mas existem strippers, virtuais ou não, no mundo todo, mas eles são ou se fazem de desinformados. E eu? Eu só os deleto e bloqueio, afinal, tenho que dar atenção aos clientes interessados em me contratar, e não posso ficar jogando muita conversa fora no MSN.

6 – Sobre os clientes, é possível perceber um padrão entre os que procuram o serviço? Quem é o homem que procura o serviço de uma stripper virtual? Mulheres também procuram este serviço? Existem clientes fiéis? (No sentido de voltar a usar o serviço com frequência).

Não tem muito um padrão, são homens de várias idades, geralmente da faixa dos 20 aos 50 e poucos. É muito diversificado. E tem muitos homens bonitos, digo isso para quem pensa que os clientes deste tipo de serviço são anormais, geeks ou coisas do tipo. Eles são pessoas normais, solteiros, com namorada/noiva, casados, divorciados… Aindão nao fui procurada por mulheres brasileiras, mas americanas (poucas) aparecem. E tenho muitos clientes fiéis sim (ainda bem! rs), os do blog, sempre que experimentam voltam a comprar, e os dos sites de webstripper também voltam para ver novos shows.