Uma dica no Twitter me levou a uma receita genérica de Smirnoff Ice. Imediatamente lembrei de uma época onde ainda não tinham inventado a bebida citada, mas havia muitas festas,  muita bebida (eu amava Hi-Fi e Cuba Libre) e nenhum juÃzo. Tempos bons… Já tive até barraquinha de caipifruta e capeta em festa junina.
Tomei poucos porres na vida justamente porque em todos eles paguei micos homéricos. Alguns aprendem na marra a tomar jeito, eu fui uma delas. O texto que segue abaixo não é conto erótico tampouco faz parte da gastronomia afrodisÃaca, é apenas um dos meus porres contados com liberdade poética. Hoje não bebo, mas achei a receita de Smirnoff Ice Pirata tão boa, que vale compartilhar.
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Dois meses foi o tempo que ela levou para chegar nele. Vinte segundos foi o tempo que precisou para escangalhar tudo. Bem que a avó dizia: “Cu de bêbado não tem dono“. Bebe uma pra tomar coragem e disfarçar o nervosismo, bebe duas para ficar alegrinha, na terceira já está dançando funk misturado com a boquinha da garrafa. Definitivamente, ela não sabia beber.
Quando ele chegou não precisava mais nada: “Vem cá!“, disse ela já arrastando-o pro canto e tascando um beijo. Ele era tÃmido, muito sério, ela também, estava difÃcil há tempos evoluir da conversa ao beijo. Se soubesse que seria tão fácil já teria tomado este porre antes, pensava. Cada amiga que passava e os via juntos, exultava sem que ele visse. Enquanto ela, se deliciava com aqueles tÃmidos lábios suculentos.
Dois toques no ombro, era a amiga chamando para acompanhá-la ao banheiro. Foi. Na verdade, o banheiro era desculpa para a fatÃdica pergunta: “E aÃ, beija bem?”, mas antes mesmo da resposta, um desengonçado magrelo esbarra nelas, segura o seu rosto e dá um beijaço na frente de todo mundo. Parecendo tão bêbado quanto ela que, molinha, se derreteu toda naqueles braços oferecendo sem reservas o que outrora estava sendo roubado.
Ao abrir os olhos, havia uma verdadeira audiência à sua volta. De coadjuvante passou a atriz principal. Desesperadamente, correu os olhos pelas pessoas, adrenalina é um santo remédio para curar porre, infelizmente, quase sempre tarde demais, como naquele momento. E, dito e feito, viu quem não devia ver aquilo que não deveria ter acontecido. Ainda tentou se aproximar e explicar, mas… Explicar o que? Beijou porque foi beijada? Quando a avó dizia…
“Vadia! Sai de perto de mim“, ele disse com desdém antes de pegar o carro e sair da festa. Atordoada, ela ainda olhou em volta novamente e dessa vez viu um monte de rostos a observá-la entre cochichos. E o pior, nem lembrava direito do beijo recém dado ou sequer o rosto de quem havia beijado.
Meio no automático atravessou a sala em direção ao bar e pediu a quarta bebida, “Ferrada, ferrada e meia!” concluiu levantando um brinde ao nada e bebendo sem nenhuma cerimônia.
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Smirnoff Ice Genérico
:: 2 litros de Sprite (gelada)
:: 1 litro de vodka
:: 1 envelope de Clight (suco em pó) de limão (Se colocar limão, a fruta, azeda depois de alguns minutos)
:: 1 litro de água mineral com gás
Modo de fazer:
:: Misture bem todos os ingredientes (de preferência bem gelados) e basta servir.
Rendimento:
:: Rende aproximadamente 20 garrafinhas.
Fonte: Brogui