Especial Momentos Secretos | Priscilla Cherry

Priscilla Cherry é uma mulher misteriosa… Em seu blog negro de letras pink (sim, rosa!), Priscilla conta as suas memórias. Como se fossem textos encontrados a esmo, desconexos, cujo sentido, se é que existe algum além de nos atiçar a um tesão extremo, só a própria Priscilla é capaz de responder.

O texto abaixo faz parte de uma série de contos e relatos de amigos d’A Vida Secreta que, nesta semana de aniversário (04/12 o AVS faz um ano), tiveram o carinho de parar um pouco das suas vidas corridas, seu lado A, para partilhar conosco momentos do seu lado B. 

Priscilla é uma doce amiga que A Vida Secreta me apresentou. E é com grande prazer, que neste 1° aniversário do AVS apresento a vocês um momento d’A Vida Secreta de Priscilla Cherry.

 

Palmas pra que te quero – Texto de Priscilla Cherry

 

Depois de toda uma noite de loucura o quarto do motel já estava devidamente marcado com o nosso cheiro. Eu fora a mais doce das escravas e merecia, finalmente, apanhar. O sol da manhã dava ao lugar um quê de cenário, a luz excessiva era como um toque do imponderável, um banho de realidade a chamar toda a lucidez como platéia do ato final daquele verdadeiro encontro.

Sabia que nada me agradava mais que o toque das suas mãos pesadas, os dedos longos e fortes despertando o sangue nas minhas veias. Puxou-me bem para perto e com nossos corpos colados de suor antigo foi me falando calmo ao ouvido todas as coisas que eu gostava de ouvir, a voz baixa, séria e grave que me fazia tremer, ele o flautista, eu a ratinha encantada.

Todo o meu mundo restringia-se à sua pele, a pressão do seu corpo e a sua voz, a força que delas emanava me esmagava os sentidos e quando eu me percebi já tonta o primeiro estalo, o calor na minha bunda desenhava nela cinco dedos perfeitos e já veio outro, no mesmo lugar que então ficou ainda mais quente, e mais outro, e fui atirada sem aviso a um orgasmo intenso, um grande mergulho no oceano das águas perfeitas.

Demorei a me recobrar. As palmadas me fizeram gozar, as palmadas e tudo o que as envolvia, claro, mas nunca tinha me ocorrido que isso pudesse acontecer, eu estava esgotada, surpresa, estranhamente satisfeita, e despedir-me já não doeria tanto. Desajeitada e com as pernas moles arrumei nossas coisas, ajudei-o a se vestir e saímos. Eu levava comigo um tesouro: uma nova descoberta, uma jóia da vida.