A descoberta do sexo e a busca pelo orgasmo perfeito

Quase lá – Coming Soon (1999)

Semana passada vi um filminho de 1999  que vi na madrugada, Quase lá – Coming soon, me fez lembrar o início da minha vida sexual. O filme é bem bobinho e conta a história de três amigas por volta dos 16 anos que vivem as aventuras e desventuras próprias da idade. Da escolha da universidade e carreira, às descobertas sexuais, entremeando situações tão absurdamente reais que acaba sendo divertido, pois a gente se vê no filme.

Imaginem um besteirol americano protagonizado por mocinhas? Este filme, uma mistura de American Pie com As Patricinhas de Beverly Hills – Clueless é ambientado em uma escola de classe AA. E o questionamento principal do filme é o tal “quase lá“, afinal, estão em uma fase de quase lá em tudo. Quase na faculdade, quase apaixonadas, quase sexualmente satisfeitas. E por que eu me vi nesse filme? Simples, quem de nós, homens ou mulheres nunca se sentiu “quase lá” pelo menos uma vez na vida?

Orgasmo, este desconhecido

O conflito começa quando uma das amigas, Stream, que acabou de deixar de ser virgem com o cara mais rico e também o mais vazio da escola, comenta com as outras que achou o sexo meio decepcionante, já que nunca teve um orgasmo. As amigas, que já são sexualmente ativas,  fingindo que sabem tudo minimizam sua angústia dizendo que é assim mesmo. Afinal, para elas sexo é meio sem graça também, ainda que elas digam o contrário a princípio.

Detalhe, Jenny, uma das amigas é uma patricinha fútil que sofre de distúrbios alimentares, trepa até de ponta a cabeça, mas é largada pelo namorado, pois ele acha o sexo entre eles “vazio”. A outra, Nell, é uma menina linda que se acha feia e é descoberta pelo mundo da moda. Namora um gay enrustido e no fim das contas  descobre que também é lésbica.

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Sexo e drogas não combinam

Stream inicia uma busca pessoal, procura ler sobre o assunto em livros e revistas e a partir daí começam as confusões. É claro que tem situações divertidíssimas, como o sexo oral que faz no namorado insensível. Eles tinham fumado um baseado e o moço demora tanto a gozar que ela fica com o maxilar doendo. Ou o momento em que ele se sente desafiado quando ela diz que nunca gozou  e então, literalmente, a joga ao solo para fazê-la mulher. Só que o incompetente, quando ela está “quase lá” goza e deixa a moça a ver navios. E ainda tem o descaramento de dizer que o que ela sentiu, aquela quase sensação, foi um orgasmo. É divertidíssimo quando ela tem um orgasmo sozinha, na hidromassagem, e termina com ele no dia seguinte, pois só sentindo um orgasmo verdadeiro ela entendeu que aquilo que sentiu anteriormente não tinha sido um gozo decente… risos.

O filme ainda levanta outros questionamentos. Como a homossexual que nem se sabia lésbica, apenas não gostava de sexo tanto assim. Se contentava com o namoradinho gay que gostava tão pouco de sexo heterossexual quanto ela. E só descobre que não é assexuada, quando conhece um lésbica jovem e linda, sai com ela e acha maravilhoso. Ou também, a mãe ex-hippie que fica chocada ao descobrir camisinhas na gaveta da filha e percebe que não é tão descolada assim.

É claro que tem um final de comédia romântica, numa cena de amor e sexo perfeito com o carinha mais imperfeito do filme. O filme é bonitinho e previsível, bom pra quem gosta. Pena que já tem tanto tempo que duvido até que possa ser achado em locadoras. O negócio é esperar para passar novamente numa madrugada dessas da vida.

