Quase…

Existe uma característica em mim, que nunca sei se é um bem ou um mal, a empatia. Isso me faz uma pessoa extremamente tolerante mesmo quando a situação vivida me é extremamente desagradável. A noite de ontem teria sido memorável, se F. não tivesse problemas.

Amanheci animada, agitada. Cuidei dos cabelos, pele, unhas e apetrechos para o encontro. Coloquei os chicotes para pegar um ar à sombra, verifiquei as cordas e correntes, lavei cuidadosamente os dildos, Ky, camisinhas, escolhi peças de roupa que combinassem com ele, maquiagem, tudo… Estava feliz feito criança até ele me ligar.

Nunca vou a nenhum encontro sem confirmar, quanto mais uma sessão, que requer um preparo especial. Quando ele ligou, senti um friozinho na barriga. Poderia ser só a confirmação, mas meu sexto sentido não estava errado. Ele estava desmarcando.

– Oiiiiiii, não sabe o que eu estava fazendo agora?! Uma sainha pra você!

– Pôxa B., que lindo…

– Estou animada, prepare-se!

– Não duvido B., mas acho que você vai ficar com raiva de mim.

– Por quê?! Você não vai?!

– É… Por isso estou te ligando, estou com problemas aqui – E disse do que se tratava enquanto eu muda só ouvia.

– Fiquei triste…

– Eu sei… Me perdoa?!

– Não!

– Não?

– Sim. Não perdôo, mas prepare-se, esta falta não ficará impune.

– Como assim?!

– Tenho um caderninho com todas as suas faltas, desde que nos conhecemos. Acho que uma noite para nós dois será pouco. – sorri divertida – Terá que ser uma semana inteira, tamanha a sede que estou – e ele sorriu do outro lado da linha me pedindo desculpas mais uma vez.

É… Foi quase, mas eu nunca reclamo do que não acontece, sempre acho que é porque não era pra ser. Pelo menos estou aqui, num sábado ensolarado, linda, de unhas feitas e toda serelepe. Pena que fiquei meio resfriada, mas isso é só um detalhe.


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