Cheguei ao hotel pouco antes das 19 horas, horário que havÃamos combinado. Olhei no hall de entrada e nada dele. Apesar de não conhecê-lo pessoalmente já havÃamos trocado fotos, conversas ao telefones, essas intimidades que só a net proporciona. Aproximei então da recepção e pedi para ser anunciada.
– Por favor, a senhorita poderia avisar ao Senhor. F, que B. está aqui a sua espera?!
E a mocinha olhou no computador, perguntou novamente o nome e eu repeti. Ela então, educadamente me disse que não havia ninguém com aquele nome hospedado no hotel. E eu, certa de que ele estava lá já que o próprio tinha confirmado comigo à tarde, senti um frio na barriga, mas continuei.
– Está sim, minha linda, olha novamente. Ele trabalha na “empresa tal†e sempre se hospeda neste hotel.
E enquanto ela gentilmente olhava novamente nos registros, meu celular tocou e era ele.
– B. estou no hotel, você já está chegando?!
– Já estou aqui… – disse reticente, e continuei – mas a mocinha da recepção disse que você não está no hotel.
– Mas como não?! – ele disse rindo – Estou no “quarto tal†e já vou descer para a gente sair pra jantar, espera só um pouquinho.
Neste momento ele desligou. Eu olhei para a recepcionista meio sem graça e perguntei quem estava no tal quarto que ele disse, ela olhou e deu um nome completamente diferente. Ele realmente estava hospedado pela empresa, sempre ficava no hotel, mas o nome não era F. Ao lado dela ainda, perguntei onde era o elevador, ela apontou e eu fiquei com olhos crispados na direção da porta, que quando se abriu veio ele, com o seu sorriso mais lindo. A recepcionista me olhou interrogativamente e eu confirmei com um aceno de cabeça, era ele e ela sorriu. Já tinha sacado tudo, ele me deu nome errado. Quando ele chegou perto, eu estava gelada e antes mesmo de dizer boa noite, falei.
– Por que você mentiu pra mim? – disse quase chorando.
– O que? Mentir? Como? – ele ficou meio atordoado.
– Teu nome não é F., acabei de passar a maior vergonha agora a pouco na recepção.
– B., claro que meu nome não é F., meu nome é E. O outro é o meu nickname, como o seu é B., pensei que você já sabia disso.
– Como saber se você nunca falou?! – já com as lágrimas escorrendo pela face.
– Como nunca falei B.? Você tem o telefone da minha casa, do direto lá da empresa, meu celular… Quem quer mentir para alguém dá todas estas coordenadas?
Ele então me pegou pelo braço, sentou comigo em um sofá e continuou a dizer calmamente que já tinha dito sim, eu que não lembrava, comentou inclusive do nome diferente que tinha e que preferia ser tratado pelo apelido. Tirou identidade, CPF, cartão da empresa. E depois de alguns minutos, era eu que estava atordoada pensando que fiz muito barulho por nada. Sinceramente, até hoje eu não sei se a desligada fui eu ou ele o esquecido.
Desde então, passei a ter um procedimento de praxe sempre que conheço alguém na net. Já na primeira vez que troco e-mail ou converso com alguém, peço que a pessoa me dê seu nome real, pelo menos o primeiro. É como uma prova de boa fé, se mais adiante eu souber que a pessoa mentiu, sem chance! E invariavelmente em primeiros encontros eu peço a identidade e mostro a minha. Sem contar que sempre instruo minha mãe ou alguma amiga próxima que ligue para mim em uma hora determinada, para o telefone da pessoa com quem estou saindo, alegando que não consegue falar com o meu. Tais cuidados nunca são demais.
Quanto ao F. que na verdade é E., somos grandes amigos até hoje e já tem quase três anos deste encontro fatÃdico. Uma noite que entrou para a história da minha vida secreta. Ele é uma companhia deliciosamente agradável, um verdadeiro colÃrio para os meus olhos e divertimento para essa vida corrida. Nos vemos menos do que eu gostaria, mas quando vejo… Os encontros sempre são memoráveis.