Homossexualidade | Onde você guarda o seu preconceito?

O texto de hoje do Daniel não se trata de  apologia a nada. Cada um sabe da própria necessidade em ter uma vida secreta. Ter direito a vivenciar e manifestar a própria sexualidade (homo, bi ou hetero) é apenas um dos muitos direitos constitucionais do cidadão, mas… Você já parou para refletir como isso ainda é tabu para muitos? E você, já parou para pensar no assunto?

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Ser ou Ser?!

“Eu vim recrutar vocês!”

Quem assistiu o filme Milk com certeza lembra desse bordão utilizado por Harvey Milk[bb]. O filme conta a história desse homem real que me fascinou. Ele foi um executivo que depois dos 40 anos largou sua vida em Nova Iorque para viver em São Francisco com o namorado e se tornar então o primeiro homossexual declarado a ser eleito para um cargo público na Califórnia.

Pré-venda do DVD Milk, a Voz da Igualdade: Lançamento previsto para 02/10/2009, no Submarino
Pré-venda do DVD Milk, a Voz da Igualdade: Lançamento previsto para 02/10/2009, no Submarino

O filme é brilhante e consegue mostrar a luta dos gays por seus direitos nos anos 70. Um dos muitos momentos que me chamaram a atenção no filme é um no qual Milk diz que os gays precisam “sair do armário”, pois se as pessoas souberem que conhecem, convivem e amam um gay então elas seriam contra a violência contra os homossexuais.

Achei muito interessante e ambígua essa questão, afinal ao mesmo tempo que nós gays – e incluo sempre na palavra gay toda a comunidade GLBT – estamos nos protegendo da sociedade quando nos camuflamos, estamos também aumentando o preconceito e deixando de mostrar para as pessoas que somos gays e não existe nada de errado nisso.

Não é minha intenção me aprofundar no filme, com certeza são muitos os assuntos para serem discutidos e refletidos. Independente da (homos)sexualidade Milk é um filme sobre política e sobre a busca pelos direitos humanos, uma luta pela igualdade. Fica aqui para quem ainda não assistiu a indicação, “Milk, a voz da igualdade[bb]”, vale a pena ver e rever.

Quero agradecer novamente a B. pelo convite como colaborador do AVS, quis começar esse texto repetindo o bordão de Milk, pois acredito que nesse momento me sinto recrutado, não vou me candidatar para ser o presidente gay assumido do Brasil (pelo menos ainda não, risos ), porém sinto necessidade de fazer algo a mais.

O que eu posso fazer hoje? Cabe a cada um, hétero ou homossexual (assumido ou não), pensar no que se pode fazer hoje dentro dos limites de cada um para ajudar na luta contra o preconceito.

Conversando com o Tiago Duque, um amigo que fiz a pouco tempo, ele me disse que fez a seguinte reflexão com um grupo de jovens católicos: “Seja Gay por um dia!”. Achei a reflexão genial, como ele mesmo disse nós gays passamos anos nos obrigando a pensar que somos héteros, por que um hétero não poderia passar um dia pensando como se fosse gay? Como você viveria se fosse homossexual? Como você gostaria que as pessoas te tratassem? Afinal até hoje não sabemos quais motivos levam uma pessoa a ser hétero ou ser gay, mas duas certezas posso dizer aqui, ser homossexual não é opção, não escolhemos gostar de homens ou de mulheres. Existe uma orientação sexual e não uma opção, eu não optei ser homossexual e nem você optou ser hétero, certo? Ninguém me perguntou quando era criança: “Você escolhe ser viadinho ou escolhe pegar a mulherada?” Não mesmo, risos.

Outra certeza é de que homossexualidade não é doença, portanto é errado falar homossexualismo, o certo é homossexualidade, pois o sufixo ismo indica doença. Se homossexualidade não é doença não deve ser procurada uma cura e nem um tratamento. Muito menos um exorcista para expulsar um espirito maligno do corpo, honey, definitivamente não, risos.

Depois do comentário da Sentimental na minha última colaboração fui até o site do programa “Amor e Sexo” e pude ver o vídeo onde um pai pergunta para psicologa se existe uma maneira de reverter a homossexualidade do filho. Infelizmente as pessoas ainda pensam igual a esse pai, se sentem culpadas por possuir um filho gay. Pode ser difícil descobrir que seu filho é gay, mas lembrem-se que mais difícil é para seu filho se descobrir gay em um mundo onde ainda existe tanta discriminação. Como um outro amigo diz, é preciso ser muito macho para assumir sua sexualidade.

Uma dica para conviver bem com um filho ou amigo gay é agir com naturalidade e sinceridade. Se você não sabe o que fazer procure ajuda, muitos pais já passaram por isso e não é vergonhoso querer entender melhor a sexualidade do seu filho. A Internet facilita muita coisa hoje, existe muita informação e é importante que ela chegue para as pessoas que precisam dela.

A homofobia é uma das muitas formas do preconceito. Nós somos responsáveis por mudar a sociedade e a nossa maneira de pensar. Lembrando um comercial que assisti repito a pergunta, onde você guarda o seu preconceito?

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Daniel é analista de sistemas, tem 21 anos e mora em SP. Como blogueiro encontrou no mundo virtual uma maneira de misturar razão e sentimentos para mostrar que ser gay é absolutamente normal.

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Aproveite para ler também no AVS:

Se gay não é opção – Entrevista de Bruno Chateubriand à Revista Veja



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