E como chegar lá…

No fim das contas eu escrevi sobre o filme com a principal intenção de falar de sexo mesmo. Que fazer se só penso “n’aquilo”?! Queria mesmo é falar de primeira vez, de primeiro orgasmo, de como chegar lá e não viver uma vida de  “quase lá”. Como se estivesse conversando com minhas sobrinhas adolescentes. Não dá pra fingir que essa meninada não trepa ou não vai trepar…

E apesar de saber que a única regra pra descoberta sexual é não ter regra, de infelizmente cair no lugar comum e dar a dica necessária e fatídica do “relaxar e gozar”, acho que alguns pontos valem ser lembrados. Enumero uns poucos e peço a quem estiver lendo, homem ou mulher, que dê suas dicas nos comentários e partilhe suas dúvidas e experiencias. Aos poucos irei atualizando.

7 Pontos Importantes sobre sexo

  1. Dúvida sobre virgindade
    – Se há dúvida sobre deixar de ser virgem é porque certamente a pessoa não está preparada. Quando é o momento, aparece uma certeza não sei de onde que a gente simplesmente deixa rolar. Deixar de ser virgem porque é moda, porque é a única do grupo que ainda não foi pras picas, não é o melhor motivo.
  2. Informação questionável
    – Definitivamente, amigos da mesma idade só ajudam para confundir ainda mais a nossa cabeça, afinal, sabem tanto quanto nós, ou seja, quase nada e quase sempre distorcido. No fim das contas, cada um tem uma leitura muito pessoal e a única verdade é que o que é normal e perfeito para um pode não ser para o outro. Filtre as informações que lê, ouve, tire suas próprias conclusões e vá em frente. Até mesmo estas dicas, podem ser completamente furadas.
  3. Auto-conhecimento
    – Conhecer o próprio corpo é primordial. A masturbação, a auto-estimulação, é tão necessária para a nossa sexualidade quanto a interação com o outro, o beijo na boca, o abraço, o sexo. Não existe regra também, maneira certa ou errada. Cada um descobre uma maneira específica de estimular-se e sentir prazer. O orgasmo com a masturbação nos traz auto-confiança e, posteriormente, nos ajuda a conduzir o outro a um orgasmo compartilhado. Eis um exercício maravilhoso…
  4. Dar prazer não é servidão
    – É importante descobrir o prazer em dar prazer, masturbar o outro, fazer um sexo oral com vontade, mas tão importante quanto isso é entender que a satisfação sexual é uma via de mão dupla. Ninguém deve se contentar com sexo insatisfatório. Conversar com o parceiro pode ser constrangedor, mas costuma ser sempre a melhor saída. Juntos é mais fácil descobrir que sozinho. E se o seu parceiro é incapaz de entender isso é porque não é a pessoa certa para estar ao seu lado
  5. É normal ser anormal
    – Ter desejos sexuais incomuns é mais normal do que se pode imaginar. Seja a orientação sexual – ser homo, bi ou hetero – ou algum fetiche – preferir pés a seios, gostar de uma pessoa mandona a uma meiga demais. Gosto não se discute. No fim das contas, sempre tem uma tampa pra sua panela, um sapato velho para um pé cansado. Ninguém é igual, e essa é exatamente a beleza de ser humano.
  6. Orgasmo não é utopia
    – A satisfação sexual é diversa demais para ter um padrão, portanto, se você não sabe o que é um orgasmo é porque provavelmente ainda não teve um ou… Está esperando que exista alguma fórmula pronta para explicar o mesmo. Nananinanão! Experimentar e permitir-se é a única dica que posso dar. Sozinho e com o outro. Descobrindo os próprios gostos e também desgostos.
  7. Prática
    – Sexo só se aprende fazendo e a prática leva à perfeição. Intimidade costuma ser melhor que diversidade e descobrir diferentes maneiras de satisfazer a mesma pessoa é muito mais interessante…

É fácil dar dicas sexuais hoje, mais de vinte anos depois de ter iniciado sexualmente. Não esqueçam que conselhos são aquelas coisas que pegamos no lixo, reciclamos e vendemos a um preço muitas vezes maior do que eles valem, mas…