Tesão a Esmo

Estes dias conversava com um amigo sobre o problema que há em nominar musas(os) em posts. Em homenagear, em dizer: “Este texto é para fulano(a)…” e isso por um motivo simples. Quem lê os posts sempre quer ter a impressão que ao ler, acabou de receber um cheque ao portador. Uma amiga disse que quando escreve, por escrever sobre gente, sobre sentimentos comuns a todos, mesmo que a mensagem seja para uma determinada pessoa, acaba caindo em domínio público, tamanha a identificação. Ser humano é ser comum, por mais que isso doa lembrar. Escrevo então a todos e a ninguém.

Escrevo para ele(a) ou não? Escrevo porque necessito dizer que o frio só castiga por fora, mas o desejo queima por dentro. Porque durante o banho o sabonete deixou de ser um artigo de higiene, para ser uma carícia. E quando minhas mãos percorrem meu próprio corpo, deslizando suavemente, me excitando, estou tudo, menos só. Meus dedos procuram a parte que me incendeia, porque anseia a boca, louca, sedenta. Fecho os olhos e imagino, sinto o toque suave dos lábios. Os meus em busca de outros, aconchego.

Porque não é a distância física que afasta, não é a atual condição que encerra. Pelo contrário, inicia e reinicia. O meu mamilo anseia pela boca e umedeço desejando ser provocada, excitada, degustada, saciada. Dar de beber a quem tem sede, provar do licor que me ofereces. Trocar, dar, pedir, receber, ser… Igual e diferente. Complicado e perfeito. O corpo estremece, a boca seca, emudece, fico cega, as pernas fraquejam, ensurdeço, aqueço, quase morro e só não morro porque renasço, sem nenhuma explicação, a cada gozo por você.

Tesão a esmo? Talvez…, mas só talvez.