Vinho: Um Catalizador de Momentos

Nosso Sommelier Secreto conta alguns “causos” e levanta o questionamento: Será que o vinho é mesmo um catalisador de momentos sedutores? Seria o vinho a causa ou a desculpa para aquela cantada mais ousada, ou dos amassos mais calientes?

Cronicas do momento

Salve! amantes do vinho (e da comida, e dos prazeres, do sexo, da vida).

O post da vez vai a pedidos de uma leitora muito querida. A gente sempre fala por aqui que o vinho ajuda a desinibir as pessoas, já escrevi um post sobre estudos que sugerem que o vinho tinto pode aumentar a libido feminina, etc…

Mas hoje eu quero abordar a questão de um ponto de vista diferente. O vinho como um catalisador de momentos. Não podemos pensar que só por que temos um vinho servido na taça que tudo vai acontecer. Eu sei que vocês não pensam isso, mas tenho que dizer, só pra deixar claro. Sabe como é…

Vinho e safadeza, motivo ou desculpa? Imagem: Ben Ward, no Flickr

Nós podemos abrir uma garrafa em casa, sozinhos, enquanto assistimos um filme. Já fiz isso milhares de vezes. Existe até um nome para vinhos apropriados para esse tipo de ocasião: “vinhos de meditação”. Porém, o vinho também tem uma função agregadora. Eu posso muito bem fazer um refeição sozinho. Mas um refeição acompanhado de pessoas queridas costuma ser muito melhor. Com o vinho é a mesma coisa. E quando bebemos acompanhados, a bebida vai refletir o clima que existe entre aqueles que o repartem. Eu vou ilustrar com uma história.

Certa vez fui há um almoço entre amigos. Apesar do calor, bebíamos um Malbec de Mendoza. (Se naquela época eu tivesse lido o meu ultimo post eu teria levado um branco ou um espumante. Hehehehe). Havia um clima muito legal, entre os participantes, éramos todos conhecidos um dos outros e estávamos muito a vontade.

Nesse almoço, havia uma moça que eu era muito afim, mas como a gente era da mesma sala na faculdade (bons tempos) eu não tinha muito coragem de me declarar.

Mas naquela tarde, depois de algumas taças, eu não agüentei. Quando ela foi à cozinha buscar algo eu fui atrás. Chegando lá eu não sabia o que dizer e fiquei olhando para ela e ela para mim. A gente foi chegando mais perto um do outro. Eu lembro bem dos olhos dela, que ardiam cada vez mais. Ela também estava afim de mim, eu sabia! Eu lembro da respiração dela perto de mim até hoje e de como seus quadris responderam aos toques da minha mão. E nos beijamos, e foi um beijo maravilhoso. Vários beijos maravilhosos… A gente ficou num super amasso um tempão. Até a começarem a procurar pela gente… E foi divertido, por que a gente ficou fingindo que nada aconteceu, e o pessoal fingindo que acreditava… E todas vez que a rodinha dos homens se formava, o pessoal ficava querendo saber… e imagino que o mesmo acontecia com ela. É lógico que depois a gente acabou se encontrando de novo e de novo varias outras vezes 🙂

Eu acho que se a gente estivesse bebendo cerveja, ou cachaça talvez eu também tivesse criado coragem, mas o vinho me deixou no ponto certo de equilíbrio entre estar levemente bêbado, mas consciente de tudo o que acontecia.

Naquela época, o que me marcou foi o quase ineditismo de decidirmos beber vinho. A gente não tinha o habito e eu me senti muito “cool” aquela tarde.

Agora um outra história com um final não tão feliz. Há uma ano atrás, eu convidei uma moça para jantar, eu tinha conhecido-a há poucos dias, e não sabia muita coisa a respeito dela. Mas não sei porque, eu comecei a idealizar demais essa mulher, acho que por causa do emprego dela, numa organização internacional, ou talvez pelo fato dela ter feito um mestrado na Espanha. Ou ainda por causa de sua risada aristocrática e seu estilo descolado. Ajudou também ela ser de Minas, e na época eu estava na época com taras por mineiras e goianas…

No dia combinado, eu a levei para jantar em um restaurante super aconchegante. Tinha levado um vinho que passei uns dois dias escolhendo (um Seña 2003, Chileno) e já tinha até reservado um quarto de hotel para levá-la depois. Mas foi super estranho. Desde o momento em que a busquei em sua casa, eu estava nervoso, considerava que ela era demais para mim. Chegando ao restaurante eu continuei tenso. mesmo depois da segunda taça de vinho. E ela era super elegante, culta, bonita. E simpática… mas por algum motivo eu me sentia intimidado. E falava tanta besteira que teve um momento que, quando eu percebi, estava falando de uma ex-namorada… puro desastre. Eu sei que lá pelas tantas ela ficou com sono, quis ir embora e eu fui dormir sozinho no quarto de hotel, me sentindo um “looser” total… Até hoje não entendi o que aconteceu… mas já consigo rir disso tudo…

O engraçado é que as lembranças que eu tenho do vinho desse jantar é dele ser duro, enigmático, difícil…

Eu percebo nessas duas histórias como a sintonia entre as pessoas é importante. Eu busco sempre desenvolver minha sensibilidade, sentir mais, perceber melhor o ambiente ao meu redor. Sempre que me sinto conectado com o local e o momento, tudo flui de forma mais agradável.

É isso, até a próxima…

______________________________

O Sommelier Secreto tem 30 anos. É descendente de italianos e um  apaixonado por mulheres, vinhos e prazeres da vida. Quer saber mais? Ah, isso é segredo…


Publicado

em

,

por

Tags: