Heteroflexíveis

Li a notícia abaixo no G1, e como não posso ficar forçando na digitação ainda, achei interessante colocá-la completa para o debate.

Um comentário apenas. Acho que todo jovem, de qualquer época, é curioso e ousado dentro do seu padrão. Concordo com a sexóloga que diz que a única diferença entre os jovens de ontem e os de hoje, é que hoje em dia a gente fica sabendo. Sempre teve (e terá) quem gostasse de chocar e quem se chocasse. Normal.

Ah, e achei o rótulo horrível, duvido que algum jovem use este termo, mas enfim… Segue o texto abaixo e tirem suas conclusões.

    Jovens encaram com naturalidade beijar pessoas do mesmo sexo. Avessos a rótulos, heteroflexíveis gostam mesmo é de experimentar.    

    Uma nova tribo jovem já pode ser identificada nas baladas e nos bares de São Paulo: são os heteroflexíveis, meninos e meninas que beijam pessoas do mesmo sexo para experimentar, fazer uma brincadeira ou mostrar certo ar de modernidade.

    Segundo a psicoterapeuta e sexóloga Mara Pusch, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), esse grupo é geralmente formado por adolescentes e jovens, na faixa dos 20 e poucos anos. Eles não se vestem de forma igual – como os emos – nem andam em grupo. Os heteroflexíveis gostam mesmo é de beijar e de tocar gente do mesmo sexo para testar sensações e ver como é.

    “Tem a ver com a curiosidade típica dessa faixa etária”, diz Mara. Segundo a sexóloga, não é que agora todo mundo tenha começado a beijar todo mundo do mesmo sexo. Esses beijos só estão mais explícitos. “Hoje em dia, há mais liberdade. A sociedade aceita muito mais esse comportamento”, analisa a psicoterapeuta.

    Apesar da experiência homossexual, do contato físico com uma pessoa do mesmo sexo, o heteroflexível não acredita ser gay, esclarece Mara, pois ele está apenas experimentando, e não vivendo intensamente uma relação homossexual. Só depois de provar e descobrir que gosta de pessoas do mesmo sexo, diz a sexóloga, é que é possível se sentir gay ou bissexual.

    Não aos rótulos

    Os integrantes desse grupo também são apelidados de bicuriosos – o nome já diz tudo – e de “total flex”, fazendo referência aos carros que rodam com álcool ou com gasolina. Mas, na verdade, eles preferem dispensar definições sobre a sua sexualidade.

    “Os rótulos de hétero, homo ou bi são muito restritos. Eu, por exemplo, gosto de gente”, dispara a estudante universitária Mafalda Maya, de 22 anos, uma heteroflexível que sempre namorou meninos, mas que beija meninas na boca. “É muito comum na faculdade”, diz.

    Quem quiser encontrar um heteroflexível é só freqüentar as boates mais descoladas da cidade. “Também é comum a gente fazer na balada. Quem é moderno, se diverte, mas os meninos caretas ainda ficam chocados ao ver duas meninas se beijando”, conta Mafalda.

    A brincadeira com o fetiche masculino de ter relação sexual com duas mulheres ao mesmo tempo é um dos motivos que levam as meninas a se beijarem, mas também gera reclamação.

    “Homem é complicado, fica fazendo piada e diz que, a gente querendo, ele vai junto. Se é amigo, tudo bem fazer brincadeira. Se não é, incomoda. Ninguém quer ter seu espaço invadido”.

    Trilha sonora

    A curiosidade dos heteroflexíveis tem até música oficial: é o hit “I kissed a girl”, da cantora norte-americana Katy Perry. A música da artista, que pode ser traduzida como “Eu beijei uma garota”, fala sobre a experiência de uma mulher beijar outra para ver como é.

    Na música, Katy diz que não planejava o beijo homossexual, mas que gostou da experiência. A cantora diz ainda que não pretende se apaixonar e espera que o namorado – sim, ela é heterossexual – não se importe com a travessura.