Tão Desprevenida e Exata que Um Dia Acaba

Ah, pra que chorar
A vida é bela e cruel, despida
Tão desprevenida e exata
Que um dia acaba

Trecho de Ritual – Cazuza

A morte anda rondando… Como sempre andou e como nunca deixou de estar. A avó de noventa e seis anos doente mostra que nem sempre a longevidade é um presente. A notícia de uma amiga do passado à beira da morte aos quarenta anos me congela. Não ando bem estes dias, a maneira frenética como ando trabalhando, produzindo, escrevendo, é um termômetro do meu momento de ebulição interno. Penso na morte todo o tempo. Na morte como um fim, e não como algo transformador. Sei que a cada vinte e quatro horas o dia morre e nasce outro, mas… Quantas vezes metaforicamente eu mesma já morri e renasci outra em mim? Ah, se fôssemos Fênix… Penso também na morte dos sonhos. Sonhos que deixamos morrer. Assassinos? Isso me dá um desespero tão urgente. Pressa, muita pressa. Pressa de viver. Necessidade de qualidade para não morrer em vão. Ah, vida… (suspiro) Tão desprevenida e exata, que um dia acaba.


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