Existe certo ou errado no sexo?

Semanalmente recebo mensagens de homens e mulheres querendo saber se isso, aquilo ou aquilo outro é normal no sexo. Também querem saber como deveria agir uma mulher (ou homem) para ser bom de cama, qual a frequência sexual ideal, entre muitas outras dúvidas. É claro que tudo isso não necessariamente nesta ordem e não exatamente com estas palavras, mas…

Mulheres

  • O que falar na cama, na hora H?
  • Não gosto de receber ou fazer sexo oral, tenho nojo, isso é normal?
  • Se ele gozar em meu rosto ou boca vai perder o respeito por mim?
  • Se me liberar demais na cama, será que me verá de maneira equivocada?
  • O que fazer se tenho prazer em “obedecer”?
  • Toda mulher deve ser uma Dama na sociedade e uma Puta na cama?
  • Fizemos sexo a três e eu senti ciúme, e agora, como faço?
  • Ele tem prazer anal, será que é gay?

Homens

  • Às vezes acho que não tenho “aquele fogo” pela minha esposa, já que demoro uns 40 minutos entre a 1ª e a 2ª transa, isso é normal?
  • Sou jovem, mas de vez em quando recorro à “pilula azul” para melhorar minha performance. Isso é errado, faz mal?
  • Sou fetichista e quando me masturbo fantasiando minha ereção é plena, no entanto, quando faço sexo (e estou me iniciando ainda) minha ereção não é lá essas coisas. É normal um fetichista não ter uma ereção 100% quando o fetiche não está envolvido?
  • Eventualmente, apesar de amar muito minha esposa, enquanto estou fazendo sexo fantasio estar comendo outras mulheres. Será que não a amo mais?
  • É possível alguém fazer sexo todos os dias e gozar?
  • Às vezes prefiro me masturbar a fazer sexo, é normal?

Costumo ler e responder cada uma das questões com carinho e diretamente. Sempre lembrando a eles que não sou dona da verdade e que respeitar os próprios desejos é sempre o primeiro ponto a ser levado em consideração. Eventualmente peço autorização para postagem da resposta e assim vamos compondo esta biografia não-autorizada de todos nós. A preocupação do ser humano em sentir-se sexualmente adequado é enorme, mas o que muitos esquecem de se perguntar é: adequado a quem, adequado a que?

Certo? Errado? O que é ser bom de cama?

Minha mãe diz que é boa de cama! Boa de cama, de sofá, de poltrona… Pra minha mãe ser boa de cama é dormir bem e em qualquer lugar. É claro que isso é uma brincadeira bem bobinha em cima da expressão, mas não deixa de ser um ponto de vista. Ser ou não ser bom de cama é algo que depende do referencial de cada um.

Kinsey, no Submarino

Quer um exemplo? Depois deste texto, deixe nos comentários a sua impressão, descritiva ou suscinta, sobre o que é ser bom de cama e marque para receber os comentários posteriores. Ao acompanhar as outras opiniões, verá a diversidade de possibilidades. Me comprometo em brevemente fazer um outro post sobre o assunto levando em consideração os comentários aqui postados.

A diversidade de opiniões  é tão grande, que imagino o susto que Kinsey teve ao traçar seu estudo sobre o comportameto sexual  da sociedade norte americana nos anos 40 (ok, dizem que Kinsey era meio pervertido, nem deve ter sido um susto tão grande asim, vai?!). Aqui no Brasil, projetos como o ProSex, desenvolvem pesquisas como a apresentada recentemente no Globo Repórter sobre a sexualidade do brasileiro. Assim como o próprio Ministério da Saúde, que com a intenção de entender melhor para ser mais eficaz no tratamento de DSTs e AIDS, promoveu e divulgou recentemente uma vasta pesquisa sobre a sexualidade brazuca. Trazendo inclusive novos dados como a relação entre a internet, o brasileiro e o sexo.

Certo ou errado pra quem?

Leio em muitos blogs por aí, defesas veementes sobre o que é certo e errado, o que é ridículo, o que é aceitável ou inaceitável na mulher (ou no homem). Como diria a minha avó: “embananado a cabeça do povo”. Bobagem! Não citarei nenhum blog, por ética, mas também por achar que tais opiniões não merecem holofotes (nem mesmo as minhas). Até porque, não passam de registros pessoais. Aqui mesmo no AVS já encontro comentários divergentes o suficiente, para sequer ter tempo em me preocupar com conceitos e preconceitos espalhados pela blogosfera.

Mesmo socialmente falando, o que é aceitável hoje pode não ser aceitável amanhã (e vice-versa) em um outro contexto. A pedofilia (que abomino) é um caso claro disso, o casamento entre homens mais velhos e meninas pré-púberes era plenamente aceitável séculos atrás. Ou mesmo a homossexualidade entre Mestres e pupilos na Grécia antiga. Muda a época e o contexto social, muda a visão do fato.

No entanto tenho uma opinião. No sexo não existe certo ou errado, existe o que te dá (ou não) prazer, quem te satisfaz (ou não) e se satisfaz (ou não) desta ou daquela forma. Portanto, tudo que alguém disser sobre sexo (da normalidade ou anormalidade de determinadas práticas, frequências ou preferências sexuais) é uma opinião pessoal, só isso, mesmo essa…