Já ouvi alguns conhecidos homens contarem histórias de que já entraram em chats lésbicos passando-se por mulher. Ou o contrário, mulheres que entraram em chats como homem e conquistaram simplesmente todas as carentes de plantão. Enquanto ouvia estes causos eu pensava em como conseguiam. Já escrevi contos de ficção em primeira pessoa, sendo a protagonista homem. No entanto, como me passar por homem, como um homem se passa por uma mulher? Me and My Secret Life me fez ter contato com uma das histórias mais bizarras que já vivi. E não porque eu ache impossÃvel ou incomum, acho até que existe muito mais gente do que imagino passando-se por outra, mas… Nunca pensei que eu fosse me envolver em algo assim.
O tema, hermafrodita, que nada tem de escabroso, representa o filho de Hermes e Afrodite que, unido à ninfa Salmacis, forma um ser duplo com genital masculino, peito e formas femininas. O escultor encontra, aÃ, um tema caracterÃstico do gosto helenÃstico: nudez lânguida, efeito de surpresa e teatralização, que se unem além dos séculos à arte barroca italiana do século XVII, ilustrada aqui por Le Bernin, que esculpiu o voluptuoso colchão sobre o qual foi colocada a estátua antiga. Na parte de baixo da imagem, vê-se o pênis de Hermafrodita, em contraste com as formas nitidamente femininas do corpo. Na Fig. 0806a, as nádegas da estátua são mostradas com mais detalhes.
Referência: Musée du Louvre / URL: www.louvre.fr
Fonte: http://greciantiga.org/img/esc/i806.asp
Antes de tudo, preciso dizer que muitos meses depois do acontecido não tenho nenhuma mágoa do fato. Apenas tenho como referência e, talvez, lição. Por curiosidade, carência ou mesmo necessidade de uma paixão, conheci e me envolvi com uma mulher aqui na net. Daquelas situações bem impossÃveis de realizar, paÃses diferentes, mundos diferentes… Um belo dia nós trocamos uma mensagem, duas, três, e quando vi, trocávamos monólogos, quase três por dia, uma com a outra. Ela, muito mais experiente que eu, me encantava pela sensibilidade das suas palavras. Seus textos, talvez os mais belos e sensuais textos lésbicos que já li, me faziam entrar num transe. Os versos se repetiam incessantemente dentro da minha cabeça. Trocamos fotos, as letras ganharam corpo e rosto. Ela, sempre muito mais explÃcita que eu, me seduzia de maneira tão natural, suas palavras fluÃam tão bem. De fato, só havia uma grande amizade nascendo, cheia de desejo, reconheço, mas sem que eu soubesse, já me via envolvida em uma paixão.
Uma viagem repentina, um desaparecimento inesperado, um fã incondicional dela surgindo do nada… Um homem tão interessante quanto ela, um estilo diferente de literatura, encantador, másculo, mas que pra mim, pouco importava, não era ela. Tudo fluindo enquanto eu me envolvia da presença exatamente durante a sua ausência. Pensava com carinho, com paixão. Uma frase, uma imagem, tudo lembrava ela. Me vi poetando. Logo eu, quem diria… Poeta?! Ressuscitei um blog antigo, um blog lésbico, um blog de um tempo em que a coragem faltava para admitir meu desejo. Lá eu escrevia, escrevia, organizava meus pensamentos soltos. Até que um dia um e-mail dele, perguntando dela, com uma situação completamente insólita. Liguei meu pisca alerta. Com educação, mas talvez um pouco seca, respondi. Eu nada sabia. E nada sabia mesmo, daquele momento em diante, entrei numa paranóia. Porque aquele cara me procurou?
Desde que inventaram a internet, não há mais privacidade. E através de buscas de IPs, informações pelos googles da vida, leituras e mais leituras dos textos dele e dela, constatei: os dois são um. Ela apareceu para encantar (e, com efeito, encantava) e desapareceu para ele brilhar (o blog dele apareceu pouco antes dela desaparecer). Minha descoberta, eu não sei se feliz ou infelizmente, foi o ocaso dos dois. Pra mim, jamais admitiram o hermafroditismo, se assumiram um casal que usavam a mesma máquina, que tinham estilos parecidos por um vÃcio de casal. De mim, ele se despediu com um e-mail seco e ofendido, nunca foi a intenção dele jogar ou brincar com qualquer sentimento, tudo não passava de um estudo comportamental. Pode até ser, sei lá. Enquanto ela, bem que tentou retomar o contato, mas onde não há confiança, não há mais nada. Despediu-se partindo para uma viagem (fake?) com uma amiga, nunca mais voltou.
De tudo eu guardo poucos lamentos e muitas constatações. Uma delas é que ela será sempre ela, mesmo que seja ele. Jamais saberei. Pouco tive contato com o homem, no entanto, me apaixonei pela mulher. Se ela/ele era realmente um homem, tudo indicava que sim, era o homem de alma mais feminina que conheci. O ser mais delicado e terno, quando mulher. Talvez o tipo de homem que eu me apaixonaria e que me levaria a orgasmos múltiplos, porque saberia ler minha alma, como nem eu sei. Como ela soube. O meu maior lamento foi tê-los levado ao fim. Independente do sexo, a obra dela, e dele, não era uma farsa. Me encantou. Encantava meio mundo. Continua encantando. Dia desses uma nova amiga citou a obra dela como referência, sorri, e por isso até resolvi desencavar a história.
Curiosamente, apesar de todas as dúvidas, sinto que me apaixonei por uma mulher, mesmo que esta mulher estivesse dentro de um homem.
PS – Achei importante dizer que relutei muito antes de postar este texto. Por vergonha de ter caÃdo numa dessa, e também por precaução de não estar cometendo uma injustiça, mas resolvi postar apesar de tudo, porque certa ou errada, esta história me pertence. Aconteceu comigo. Esta é a minha versão.