Charles Bukowski

Dezessete Anos Sem Bukowski

Como o leitor Zezinho bem lembrou (e carinhosamente nos enviou este texto), há dezessete anos morria Charles Bukowski, o Velho Safado, ou simplesmente Buk, como costumavam chamá-lo. Que tal aproveitar a data e conhecer um pouco mais da vida e obra desse safado senhor?

Uma Infância Infeliz

Livro Misto-Quente (Ham on Rye), de Charles Bukowski. “Um romance de formação com toques autobiográficos”, no Submarino

Nasceu a 16 de agosto de 1920 em Andernach, Alemanha, filho de um soldado americano e de uma jovem alemã. Aos três anos de idade, foi levado aos Estados Unidos pelos pais e criou-se em meio à pobreza de Los Angeles, cidade onde viveu e morreu.

Sua infância foi bastante atormentada, pois o pai era extremamente rude e frustrado. Desejava ser um homem rico e jamais chegou perto disso. O fracasso era sempre descontado em Bukowski através de espancamentos por motivos banais. Em casa era totalmente abusado e na escola não era diferente. Sempre o penúltimo a ser escolhido para os jogos, como ele mesmo gostava de ressaltar. Passou por maus momentos, bullying, em pátios de escola.

Quando atingiu a adolescência, o seu rosto e boa parte do corpo foram tomados por inflamações que o obrigaram a submeter-se a vários tratamentos médicos em hospitais públicos.

Livros e Álcool, os Bons Companheiros

Os espancamentos rotineiros do pai, a deformidade do rosto e exclusão foram fatores determinantes para que Bukowski fugisse. Abandonou a escola e neste meio tempo descobriu duas coisas que o ajudaram a suportar o mundo: o álcool e os livros. Estes, nunca mais saíram da sua vida. Teve problemas com alcoolismo durante toda vida, sendo internado durante várias vezes com hemorragias e outras disfunções.

Bukowski escrevia e bebia alucinadamente, costumando enviar seus escritos às revistas e jornais independentes da época e, quase sempre, eram recusados.  Sempre foi um trabalhador braçal e depois da fuga de casa, nunca teve um local fixo parar morar, penhorando até mesmo sua máquina de escrever nos momentos de grande necessidade.

Dono de um talento enorme e uma vida bastante sofrida, Bukowski transformava seus momentos de dor em poesia, prosa e novelas. Durante muito tempo sentou-se diante sua máquina de escrever e preencheu folhas e mais folhas contando seus dias de miséria, vivendo em becos dos EUA.

A Fama Perto do Fim

Pulp, último livro de Charles Bukowski, no Submarino

Em 1980, começou a desfrutar da fama de escritor. Sua literatura de caráter autobiográfico e sem censura alguma se permeava em temas e personagens marginais, como prostitutas, sexo, alcoolismo e ressacas.

Escreveu mais de 50 livros, sem contar as publicações que se perderam ao passar dos anos, recusadas pelos jornais e revistas.

Pela falta de delicadeza, durante os anos perdeu vários laços de amizade, pois não se importava de citar nomes, fazendo duras críticas às pessoas do seu circulo social.

No entanto, se tornou  um ídolo underground, sua dura crítica a sociedade foi muitas vezes desprezada pelos intelectuais da época, enquanto outros vinham a sua porta com uma garrafa de vinho. Todos na esperança de beber com o Velho Safado, como ficou conhecido.

Um Crítico “Leitor” da Vida

Bukowski era uma pessoa singular, passou por maus momentos e nunca deixou de encontrar humor no mais difícil.

Não suportava ficar parado, sem fazer nada. O tédio para ele era pior do que acordar caído num beco, depois de uma boa bebedeira. Sendo assim, começou ir ao hipódromo para examinar a Vida, fazer uma “leitura” das pessoas e mais tarde, sentava-se frente ao seu amigo Macintosh com seu antigo rádio tocando música clássica e começava a transformar tudo o que tinha presenciado em Arte.

Bukowski Self Portrait / Imagem de Marshall Astor, no Flickr“É tão fácil ser poeta, e tão difícil ser homem.”

“De alguma forma, nunca consegui me ajustar na sociedade. Não gosto da humanidade. Não tenho o menor desejo de me ajustar, nenhum senso de lealdade,nenhum objetivo de fato.”

“O mundo inteiro é um saco de merda se rasgando. Não posso salvá-lo.”

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Charles_Bukowski

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* O texto acima foi enviado por José (ou simplesmente Zezinho). Ele  é baiano, não é universitário, nem jornalista, não se formou em publicidade ou comunicação. Não suporta o tédio e gosta de conversas animadas. Fã de Bukowski e também contista erótico, está sempre distribuindo suas histórias entre os amigos mais conservadores para ensinar-lhes como viver a vida entre quatro paredes.


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