As Musas do Carnaval

Prestes a virar lobinha, posso dizer que vivi (até o momento) quatro décadas de carnaval, e isso porque, segundo a minha mãe, comecei no agito aos seis meses de idade, me balançando no colo do meu pai ao som de Festa Para Um Rei Negro, samba enredo do Salgueiro em 1971. Aquela que cantava assim: “Olelê, Olalá, pega no ganzê, pega no ganzá”. Reza a lenda que eu me sacudia toda e jogava os bracinhos para os mascarados (já gostava de uma coisa diferente… risos). Lembrei disso, pois é impossível não comentar que nestas quatro décadas o padrão da mulhereda na Marquês de Sapucaí, a passarela do samba carioca, e no Carnaval do Brasil, de um modo geral, mudou muito. Muito mesmo.

Anos 70

Fui uma criança que, como muitas meninas da minha época, sonhava em ser Chacrete. Será porque o Casino do Chacrinha era uma carnaval semanal? Quem sabe… Meu pai era mangueirense, minha mãe Imperatriz Leopoldinense, eu, só alguns anos depois, na década de 80, escolheria ser Portelense. O que sei é que, enquanto meu pai era vivo (ele morreu em 80) carnaval aqui em casa seguia um certo ritual. As fantasias era confeccionadas, eu e meus irmãos nos vestíamos, passeávamos pelo bairro no fim do dia, assistíamos aos blocos e no dia do desfile da Sapucaí, passávamos a noite dormindo todos amontoados no chão da sala, nos empanturrando de quitutes que minha mãe previamente preparava.

A cantora Rosemary, na Mangueira

Rosemary, na Mangueira, anos 70

O que lembro dos anos 70 é pouco, mas lembro de umas coisas interessantes. A Marquês de Sapucaí ainda não era Sambódromo. E naquela época, além das mulatas anônimas, cheias de carnes, que desfilavam sua beleza, havia a cantora Rosemary. Ela era uma musa da Mangueira, linda, com toda a sua lourice, saía de passista, no chão, ciceroneada por Gargalhada, um típico passista daqueles que batem pandeiro pra moça sambar. Eu achava aquilo o máximo. Foi a primeira famosa a “sair no chão” e o faz até os dias de hoje.

A Mulata Pinah, na Beija Flor

Pinah e Príncipe Charles, em 1978

Uma outra musa dos anos 70 foi a Pinah da Beija-flor. Quem não lembra da Cinderela Negra que ao príncipe encantou? Pinah tinha uma figura imponente, magra e alta, cabeça raspada, fugia muito do estereótipo da mulata do carnaval tipo exportação. Ainda assim, foi ela que fez o Príncipe Charles, da Inglaterra, babar por seu remelecho e até ensaiar uns passinhos de charleston, ops, digo, samba.

Anos 80

Desta fase eu lembro muito, pois foi quando eu comecei realmente a amar Carnaval. Com o enredo Hoje Tem Marmelada a Portela me conquistou e hoje, apesar de ter simpatia por muitas outras escolas, ainda é ela a única que faço questão de assistir.

Monique Evans, na Mocidade Independente de Padre Miguel

Monique, na Mocidade

Impossível não começar por ela, Monique foi a primeira “Madrinha de Bateria”, antes dela não havia este “cargo”. Começou em 1985 na Mocidade Independente de Padre Miguel, assumindo o seu silicone livremente e mandou muito bem à frente da bateria futurista do enredo Ziriguidum 2001. A irreverência da moça é tanta que mesmo evangélica voltou a desfilar na Viradouro à alguns anos. Aos que assistiram Monique em seus áureos tempos, fica o elogio suspirado: Nunca houve uma madrinha como ela.

Luma de Oliveira, na Caprichosos de Pilares

Luma de Oliveira, final dos anos 80, na Caprichosos de Pilares

Luma nunca foi uma boa atriz, ou modelo, já começou despontando como celebridade carnavalesca graças ao seu desfile pela Caprichosos de Pilares em 1987, onde mostrou seus belíssimos seios (sem silicone ainda) nus. De lá pra cá passou por inúmeras escolas e já foi protagonista de inúmeros buxixos carnavalescos. Entre eles o fato de ter saído como madrinha de bateria ostentando o nome do seu dono marido (na época o milionário Eike Batista) assim como ter aparecido sem calcinha num ensaio de escola de samba. Luma soube (e sabe), sem dúvida, ser uma celebridade carnavalesca e, sobretudo, manter-se em evidência todos estes anos.

Luiza Brunet, na Portela

Luiza, ainda como madrinha da Portela

Luiza sempre foi muito linda e nunca sambou nada. Ainda assim, durante anos esteve à frente da bateria da Portela e posteriormente, já nos anos 90 em diante, à frente da Imperatriz Leopoldinense. Linda, linda, linda! A moça está há 25 anos brilhando nos carnavais.  Sempre desfilou sua morenice bem brasileira com muito charme e elegância. Nunca foi “extravagante”, sempre foi um sinônimo de classe em meio a um universo de genitálias desnudas.

Anos 90

Começava o Império das  Celebridades de Carnaval. Já no final dos anos 80 começou o troca-troca das musas. Da Titia Monique pra cá, ser Rainha de Bateria ganhou um destaque e a mulherada passou a quase se estapear para sê-lo. Musa do carnaval, como profissão, ficou cada dia mais comum. Quanto à estética das moças, acho que o culto ao corpo começou a ser bem forte, e o silicone começou a ser moda, já que os seios de fora ficaram cada vez mais em alta no carnaval. Foi uma época de muitos nomes e pouca expressão. Vale destacar que nos anos 90, o foco do carnaval saiu um pouco do Rio de Janeiro. Salvador passou a ser um grande exportador de musas carnavalescas também!

Scheila Carvalho e Carla Perez, no É o Tchan

Scheila e Carla desfilando em seus tempos áureos

Cito as duas, pois ambas fizeram parte do grupo fenômeno dos anos 90, É o Tchan. Carla Perez melhorou consideravelmente ao longo dos anos, soube fazer uso da fama que seus 104 cm de quadril lhe trouxeram. Scheila Carvalho, a mesma coisa, posou tantas vezes nua por conta do seu sucesso rebolativo, que nem sei. Apesar de não serem musas apenas do carnaval, achei importante citá-las, pois aquela dancinha do ventre, a do Ali Babá, foi febre entre a criançada e certamente deve ter feito “a cobra” de muito marmanjo subir.

Nana Gouvea

Nana, sempre musa do carnaval.

Dentre tantas que apareceram e desapareceram, escolhi a Nana por ela ser uma das poucas modelos que admitem viver de carnaval. Aliás, graças ao carnaval a moça se fez conhecida, participou do (terrível e por ela renegado) reality show, Casa dos Artistas. E, sobretudo, abriu portas para as trocentas vezes que posou nua. Aliás, o ensaio mais recente dela para a Playboy… Wow!

Anos 2000

Começou realmente a fase das musculosas (para alegria de um grande amigo). Pouco a pouco as musas das escolas de samba foram ficando cada vez mais definidas,  coxudas e com um bumbum descumunal.  Malhar horas em uma academia para estar definida e com tudo durinho para o carnaval passou a ser uma obrigação. Salvo exceções magricelas como Adriane Galisteu ou Grazzi Massafera. Estes anos 2000 vieram para colocar no pedestal a figura da saradona. Sobre estas, nem tenho muito a falar, afinal, estão na mídia a todo momento. As fotos falam por si.

Adriana Bombom, Gracyanne Barbosa e Viviane Araújo, as saradonas do carnaval.

Sei que deixei muita gente de fora, mas quis apenas fazer um breve apanhado para mostrar que os tempos mudam e o padrão de beleza também. Começando uma nova década… Quem sabe o que vem por aí?! Deixo o link para as maiores beldades da Marquês de Sapucaí neste ano. Espero que gostem:


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