Lost Girls – Meninas Crescidas – Alan Moore

Cláudia Motta foi a ganhadora do concurso Faça um Striptease para B. E o resultado, foi uma releitura do clássico do striptease You Can Leave Your Hat On, de Joe Cocker que você pode relembrar aqui. Ela carinhosamente fez uma resenha da HQ Lost Girls – Vol 1. Segue abaixo, espero que gostem.

Lost Girls – Vol 1 | Resenha do livro – por Cláudia Motta

Fiquei muito feliz com o presente, o livro Lost Girls é muito bom! Penso que a maioria de nós já se deparou pelo menos uma vez com alguma releitura de contos clássicos infantis que buscam mostrar o erotismo oculto na intenção do autor.

Normalmente se dividem em dois grupos: aqueles que fazem uma análise psicológica das personagens e buscam significados velados em falas ou situações retratadas e outros que simplesmente transportam trechos e/ou personagens para situações abertamente sexuais.

O livro Lost Girls foi para mim uma grande surpresa a começar pela forma da escrita, quadrinhos belamente ilustrados com um primoroso acabamento gráfico. É o tipo de livro que começamos a admirar visualmente para depois passarmos a nos deliciar com a forma que o autor relê os clássicos Alice no País dos Espelhos, O Mágico de Oz e Peter Pan, todos revistos pela ótica das personagens Alice, Dorothy e Wenndy, agora mulheres adultas com vidas comuns, mas eternamente marcadas pelas “suas histórias”. Alice é a personagem que nos introduz ao livro, é o fio condutor que ao interagir com Dorothy e Wenndy, contará sua história e fará com que as outras façam o mesmo.

Se fizermos uma leitura atenta veremos que existem várias metáforas como o espelho no quarto da Alice, os sapatos da Dorothy e a pipa voando ao vento que fascina Wenndy, que agora se vê aprisionada a um casamento infeliz, sem aventuras e sem fantasias.

Cada uma tenta através do encontro casual num hotel na Áustria, vivenciar uma sexualidade que experimentaram na adolescência através da visão do autor de como foi a história de iniciação sexual de cada uma, e é através dos relatos dela que nos surpreendemos com uma Alice lésbica, apaixonada eternamente por outra, que é ela mesma, com quem mantém um relacionamento de cunho sexual cada vez que atravessa o espelho, habilidade que perdeu com a idade, por que perdeu essa habilidade? Fica para cada leitor imaginar… Da mesma forma que fica para cada um supor o rumo que as vidas dessas personagens passam a tomar a partir desse encontro no hotel, mas a interpretação de como foi a vida sexual de cada uma delas vista sob a ótica do Alan Moore é realmente fascinante, é lírica e erótica ao mesmo tempo.

É um livro gostoso de ler, desafiante por nos fazer rever as histórias nos forçando a enxergá-las sobre um outro prisma, é altamente erótico tanto pelas ilustrações quanto pelas falas e o final escolhido por ele que se passa durante a apresentação do balé A Sagração da Primavera nos dá novamente a possibilidade de várias e deliciosas interpretações.

Resumindo é cheio de simbolismos que a cada nova leitura descobrimos mais e mais detalhes que não havíamos percebido, para quem não leu só posso dizer que vale muito a pena nos propicia uma viagem eroticamente intelectual (risos).

No mais só tenho a agradecer a você B por ter me proporcionado o prazer dessa leitura.