
Não sei bem quando passei a gostar de sexo selvagem, uso este termo porque é o que pode haver de mais próximo ao estilo que eu gosto. Gosto de sexo vigoroso, de sentir mãos, bocas, todo o corpo do outro se esfregando, presente. Privar movimentos, sentidos. Romantismo? Só de vez em quando. Gosto é de ousar, transpor limites, quebrar barreiras. Algumas vezes vou conduzindo, noutras sendo conduzida, nunca as duas ao mesmo tempo. Necessito em uns momentos ser caça e em outros ser caçadora.
Certa vez saà com um homem, era nosso terceiro encontro e primeira vez na cama, em três minutos de cama ele sacou meu estilo e soube conduzir. A velha história da puta na cama aplica-se felizmente à grande maioria das mulheres de hoje. Ele reconheceu a puta e soube fazer uso dela. E saber conduzir, é muito mais que tapas ou xingamentos, é saber impor-se. É indicar o caminho com o olhar, é segurar pelos cabelos, provocar, é perceber o que o outro quer e negar, para quando conceder potencializar. No entanto, acho que é principalmente, ler o tesão do outro e interpretar o que mais tem a ver, o que dará mais prazer e sobretudo reconhecer um verdadeiro limite.
Nesta trepada em especial eu ousei tudo o que queria e experimentei também tudo ao que ele me apresentou. Gozei no face-sitting, sentando em sua cara me esfregando até vê-lo implorando por ar. Dancei pisando em sua face. Me pus de quatro arreganhada oferecendo o prato à escolha do freguês. Fui comida de frente enfiando o pé em sua boca. Tive a boca estuprada por seu pau e tendo o ritmo da chupada imposto por suas mãos em meus cabelos. Em alguns momentos entalando, quase vomitando, mas completamente melada de desejo. Sentei, rebolei, fui duplamente penetrada, fodida por pau e dedos. Tudo uma delÃcia.
Até que em determinado momento ele me deitou na cama, segurou os braços acima da cabeça e sentado em meu corpo me imobilizou as pernas. Com a cara safada me olhou nos olhos e disse: “Está querendo apanhar não é mesmo putinha?†E pela primeira vez o jogo me deu medo e não mais tesão. Enquanto eu interagia, brincava, o jogo funcionava, no momento que me senti subjugada, submetida, mudou tudo. Minha boca secou, o coração acelerou e antes que ele descesse a mão que estava a postos para me estapear, olhei em seus olhos séria como quem quer fuzilar o outro e disse com voz baixa, pausada e firme: “Não ouse!†Só que ele riu pensando que eu brincava e apesar da minha ressalva estalou a mão em minha face. Forte, imponente, dolorido…
Não sei exatamente que espÃrito baixou em mim, mas eu me desvencilhei daquele homem enorme sobre mim, me pus diante dele e taquei eu um tapa em sua face dizendo: “Nunca mais repita isso, ouviu? Nunca mais!†E em resposta, tive um olhar assustado e algumas palavras balbuciadas: “Mas eu pensei…â€. “Não pense, quando eu disser não, é não!â€
Quando penso nesta cena, penso sempre na responsabilidade de quem conduz e, principalmente, na sensibilidade que este deve ter em reconhecer a linha tênue entre o não que implora e o não que finaliza. Acho que é por isso que acontecem determinados estupros com pessoas que jamais imaginamos. Não foi o nosso caso, mas ele não soube reconhecer o meu apelo e abusou da condição de mais forte.
A grande verdade é que este fato aconteceu quando eu ainda me descobria sexualmente. Hoje quando tomo alguém em minhas mãos, ou me dou nas mãos de alguém, exijo de mim um principal sentimento, confiança. É preciso confiar para se dar, é preciso que confiem em você para que tome.
Sexo é instinto, mas também razão. Mesmo uma cadela no cio, escolhe quantos machos e quais irão tomá-la. Se há opção de escolha e limite no reino animal, porque não haver entre nós?!