Parece tÃtulo de comédia romântica, e é, mas é também uma necessidade singular de ver a vida. De vez em quando gosto de aos 37 anos não ter vergonha de algumas vezes ainda olhar o mundo feito criança, como se fosse a primeira vez. Descobrindo, me aventurando, e porque não, eventualmente, realmente pela primeira vez?! Amo experimentar e também re-experimentar. Isso vale para tudo. Para aquele queijo que sempre ouvi falar, mas nunca provei. Para aquela música que eu poderia até gostar, mas simplesmente nunca escutei. Para aquela nova prática sexual mirabolante que eu sequer imaginei, mas já me encantei. Até mesmo para o reencontro com aquele antigo amante, tão igual e tão diferente. Aquele velho novo sabor.
É a sensação da renovação que me fascina. Já perdi as contas de quantos blogs comecei só pelo prazer de experimentar o novo, novamente. De quantas vezes apaixonei, de quantas bocas já beijei, de quantas vezes sofri por amor e me prometi: “Nunca mais!â€, e ainda assim… Estou sempre vivendo tudo, cada paixão, cada boca, cada beijo, cada dor, como se fosse a primeira vez. E o que é lindo em teoria, à s vezes é também um grande fardo. A eterna insatisfação, a busca desenfreada, a necessidade do novo, como se o velho não valesse a pena ser reconquistado a cada dia. Dá uma sensação de incompetência, por não conseguir viver o que todo mundo vive. Descomplicar o que não tem mesmo porque ser complicado.
- – Já se apaixonou B.?
– Claro que sim! Sou apaixonada pela paixão!
– Hmmm…
– Hmmm???
– Não é meio estranho o que você disse?
– O que? Ser apaixonada pela paixão?
– Sim! Pessoas se apaixonam por coisas, pensamentos, projetos, outras pessoas…
– É???
– Não é???
– Ah, sei lá… A paixão me renova, me faz sentir viva, vendo o mundo como criança, meio boba e inconseqüente, intensa…
– Ok, mas… E depois?
– Como assim depois? Depois é depois… Que venha outra paixão!
* Bate-papo entre eu e minha psicoterapeuta
O novo é um presente, quando não é uma compulsão. Experimentar é válido, mas ser viciada na experimentação é um problema. Ver o mundo com olhos de criança é ótimo, se percebe, se encanta, entrega e envolve, mas… Tão importante quanto aventurar-se é manter. Taà algo que ainda não aprendi. Não é à toa que eu nunca casei.