Reflexões sobre relacionamento e traição

Novela é uma coisa, apesar de nova, tudo é meio igual, só muda o nome. Se é de Manoel Carlos então, a gente já sabe que só vai dar Zona Sul do RJ e Zé Mayer papando todo mundo. (Opinião pessoal? As personagens do Zé Mayer são um alter ego do Manoel Carlos, o homem que ele (foi?) gostaria de ter sido.) E porque comecei falando em novela? Simples. Nunca vi tanta pulada de cerca em uma novela só. Quem não pula quer pular. Aliás, isso me fez pensar…

  • É assim mesmo? Quem não pula a cerca, quer pular?
  • Vivemos eternamente uma luta interna entre instinto e razão?
  • Aliás, todos temos este instinto incontentável?

Ah… Não estou aqui pra filosofar, sou péssima nisso. Pra falar a verdade, também sou péssima falando de relações estáveis, gente solteira é terrível pra opinar sobre o assunto. Acho casamento uma coisa tão séria, mas tão séria que até hoje não casei. Minhas relações mais estáveis são as de amizade e sem compromisso, ou seja, não pulo cercas porque simplesmente não as construo. No entanto, posso até afirmar (sem orgulho algum, apenas não nego) que tenho uma certa “experiência” com pessoas comprometidas (não comigo). E depois de tantas histórias cheguei a uma conclusão: “Invista em seu relacionamento, antes que a concorrência o faça!”

Lei da Oferta e Procura

Assim como nas leis de mercado, nas relações estáveis só existe a outra (o outro) porque tem comprometido(a) disposto(a) a não ser tão comprometido(a) assim… É claro que para a pessoa traída o(a) outro(a) é sempre o “cachorro” e a “vaca”, mas… Vamos pensar um pouquinho. Existem três (no mínimo) envolvidos nesta história, como ninguém interage sozinho, onde será que começa e termina a responsabilidade de cada um nessa situação? Onde uma das partes cede espaço para que uma outra parte entre em suas vidas? A concorrência existe e, sinceramente, nem vejo como algo negativo. A acomodação leva à rotina e ao marasmo de qualquer relação. Sob este ponto de vista, se a pessoa pensar que a qualquer momento pode “perder posição no mercado” se empenhará muito mais para se manter na concorrência, não é mesmo?!

A Propaganda Enganosa

Eita neurolinguística social essa que nos rodeia, viu? Vou contar um segredo de família relacionado à conquista. Cresci ouvindo minha avó afirmar: “Quando se quer pegar um passarinho, nunca se diz: Xô!” Pois é… Exatamente o que vocês estão pensando, a mãe da minha avó ensinou a ela, que ensinou à minha mãe, que ensinou pra mim (e que deve ter ficado muito frustrada por eu não ter aprendido, já que continuo sozinha) que se uma pessoa quer conquistar outra não deve assustá-lo. Ou seja, devemos sublimar nossos desejos pelos desejos do outro em favor da conquista. Certa vez perguntei à minha avó: “, mas… E depois?” e ela respondeu rindo: “Depois é depois! O passarinho já está dentro da gaiola e comendo aqui na minha mão.” É claro que os tempos mudaram, mas… Será que mudou tanto assim? Será que nós nos comprometemos com alguém que não existe? Ou melhor, que só existe em nome da conquista?

Reciclar é Preciso

Como profissionais, se não buscarmos reciclagem de conhecimento em nossa área ficamos obsoletos, não é mesmo? Porque diabos então, quando o assunto é sexo tem gente que se contenta com a mesmice uma vida inteira? Olha a história da concorrência aí de novo… Tem gente que mesmo amando o parceiro do fundo do coração acha o sexo com ele uma chatice, nem todas as dicas para uma pimenta a mais dá jeito. Resultado? Chifres. É claro que ninguém precisa gostar de tudo que o outro gosta, mas… Não é o casamento o império das concessões pelo bem comum? Se a pessoa se sente incapaz de realizar umas coisinhas mais hards, lembre-se que fantasiar é gostoso.  Sempre brinco que fantasiando sou capaz de trazer um time de futebol inteiro para minha cama, já realizando tenho todo o direito de preferir a dois (vá lá, a três também é ousável). Ser criativo, falar, fantasiar,  não custa nada e ainda faz bem para relação. Conversar (e às vezes negociar) é essencial. Pense nisso antes do próximo “NÃO!”.

Vestir a Camisa

Uma expressão muito comum entre empreendedores é “buscar parceiros que vistam a camisa”. É muito desistimulante pra mim, que não vivo uma relação estável, perceber que a grande maioria dos casais que conheço se contentam com a infelicidade sexual, acreditando que com isso estão agindo pelo bem do casamento. Ou seja, vestem a camisa da instituição, mas esquecem que o sexo também faz parte desse todo, esquecem que o diabo está nos detalhes… Preocupar-se com o todo sem deixar de dar atenção aos detalhes é um desafio e tanto. Se eu pudesse dar uma dica principal para os que não querem compartilhar seus amados, baseado no que vivo com pessoas casadas seria algo como: namorem sempre! O que a maioria das pessoas buscam com os romances de ocasião é, pasmem, exatamente o romance. É claro que existem os que só querem sexo, mas a maioria dos casos não é bem assim. A maioria só que atenção, esquecer um pouco dos problemas e beijar muito na boca. Vestir a camisa da relação, neste caso, é cuidar do seu par, antes que outro mais disposto se proponha a cuidar. A carência gera motivos, nunca esqueçam disso.

Balanço Geral

Diante disso tudo, acho que buscarei alternativas uma vida, que não sejam o casamento, para continuar feliz ao lado das pessoas que amo, viu?! Quando dizem que a principal causa do divórcio é o casamento, não estão brincando. No entanto, sei que muitos gostam, acho que casamento é igual sacerdício, é vocação. Mais importante que aprender a fazer o canguru perneta é descobrir uma maneira de manter vivo o romance. Sabe o lance de ao invés de conquistar um monte, conquistar a mesma pessoa todos os dias? Acho que é bem por aí. Se não tem vocação nem disposição pra esta conquista diária, faça como eu, continue solteiro, mas… Viva uma vida pensando como seria. Contraditório? Não… Fantasiar é saudável, esqueceram?

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PS – É claro que este texto é uma opinião pessoal. Se perceberem bem não dou nome aos bois, homem ou mulher, ninguém é culpado, afinal todos estão envolvidos. Concorda? Discorda? Por favor, opine! Deixe nos comentários alguma dica que a vida ensinou.


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