
Esta semana, a notÃcia da escolha da atriz Karen Junqueira como personagem principal do filme baseado no livro O Doce Veneno do Escorpião de Bruna Surfistinha (Raquel Pacheco) me fez lembrar da autora como o primeiro grande caso brasileiro de web 2.0
Para quem acaba de chegar de marte…
Sinceramente, acho difÃcil que alguém que esteja chegando ao post neste momento não saiba quem é Bruna Surfistinha, aqui mesmo no A Vida Secreta ela já foi citada em dois posts: Dicas da Bruna Surfistinha, uma compilação de algumas dicas do seu livro de mesmo nome que foi disponibilizado em uma matéria da revista Nova, e também em Is internet for Porn? Sim, a internet é para pornografia também!, com comentários à respeito do painel da Campus Party 2009. Ainda assim, vamos lá!
Bruna Surfistinha é na verdade o “nome de guerra” pseudônimo de Raquel Pacheco. Menina de classe média que como tantas outras da sua idade (sim, não há nenhuma novidade nisso) resolveu sair de casa e buscar a independência. E qual a maneira mais rápida e fácil de fazer isso? Simples, ela pensou,  a prostituição.
É claro que na prática nada foi tão simples assim. E porque falo disso com tanta propriedade? Simples a Bruna contou, não pra mim, mas para quem quisesse ler em seu blog (que, pelo menos hoje,  parece não estar no ar). Seu diário virtual onde contava o seu cotidiano, inclusive as saÃdas com os clientes, fez sucesso. Ela de certa forma “ranqueava” seus clientes e que homem não quer saber da sua performance na cama? Essa interatividade com o cliente, no real e no virtual, fez o servilo de Bruna diferenciado.
Ao mesmo tempo, no site GP Guia, o seu jeitinho ia encantando os clientes e, dessa vez, eram eles que a ranqueavam e cada dia ela subia mais neste rank. Digo isso, pois neste perÃodo 2003/2004 um grande amigo era grande fã da moça, junto com outros amigos ele era leitor do GP Guia e do Blog. Tão fã, que chegou a deslocar-se do RJ a SP para um encontro.
E como uma bola de neve, uma coisa levando a outra, Bruna se tornou uma web celebrity da noite para o dia. Apareceram as entrevistas sérias e outras nem tanto (a pseudo-entrevista do Cocadaboa é antológica), proposta para transformar seu blog em livro e assim nascia O Doce Veneno do Escorpião. E daà em diante, acho que todo mundo sabe…
Três livros, os direitos sobre a sua história vendido para o cinema  e  até quadrinhos com as histórias da moça tem pela web, dizem, que com roteiros da própria. Será que Bruna Surfistinha chegará a ser a Diablo Cody brasileira?
Web 2.0 – Um bicho indomável que não aceita rédeas
E porque citei Bruna Surfistinha como um caso de  Web 2.0? Devido um comentário do Zander Catta Preta na palestra Is internet for porn? na Campus Party 2009. Desde então isso vem ecoando em minha mente. Até que ponto a interatividade da internet pode ajudar ou atrapalhar?
Está na Wikipedia: “Web 2.0 é a mudança para uma internet como plataforma, e um entendimento das regras para obter sucesso nesta nova plataforma. Entre outras, a regra mais importante é desenvolver aplicativos que aproveitem os efeitos de rede para se tornarem melhores quanto mais são usados pelas pessoas, aproveitando a inteligência coletiva” - Tim O’Reilly
Raquel Pacheco, a Bruna Surfistinha, certamente não imaginou que sua vida mudaria completamente à partir do seu bloguinho. Usou das ferramentas disponÃveis,  até então, para interagir (blog, GP Guia, MSN) com seu público e divulgar seu trabalho sem intermediários.

As oportunidades surgiram, ela foi aproveitando uma a uma,  e hoje, apesar de estar em seu terceiro livro, ter largado a prostituição e usar seu nome e identidade real, ainda é a Bruna Surfistinha, a prostituta que criou um blog.
Feliz ou infelizmente, a  plataforma que catapultou seu cyber sucesso é a mesma que não a deixa seguir adiante sem o estigma da prostituta que se lançou a partir do blog.
(Quem lembra da entrevista real que ela concedeu ao Mr. Manson – do já citado Cocadaboa – como repórter do SP Machion Week?)
Pessoalmente, pelo que vi no painel da Campus Party,  ela parece uma menina tÃmida, educada, aparentemente arredia e na defensiva, apesar de franca. Uma pessoa bem normal, como eu, como você. Cujo seu lado B, a sua vida secreta, graças à internet tomou um rumo desconhecido. Umas vezes prazeroso (ganhar dindim não é nada mal), noutras nem tanto assim (até eu me constrangi com a brincadeira estampada no notebook na Campus Party), mas que a esta altura não há muito mais a ser feito senão deitar na cama que a fama criou. Prêmio ou castigo? Tudo depende do que vier depois…
Se é a primeira vez que acessa o blog A Vida Secreta, não deixe de ler os outros posts relacionados à Bruna Surfistinha:  Dicas da Bruna Surfistinha e Is internet for Porn? Sim, a internet é para pornografia também!