noiva cadaver

Reflexões Sobre Amor e Monogamia

Amor não é um conceito fácil de definir nem de destrinchar, recebe diferentes interpretações ao longo da história da humanidade e entre as diferentes culturas, assumindo os mais variados formatos.

Amor e Monogamia na História da Humanidade

“Até que a morte…” – Imagem do Filme Noiva Cadáver

Já foi dedicado exclusivamente aos deuses e aos homens; em certos contextos é considerado “coisa de mulher”. Até pouco tempo atrás a maioria dos casamentos era arranjada pela família e em certos lugares ainda é assim, um comportamento que tem certa relação com as uniões entre nossos ancestrais pré-históricos, guiados pela necessidade de manter a propagação dos genes da espécie ao unir dois seres num compromisso.

Entre a Idade Antiga e a Idade Média o patriarcado se uniu ao capital para garantir não só a perpetuação de genes e raças como também a transferência dos bens entre membros da mesma família, acumulando riquezas ao evitar sua dispersão. Com essa perspectiva são estabelecidas formas ideais de relações sociais e forjadas regras para mantê-las.

Antes do exame de DNA, a única maneira de garantir a paternidade de uma criança era proibir a mãe de ter relações extraconjugais. Algumas mulheres conseguem uma contrapartida do parceiro e está definida a monogamia.

Novos Amores, Novas Famílias

Novas Famílias – Imagem do filme Os seus, os meus e o nossos

Separar-se e unir-se em outras relações passou a ser mais amplamente aceito bem recentemente e as relações homossexuais ainda têm muito espaço a conquistar.

É curioso notar que o amor, esse sentimento que nos parece o mais puro e verdadeiro impulso da alma, é também pautado pelas condições culturais em que vivemos.

A revolução sexual marcou época no século passado com a desinibição de alguns grupos que praticavam abertamente aquilo que já se fazia de forma discreta, o sexo descompromissado fora das relações conjugais. Trazer a discussão das questões sexuais para o cotidiano foi um de seus grandes feitos e, como as revoluções em geral, ela segue tendo reflexos sobre o comportamento da sociedade envolvida muitos anos depois.

Monogâmicos por Opção

A escolha do parceiro perfeito

Aos poucos o amor vai se desvencilhando das questões primordiais do patriarcado e do capital e criando novas formas de estabelecer-se, já que a independência financeira individual, conquistada pela mulher a partir da Primeira Guerra Mundial, permite novas concepções de família e é típico do amor esse desejo por estabelecer laços, quaisquer que sejam desde que o prolonguem através do tempo.

Temos atualmente uma sociedade de indivíduos auto-suficientes para sua sobrevivência, cuja cultura já passou pelas revoluções sexual e feminista mas que continua extremamente apegada à monogamia.

A multiplicidade de parceiros sexuais (poligamia sequencial) é mais amplamente aceita que as relações conjugais simultâneas, nas quais os membros privam das mesmas condições de parceria, compromisso e afeto existentes nas relações monogâmicas.

Amores Distintos

Amor: prêmio ou prisão?!

O amor é apresentado como torta fatiada, cada pedaço destinado a um grupo determinado, filhos, parentes, amigos. Uma fatia está destinada a um único sortudo: o amor erótico.

Assim, é esperado que quem vive um amor romântico veja-se permanentemente imunizado contra a atração por outros consortes. Nenhum desejo há de surgir por outros que não o detentor da fatia premiada; qualquer ameaça, se houver, deverá ser reprimida.

O amor pode ser vivido de muitas maneiras, inclusive as não-monogâmicas. Decidir o que vale ou não a pena deve ser uma questão social ou tema de foro íntimo?

Aguardo comentários.

Beijos,

Julia Reyes

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Julia Reyes é uma mulher chegando aos quarenta, tem um filho, um emprego, uma casa, alguns amigos e muitas dúvidas.

 


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