Cerveja trapista Chimay, foto de Robert S Donovan no Flickr.

Cervejas trapistas e sensualidade. Entre o sagrado e o profano

Este post faz parte da foi inspirado pela twittagem e blogagem coletiva Cerveja de Verdade, do coletivo BBC – Blogs Brasileiros de Cerveja. Não fazemos parte do coletivo, mas resolvemos contribuir falando de cervejas trapistas e sensualidade, porque nós amamos tudo o que é bom e de verdade, inclusive boa cerveja, boa comida e bom sexo.

E mais, faz parte de nosso especial Sensualidade e Gastronomia no Dia dos Namorados, que conta com contos, artigos, receitas, podcast e dicas especiais para você mandar bem no dia 12 de Junho. Confira!

Cerveja trapista Chimahy, foto de Robert S Donovan no Flickr.É, você não leu o título errado… Falamos de cerveja de verdade, sensualidade e misticismo. Tudo ao mesmo tempo agora.

E nem adianta tentar visualizar uma propaganda com o Zeca Pagodinho de mestre espiritual, com um monte de rapazes com caras de bobos teleguiados por bundas passando pra lá e pra cá, pois não estamos falando dessa cerveja. Estamos falando de cerveja de verdade, ou, melhor dizendo, cervejas especiais ou premium. Neste caso, cervejas trapistas e de abadia.

Cerveja especial, sobretudo em situações sensuais ainda é novidade para muitos, ao contrário do vinho, que já tem seu lugar garantido na literatura e arte erótica.

Se por um lado o vinho ligado ao sexo corre o risco de se tornar um cliché, a cerveja é associada a situações e contextos poucos charmosos ou glamurosos. E, para piorar, a maioria dos bebedores de cerveja no Brasil vivem enclausurados numa idéia limitada – vide o estereótipo citado acima – assim como a maioria das pessoas vivem enclausuradas em preconceitos diversos sobre sexo e sexualidade.

Diversidade e Ousadia. Na casa e na mesa.

Tem gente que insiste em comer sempre a mesma comida, bebe a mesma cerveja de comercial com gostosona no comercial e na cama só pratica papai e mamãe.

Cerveja Trapista Chimay, foto por Edni, no FlickrE embora tenhamos muito respeito por um arroz com feijão preparado com tesão e por um papai e mamãe bem feito (ou vice-versa), gostamos muito de ousar e experimentar temperos, receitas, cervejas, posições e lugares.

Felizmente, a situação vem mudando para melhor e as pessoas estão saindo destas “Matrixes”. Assim como o cenário de informação e literatura sobre sexualidade e erotismo no Brasil mudou muito nos últimos anos, houve um aumento considerável na oferta de cervejas de qualidade – em especial artesanais e importadas.

Cada dia mais informação sobre cerveja está disponível e muito mais pessoas, de todas as classes e contextos sociais, estão descobrindo os prazeres da boa cerveja.

Nada a ver com aquela loirinha aguada e sem graça que só desce gelada e no calor, principalmente na falta de algo melhor pra beber. Ao contrário, as cervejas das quais estou falando, são cervejas com personalidade de sobra e celebram o prazer, a diversidade e a ousadia.

Hummmm, prazer, diversidade, liberdade e ousadia? Parece bom. Que tal juntarmos um pouco de safadeza?

Entre o Sagrado e o Profano, Existe o Humano

Enquanto alguns consideram que beber e comer bem é melhor que sexo, outros estão sempre famintos por sexo. Nos dois casos, temos o prazer como força motriz. Prazer que pode nos trazer clareza de pensamento e ânimo para viver, ou nos tornar prisioneiros, viciados na busca pelo prazer. Como tudo na vida, o segredo é encontrar o ponto de equilíbrio.

