Antropofagia Sexual

Esquece a Gastronomia Erótica hoje. Não vou falar de comidas afrodisíacas para comer alguém. Vou falar de gente comendo gente, mas não sobre canibalismo (sei que tem doido pra tudo, até canibal alemão). Tampouco sobre antropofagia cultural. O assunto de hoje é Antropofagia  Sexual, seja lá o que isso for.

ANTROPOFAGIA SEXUAL

Nelson Motta

ela é aquela
que todo mundo comeu
ou fala, pensa, sonha
que comeu.
ela a cadela
malfalada e esplêndida
fadada a foder por gosto
a marcar memórias alegres com seu corpo
mas ela,a bela, nesta hora,
agora, só trepa comigo
só ao meu atrela seu corpo nu
e faz comigo o quejá fez
mil vezes
numa
nova
nossa
vez

Fonte: Cláudio Fagundes

Está na Wikipedia: “Antropofagia é o ato de consumir uma parte, várias partes ou a totalidade de um ser humano. O sentido etimológico original da palavra “antropófago” (do grego anthropos, “homem” e phagein, “comer”) foi sendo substituído pelo uso comum, que designa o caso particular de canibalismo na espécie humana“.

Podemos então chamar de Antropofagia Sexual o ato de babar de desejo, salivar de vontade, provar, lamber, comer, beber, saciar-se do outro, no sentido mais safado da palavra?

Cazuza cantou: “Canibais de nós mesmos, antes que a terra nos coma. (…) Porque que a gente é assim?” Que desejo louco é este que nos faz desejar alguém a ponto de salivar, só em lembrar seu gosto?

Acho que amanheci especialmente sinestésica, e a simples lembrança de certos fatos hoje estão me enchendo a boca d’água. Os aromas e sabores que nos fazem melar de desejo e salivar de vontade. A sede de provar e beber o gozo amado. O sabor do prazer do outro que já te satisfaz. A lambida no corpo salgado que provoca arrepios. A mordida certa, no lugar certo que nos faz gozar. Que tesão é esse? Que vontade é essa?

Termino com um texto do meu amigo PD, que está pertinho da marca do seu milésimo post. Este texto é uma viagem atropofágica pelos sentidos, aromas e sabores dessa mútua comelança.

Eu e Ela

Festa de cheiros e sabores, beijo na boca, salivas minha e dela. Nossas peles, limpas no início, agora porejam, destilam suor.

Dou uma longa lambida em seu pescoço. Provo e gosto. Ela aceita o jogo e também me lambe, pescoço, peito, mamilos, barriga. Fecho os olhos e deixo rolar. Sei o que ela vai fazer, conheço aquela sensação, mas não consigo deixar de sentir uma certa ansiedade.

Ela não tem pressa. Envolve a cabeça do meu pau com os lábios e vai me engolindo aos poucos, avançando sempre. Dá pequenas paradas, mas não recua. Simplesmente, vai engolindo, engolindo, até não sobrar nada do lado de fora. Só então, começa a movimentar os lábios, a língua e as bochechas de uma maneira impossível de ser descrita.

Lânguida, felina, sem deixar um segundo sequer de chupar, ela se vira e me oferece a buceta. Na penumbra, sua umidade brilha e o cheiro suave me atrai como um ímã. Eu poderia, como das outras vezes, adiar ao máximo, provocá-la lambendo em volta, mas algo me impele a tomá-la inteira, de uma só vez. ɉ quase doce o mel denso que escorre dela e enche minha boca. Chupo guloso e por alguns minutos eu sou apenas língua, para logo em seguida ser também dedos, a barba molhada daquilo que já não é apenas dela, é mel e saliva, é meu e dela, que se comprime contra minha boca, apertando as coxas e fazendo uma revolução no meu pau com seu chupar macio e constante.

Eu gozo, ela goza, conjugamos gemidos. Festa de cheiros e sabores, beijo na boca, suor, saliva, porra e mel.

Fonte: Pequenos Delitos