Lendo ontem o comentário da Bianca Jahara, do BBB 8, sobre clubes de sadismo e masoquismo que a moça foi em Londres, percebi o quanto o assunto é estranho à s pessoas, ainda que a grande maioria de nós conviva com quem curte uma ou outra face do jogo S&M e nem tenha conhecimento disso. Coisas dA Vida Secreta. Realmente, nenhum de nós tem estampado na testa seus segredos, do contrário…
Não posso falar de muitas bizarrices, quando paro para olhar o todo sou até bem normalzinha, mas já falei um pouco da minha experiencia com o BDSM no antigo blog. Já tive alguns problemas com isso, por ter me aberto tanto explicitando algumas práticas que aprecio. Já decepcionei algumas pessoas, fui ofendida por outras, me deixei aborrecer, fiz que não era comigo, mas ainda assim ouso eventualmente tocar na mesma tecla porque penso que prestar informação com propriedade é muito melhor do que deixar as pessoas em completa ignorância. Aceito a diversidade social e sexual. Mesmo assim, de vez em quando esbarro com umas coisas que me chocam, que eu jamais faria, mas nem por isso me nego a ter, no mÃnimo, conhecimento da tal prática em questão.
Pra mim, o jogo S&M é muito simples. Uma fantasia onde um brinca de mandar e o outro de obedecer tudo isso dentro de um ato consensual. Uma cena, quase um teatro, uma espécie de RPG, sei lá… Quase sempre (eu disse quase sempre, não existem verdades absolutas) na vida real há uma inversão de papéis entre Tops (os que mandam) e bottons (os que obedecem), ou seja, não é incomum que fora da cena S&M o que aceita ser submetido ocupe uma função de comando na sociedade e o que submete seja o extremo oposto. Eu por exemplo, sou uma mulher super doce, meiga e carinhosa, mas que no jogo S&M me sinto à vontade exercendo o papel da disciplinadora (levemente sádica).
Apesar de conhecer muitas mulheres submissas (quase sempre casos bem clássicos de mulheres que na vida real passam o tempo inteiro no controle de alguma coisa – famÃlia, trabalho, etc), não entendo muito o D/s (relação de Dominação e submissão) masculino. Acho que o interessante é exatamente o jogo de opostos. E acho que neste ponto, o D/s feminino faz mais sentido pra mim.
Não me sinto nada à vontade em ser controlada, sequer psicologicamente, quanto mais fisicamente. Não curto ser amarrada, humilhada verbalmente e muito menos espancada mesmo que levemente (tapa na bunda não conta… risos) e jamais faria isso com alguma mulher. No entanto, apesar de não entender, tenho que aceitar que existam mulheres que tem prazer assim. E se é o barato delas, quem sou eu pra dizer que não é legal?!
É claro que acho determinadas práticas incomuns. Beber xixi não é algo que eu faria, ou lamber pé sujo, comer no chão… Nada disso! Só que, curiosamente, eu não vejo alguém que se submete a estas práticas como um ser de outro planeta. Respeito toda e qualquer louca fantasia desde que, além da consensualidade, haja também segurança e não atente contra a saúde do outro. Acho que cabe principalmente ao Top ter plena consciencia de riscos e danos possÃveis. E mesmo que o outro entregue alcool e fósforo em suas mãos e consinta o que quer que seja, cabe sempre a ele ter a responsabilidade dos seus atos. Nem ouso contar as propostas insanas que já chegaram aos meus ouvidos.
Já frequentei festas fetichistas, tanto no RJ quanto em SP, nunca fui ao exterior, mas provavelmente quando for, vou querer saber como é a cena BDSM por lá. Nem que seja por mera curiosidade, já que prefiro minhas coisas entre quatro paredes, mas as festas que frequentei aqui no RJ, principalmente a DESEJO que sou amiga pessoal dos organizadores, posso assegurar que também não há envolvimento sexual. Quem vai a festa, vai pelo fetiche, se rola algo depois, só se for fora dali. As festas servem apenas como um ponto de encontro, um bate-papo entre amigos, um local para interação de pessoas com fetiches comuns.
Vale lembrar que apesar de estar tratando aqui com naturalidade, as coisas nem sempre são tão naturais assim. Não é incomum eventualmente saber de um ou outro caso onde um fulano(a) se valeu da sua condição de Top para abusar financeira ou fisicamente do botton. Tenho por prÃncÃpio jamais empunhar um chicote se tiver alguma diferença pessoal com o outro, já cometi o erro de me exceder no castigo quando acreditei que seria imparcial. Felizmente para isso existe a safeword (palavra que é acordada antes da sessão para ser usada em caso de necessidade). O S&M jamais pode ser usado como uma compensação para os problemas do casal. Já soube de situações que ficaram bem feias por conta disso. O risco sempre há.
Não conheço um BDSeMer sequer que, se pudesse escolher, não teria uma vida diferente. Desejos sexualmente mais aceitáveis. Ninguém quer ser marginal. Não sou a favor da glamourização de nada, mas acredito que o quadro também não é tão feio quanto pintam. Para quem não se aceita, há sempre a psicoterapia. E para quem curte, sempre tem alternativas para a socialização. Não chega a ser um bicho de sete cabeças. Pelo menos não mais.