Sinestesia e Prazer. Cervejas Trapistas e Gastronomia Erótica

Cerveja Trapista La Trappe Dubbel, foto de Aurelinas Sandulescu no Flickr.Mas encontrar o equilíbrio, ou simplesmente resistir às tentações, pode ser difícil. É difícil, por exemplo, resistir à sedução de uma mulher charmosa e sexy , durante um jantar – cheio de olhares, sorrisos e frases sedutoras – acompanhado de cervejas trapistas com algo entre 7% e 12% de álcool e com sabores  e aromas tão variados de malte, caramelho, frutas e até temperos que são experiências sinestésicas maravilhosas. E sabemos o quanto a sinestesia é um afrodisíaco poderoso, principalmente na gastronomia erótica. Assim como deve ter sido difícil para os monges da idade média resistir aos prazeres da carne e manter a disciplina, vivendo em celibato enquanto desenvolviam e aproveitavam cervejas como as cervejas de abadia, da quais as cervejas trapistas são uma sub-divisão. Apenas cervejas produzidas por abadias trapistas podem ter esta denominação, e dos 174 monastérios desta ordem no mundo, apenas 7 produzem cerveja: seis na Bélgica e uma na Holanda.

E, precisamos confessar, não acreditamos muito nesta combinação entre clausura, cerveja e celibato. Celibato e clausura são duas situações um tanto quanto limitantes, e a cerveja, pelo contrário, tende a deixar-nos mais alegres e soltos.

Junte a isso o fato de que mosteiros eram os “albergues” da época e proporcionavam muitas oportunidades para os monges burlarem o celibato com um viajante que provavelmente nunca voltariam à Abadia para contar o que aconteceu e temos um ambiente oportuno para se vencer a clausura, experimentar a liberdade e diversidade.

A cerveja e os monges

Está lá na Wikibier, no artigo sobre História da Cerveja:

Na Idade Média, vários mosteiros fabricavam cerveja, empregando diversas ervas para aromatizá-la, como mírica, rosmarinho, louro, sálvia, gengibre e o lúpulo, utilizado até hoje e introduzido no processo entre os anos 700 e 800. Foi graças aos monges do mosteiro San Gallo, na Suíça, que o lúpulo começou a fazer parte, definitivamente, da composição da cerveja. Os ingredientes básicos da bebida são água, malte, lúpulo e leveduras. A variação desses ingredientes e do processo de fabricação, no entanto, resultaram em diferentes tipos de cerveja. Os mosteiros acabaram desepenhando um papel importantíssimo em expandir o consumo da cerveja, já que na idade média, os mosteiros funcionavam como hospedagem e abrigo para peregrinos, fornecendo não apenas um lugar para descansar o corpo, mas alimentos, bebidas e conforto espiritual.

Alguém duvida que os monges pervertidos que mantiveram a doce Justine – de Os Infortúnios da Virtude, obra do Marquês de Sade – como escrava sexual e objeto da mais louca devassidão, tivessem um estoque de cervejas.

Então, se mesmo os Monges Trapistas deram um jeito de escapar dos limites impostos a eles e dar vazão aos prazeres da carne e do malte – enfim, o desejo de viver, de verdade, as coisas da boa vida – não está na hora de você fazer o mesmo?

Admin Secreto e B.

Serviço – Cervejas de Verdade

Segue abaixo uma lista – incompleta – de onde beber, comprar ou saber mais sobre cerveja de verdade no Brasil.

Informação sobre cervejas trapistas e outras cervejas especiais, importadas, artesanais e premium

Lojas de cervejas especiais online

Todas estas lojas possuem ao menos uma das 7 únicas marcas existentes de cervejas trapistas: Chimay, Orval, Rochefort, Van Westmalle, Westvleteren, Achel, La Trappe (Koningshoeven).

Bares e Restaurantes para beber cervejas especiais

Nem todos os bares e restaurantes desta lista vendem cervejas trapistas, porém, todos elem tem tradição em diversas outras cervejas especiais e premium que valem a pena.

Brasília, DF
Campinas
Curitiba, PR
Florianópolis, SC
  • Donovan
Porto Alegre, RS
Rio de Janeiro, RJ
São Paulo, SP