Seu lado A responde pelo nome de Tracie, uma americana do Texas. Mas seu Lado B no Flickr é conhecido como Diana of Tripoli ou Lust (Desejo, em inglês). Tracie, ou Diana of Tripoli, é uma fotógrafa do mundo com um excelente trabalho fotográfico explorando erotismo e sensualidade tanto na sua obra Decadence: Element (necessário se cadastrar no Flickr para ver), como em várias fotos de seu dia-a-dia.
Solicitamos a Tracie que cedesse uma pequena entrevista ao A Vida Secreta e moça, super simpática, topou e ainda cedeu algumas fotos que podem ser vistas nessa entrevista e no topo de algumas páginas do AVS.
Aproveitem!
(Thanks Tracie, keep peeking!)
Tracie, Diana, Desejo e Decadência
1) Por favor, apresente-se. Fale-nos sobre sua relação com fotografia. Se você é profissional ou é um hobby que você leva a sério, e como começou.
[gargalhando] Definitivamente eu não sou profissional! É algo que escolhi. Uma destas formas de artes que tem o elemento de gratificação instantânea (especialmente se é digital). Eu posso pintar e desenhar – mas não tenho paciência para nenhum, o que é o motivo de eu ter poucas peças. Mas fotografia – fotografia pode capturar a vida na sua forma mais verdadeira e crua. Há algo de muito Ãntimo e caloroso sobre a vida que me inspira sempre lembrar.
2) Em seu álbum no Flickr, algumas vezes você se mostra na sua vida diária com amigo, famÃlia ou mesmo no seu quarto com uma jeito doce ou sexy. Mas lá também há Decadence Element, que é como você sua forma de em enxergar o mundo, a sociedade, e o que você sente sobre sexo e erotismo. Você se vê mais como voyeur ou como exibicionista? Como o erotismo influencia sua arte?
Honestamente, eu gostaria que o erotismo influenciasse mais minha vida [acende um cigarro]. Eu acho que minhas fotos em Decadence Element foi uma forma de atuar. Eu me sentia faminta por isso em um sentido. Eu também quis mostrá-la para o público, pois não é algo que nós [americanos] encaramos todo dia. E falo sério, sodomia é contra a lei no Texas. Não que eu corresse por aà tomando no rabo. Estou simplesmente dizendo. Eu queria a reação do público – levá-la para as ruas, porquê eu estou confortáel com meu corpo e acho que todo mundo deveria o mesmo.
Muito da minha inspiração para este ensaio em particular veio das aulas que tive no último ano do segundo grau chamadas “Arte Moderna e a Idéia de Decadência”. As aulas eram sobre carga sexual. Eu digo, maturbação, homossexualidade, até mesmo nudez infantil. Ultrapassou todos os limites. A idéia de decadência é a perspectiva conservadora de que isto é a decadência da sociedade, esta arte é a decadência da sociedade, quando na verdade eu acho que é o interior da sociedade gritando. Talvez os grilhões da religião e das instituições financeiras colocam essa pressão na sociedade, que nos força agir de formas que o Status Quo prefere, mas nós não. Eu acredito que este é um ponto onde podemos avançar bastante. é um equilÃbrio delicado.
Mas, novamente, você poderia comparar Roma Antiga com os padrões de beleza, até mesmo sexo, de hoje. Eles eram civilizados, tinham boas infra-estrutura e leis e eram abertos com a sexualidade em todas as áreas da vida pública. Você poderia entrar na casa de alguém e ver um homem pintado na parede do vestÃbulo segurando uma balança com moedas de um lado e seu pau deitado no outro. Pessoas usavam com orgulho anéis demonstrando posições sexuais. Se você quiser conversar sobre a mudança na percepção da beleza, a deusa da fertilidade deles era flácida e pesadinha pelos padrões de hoje. Eu acho que beleza é isto. Ela irradia vida. Em uma das minhas obra, ela está sendo morta, porquê a sociedade a assassinou e fez mulheres como ela sentirem-se culpadas. Nada disso deveria importar, o corpo humano é bonito e deveria ser celebrado em todas as formas.
