Fisioterapia, Sexualidade e Lesão Medular

Trabalhar com lesão medular sempre foi uma das minhas grandes paixões como fisioterapeuta, não só pelo perfil dos pacientes, mas principalmente por toda a grandiosidade que envolve sua reabilitação. Não basta apenas entender de biomecânica ou locomoção, mas sim de todo o complexo que chamamos de Corpo Humano.

Imagem: Kica de Castro

E foi nesses anos de estudos que me deparei com uma área pouco explorada pela fisioterapia, mas muitíssimo importante para o paciente: a reabilitação sexual.

Muito se engana quem pensa que o fisioterapeuta se limita apenas a orientar algumas questões, mais ainda enganados estão os que pensam que nada temos com isso.

Pois é, se nosso papel como terapeuta é fazer com que o paciente retome à sua vida na sociedade, tão importante quanto é fazer com que ele retome à sua vida sexual.

Falar sobre esse assunto é bastante difícil para alguns pacientes, mas ciente das possíveis dificuldades que podem ocorrer, é nosso dever enquanto profissional abordar este tema.

Mas o que o fisioterapeuta tem a ver com isso?

  • Orientações quanto ao posicionamento e cuidados com o corpo, de modo geral contribuem bastante para uma vida sexual mais satisfatória.
  • Adaptações e algumas modificações são necessárias na maioria dos casos, estas podem até dificultar um pouco as coisas, mas não impossibilitam de forma alguma o ato sexual.
  • O objetivo da abordagem é diferente com cada paciente e a intensidade das mudanças varia de acordo com o nível e o tipo de lesão.
  • Podemos auxiliar nas questões práticas como transferências, melhora da mobilidade e principalmente na melhora do controle de tronco e pelve, o que para os homens é muito importante para devolver um pouco mais de autonomia no ato sexual.

Uma conversa aberta com o paciente e com o parceiro (a) pode ser o início de uma nova fase da reabilitação.

Mais importante que estar bem orientado é estar aberto para novas experiências, rever conceitos, se livrar de inseguranças, medos e preconceitos.

Acredito que o sexo precisa deixar de ser visto como um tabu ou algo desnecessário e sem importância para a reabilitação.

“Quando sua realidade muda, seus sonhos não precisam mudar”