Publicidade Neo Feminista ou Oportunista?

Nossa querida Violet Erotica está de volta levantando um debate sobre a publicidade italiana e seu bom/mau intencionado enfoque neo feminista.

Duas publicidades causaram incandescentes debates nas últimas semanas na Itália.

A primeira foi a campanha Woman Evolution lançada pela marca napolitana de roupas femininas Fracomina, com seis textos que invadiram as ruas italianas.

Desde o recrutamento das modelos por meio de seleçőes feitas em espaços públicos nas maiores cidades italianas, a campanha já gerou polêmica. No anúncio procuravam “garota entre 18 e 34 anos possivelmente virgem”. Uma conotação clara de estereótipo e discriminação.

Três das seis mensagens, “Sou Maria, não sou virgem e tenho uma forte espiritualidade”, “Sou Eva, gosto das maçãs e não cedo sempre às tentaçőes” e “Sou Madeleine, sou uma escort e não sou uma mulher fácil” despertou a suscetibilidade dos católicos integralistas italianos. Algo bastante previsível…

“Sou Monica, sou uma política e não curto sexo com ninguém” tem óbvia referência à Monica Lewinsky, enquanto “Sou Emma, tenho três filhos e no trabalho mando eu” fica relacionado à Emma Marcegaglia, a presidenta do patronato dos empresários italianos. “Sou Chiara, gosto das mulheres e não gosto dos motores” è a única mensagem realmente original e “evolucionária”, dado que para enfrentar um estereótipo masculino menciona incidentemente a homossexualidade feminina.

Apesar das nobres intençőes com as quais a Fracomina levou a campanha publicitária, “a esse machismo, latente e manifesto, queremos contrapor o valor atraente e revolucionário da beleza”, “uma nova forma de feminismo que recusa o mesmo feminismo”, “desejamos uma sociedad na qual a mulher que tem a coragem de ser verdadeiramente si mesma não ser chamada feminista, mais simplesmente mulher”, e começando pela pressuposição que um homem publicitário dizendo qual deveria ser a evolução da mulher fica muito importuno, o resultado final foi decepcionante, e não conseguiu outra coisa mais que perpetuar uns estereótipos ríspidos e antiquados.

Eva, a mulher que não cede sempre às tentaçőes, atrai o olhar convidativo para lá, estendida sobre o prado, esperando alguém (rigorosamente macho) que teste sua resistência as mesmas tentaçőes. Monica para ser uma boa mulher política tem que não curtir sexo con ninguém (falta exatamente o atestado da assexualidade para fazer política ao feminino). Uma mulher com três filhos precisa apontar que é ela quem manda, como se a maternidade fosse uma edoença ou um obstáculo pela função executiva no trabalho.

De toda maneira, se a marca napolitana queria aparecer de forma geral original e provocativa, tinha que lançar mensagens correspondentes baseados nos homens, como “Sou Silvio, fui eleito primeiro ministro e sou fiel a minha esposa”.

Outra publicidade controvertida foi aquela que celebrou o décimo aniversário de atividade da marca de roupa íntima Yamamay, aonde uma fascinante Isabella Ferrari à “venerável” idade de 47 anos abençoa as “mulheres normais”, claramente numa mansão imensa com uma cama e uma penteadeira ricamente embelezadas e enorme piscina no jardim incluida.

Apontar que os adidos do Photoshop removeram o umbigo da pobre atriz, demonstração inequívoca que a “normalidade revolucionária” da mulher prevê também algumas estranhas modificaçőes na pós-produção.

Comentário final: esse erotismo presumidamente refinado, onde a mulher fica delicada e angelical também vestindo roupa íntima, precisando uma hora para virar o olhar e duas horas para andar 50 metros com sapatos com saltos, para mim é outro estereótipo atávico dificilmente arrancável pela raiz.


Publicado

em

por