O Auto-Preconceito à Bissexualidade

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Há alguns anos anos namorei e fui completamente apaixonada por um bissexual. Saber que ele também se interessava por homens nunca foi problema pra mim, era até muito gostoso ter um papo aberto, com ele liberei muitas das minhas fantasias. Nunca estivemos a três ou a quatro, mas sabíamos dessa faceta um do outro. O problema maior aconteceu quando eu descobri que a bissexualidade dele, apesar de aparentemente bem resolvida, dava margem a uma compulsão Donjuanesca e além de mim ele tinha mais três mulheres. Uma não sabia da outra e dessas todas, apenas eu tinha conhecimento do seu comportamento bissexual, para cada uma de nós quatro ele era perfeito, dentro do padrão de perfeição de cada uma. Para todas as outras ele era um Dominador, para mim, era apenas P. Infelizmente tinha complexo de príncipe encantado e hoje quando penso na situação, acho impossível não relacionar essa necessidade de viver rodeado de mulheres, com uma busca de auto-afirmação. Ele não é bem resolvido com a bissexualidade como acredito que nenhum de nós, bissexuais, seja completamente.

Como P., eu não me vejo somente homo tanto quanto não me vejo unicamente hetero. Lembro inclusive de uma expressão que ele usou certa vez: “Só sei que gosto de homens e mulheres”, e gostava mesmo, não é à toa que ele foi especial em minha vida. Odeio o termo bissexualidade tanto quanto não gosto do termo switcher no S&M, porque para a grande maioria, sê-los indica uma grande falta de personalidade. A impressão que tenho é que ser bissexual entre homossexuais ou heterossexuais é viver em cima do muro e estar a qualquer momento, a ponto de pender para um dos lados. Só que eu penso, será que necessitamos mesmo pender para um dos lados? Acredito que com P. não era diferente, o complexo de príncipe encantado era a auto-afirmação que ele precisava para aceitar-se. Escrever meus textos e me expor, mesmo que sob anonimato, seja talvez a minha busca de auto-aceitação.