Eu também acho, que em minha formação, o tópico sexo sempre esteve perto de polÃtica e religião e isto se tornou uma forma, uma saÃda, para me explorar e me anunciar ao mundo.
3) Mais e mais, sexo e elementos eróticos são usados no marketing e publicidade: catálogos, calendários, anúncios em TV e revistas, etc. Você crê que estão apenas tentando vender mais e mais, ou a sociedade está mudando como encara o erotismo?
Sexo vende. Tem um comercial para pneus e para máquinas de lavar e eles de alguma forma encontraram um jeito de colocar uma mulher escassamente vestida nos 30 segundos no ar. Eles sabem que estão fazendo algo irrelevante o quanto pode ser. Até mesmo a indústria pornô tem influência. Por ser a mÃdia com maior faturamento em termos de vendas, eles determinam se teremos Blue-Ray, HD-DVD ou VHS. Faz sentido: fala à s nossas necessidades mais básicas e primitivas. Ser querido, desejado e procriar. E sim, definitivamente, a forma como o sexo é retratado na mÃdia reflete um movimento na sociedade como Status Quo; Eu não diria que por inteira.
4) Qual é a linha que define Arte Erótica e Pornografia Lixão? Quais os elementos que define este linha estreita e o quanto você gosta disto?
Pessoalmente, não sou não sou fã de Pornografia Lixão. É como a diferença entre uma prostituta e sua esposa/namorada. É barato. Certamente você terá suas alegrias em qualquer uma das formas, mas uma é menos satisfatória e desviante que outra. Pornografia Lixo, como uma prostituta, vai deixá-lo sentindo-se vazio.
5) Vidas Pública e Secreta. Muitas pessoas têm um tipo de lado A que mostram ao mundo e um B que eles não mostram à sociedade, à famÃlia e algumas vezes até mesmo escondem de si mesmas! (ou mostram na internet) Na maior parte do tempo os lados B são relacionados a assuntos eróticos e sexuais. O que você pensa sobre pessoas escondendo seus lados B, vivendo uma “meia-vida” e como você lida com estes lados?
Uau. Eu sou uma pessoa discreta. Sim, eu tenho minha pessoa exposta eroticamente e semi-nua na internet, mas as pessoas no meu dia-a-dia, como colegas de trabalho ou pessoas que vejo na cidade, até mesmo minha famÃlia, não têm acesso ao meu site. O resto do mundo tem. Eu sei que as pessoas não irão apreciar e também sei que no mundo profissional e vivendo numa sociedade cristã é mal-visto e que seja. Mas eu não quero me sujeitar a um certo tipo de discriminação – se quiser chamar assim. Eu sou mais do que aquelas imagens. Aquelas imagens são minha arte e minha forma de expressão. Eu prefiro dividir com aqueles que a apreciam – como você.
Eu também digo que viver duas é de certa forma subversivo e um pouco emocionante. Eu gosto de ter uma vida secreta e de deixar aqueles mais próximos de mim experimentá-la. Eu considero uma forma de intimidade.
6) Que outros artistas que usam elementos eróticos você gosta e influenciaram seus trabalhos?
Robert Mapplethorpe foi minha principal influência para a obra Decadence. Além disso eu tenho aquele interior que quer explorar e ser exposta – quase como que a curiosidade de Pandora. Eu tenho meus limites como objeto, mas tenho limites ou preconceitos como fotógrafa. Eu tenho muitos amigos que compartilham o mesmo sentimento. Eu acho que nos liberta.
Outras Entrevistas
Para quem domina o idioma, esta entrevista está disponÃvel em inglês em Interview: Diana of Tripoli – Author to Decadence: Element. Em breve, outras entrevistas com fotógrafos de temas e elementos eróticos serão publicadas. Aguardem!