Pit Stop

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Era a oitava vez que voltávamos àquele assunto, nem sei por que cargas d’água não acatávamos a primeira idéia, no fim era ela que seria escolhida mesmo. Só que minha chefe tinha o dom de complicar. Tinha prazer em buscar o caminho mais longo. Por que uma reta se podia ser uma curva longa e sinuosa? Olhei para o relógio e vi que já estávamos a uma hora e vinte minutos ali, sem decidir nada. A reunião prometia…

Aproveitei a desculpa de um xixi rápido para fugir um pouco daquele samba de uma nota só. Foi então que no banheiro, percebi que o papel higiênico tinha acabado. E como mulher sempre dá um jeitinho, fui abrir a bica da pia para molhar um pouco a mão e me lavar. Só que este ingênuo ato me levou a um libidinoso pensamento, masturbação.

Eu estava tão estressada com aquela reunião chata, que estava a ponto de explodir de raiva. Foi então que ali, no banheiro da diretoria, meus dedinhos se acharam em meu clitóris, transgredindo as normas do local de trabalho, pervertendo. E a urgência, a necessidade do orgasmo era tamanha, que gozei muito rápido. Com uma mão entre as pernas e a outra a acariciar meus seios apertando os meus mamilos.

Gozei gostoso, profundamente, gozei tanto que fiquei leve. Leve e feliz.Lavei-me enfim, encharcando minhas mãos de sabonete de erva doce, na esperança que o santo sabonete fosse capaz de tirar dos meus dedos meus o meu cheiro. E quando voltei à sala com as faces rubras, típica cara de quem fez algo bem safadinho, fui aos poucos percebendo que estavam todos tão entretidos com a tal curva sinuosa que não tinha fim, que pareciam sequer ter percebido meu pit stop. Aproveitei e levantei a questão:

– Por que não executamos a primeira idéia?! Parecia perfeita…

E meus colegas, tão cansados quanto eu, fizeram coro para o sim e a minha chefe, tão cansada quanto nós, acabou decidindo pela primeira mesmo. Como sempre, aliás. E enquanto combinávamos tudo para o dia seguinte eu pensei sacana, comigo mesma: “Santa e inspiradora gozada!”