
Ela tinha mais de sessenta, casada, filhos, submissa e masoquista. Entendia a própria essência, aceitava e era quase feliz. Quase, porque para ser completa, ela não poderia ser ele. C. era uma alma feminina aprisionada em um corpo masculino. Sentia falta de uma coisa, ser Dominada, Disciplinada, sua essência era masoquista, não havia como negar.
Ainda na infância descobriu que outros meninos podiam ser cruéis. E apesar do ódio que sentia deles, submetia-se, acatava, cedia, sofria. Era sodomizada, literalmente enrabada sem dó. Objeto de uso de projetos de homens, os mesmos homens que passou a odiar. Como ser um deles? Queria ser mulher… Mulheres eram tão lindas, voz tão doce, corpo frágil, meigas. E ao mesmo tempo tão fortes, Donas do lar. Ser mulher era tudo, ser homem era nada.
Não lembro exatamente como ela chegou a mim, mas era a mais dócil, obediente e delicada de todas as sissies que já conheci. Rosto bonito, bom corpo, naturista, amava pegar sol nua, ser fotografada bem exposta e… Ser mulher.
Dela eu ouvi algo que me tocou profundamente e jamais esquecerei: “Eu amo as mulheres, tanto, com tanta força que desejo sê-las. Até hoje, todas as mulheres que eu possuÃ, o fiz na descarada fantasia da transferência. Quando eu penetrava, não era o meu membro nela, simplesmente eu era ela, a mulher sob mim.â€
E ia além… Depois de um tempo, filhos criados, com a menopausa da esposa o sexo foi rareando e ela ficou até feliz. A falta de uso foi, de certa forma, atrofiando seu pau que nunca foi grande, mas estava cada dia menor e mais imperceptÃvel por baixo da calcinha apertada que passou a usar com freqüência. Aos poucos foi modificando o corpo que se escondia sob as vestes. Aparava os pelos com máquina, dourava-os ao sol, cuidava das unhas, da pele e eventualmente se maquiava e vestia sozinha no quarto quando a esposa e os filhos viajavam.
A suspeita de um tumor na próstata mudou sua vida, nos afastamos para que ela pudesse investigar e tratar-se. Não era nada grave, mas a possibilidade de uma morte sem sentido a fez mudar, a fez pensar. Nesse meio tempo ela conheceu um homem, um espécime raro, não um daqueles projetos que só faziam rechaçá-la na infância, que a chamavam de viadinho. Como se viadinhos não fossem por comer o seu cu.
Seu homem era pouco mais jovem, morava só, másculo, a via por lentes cor de rosa, exatamente como era, uma mulher. Passou a tirar todas as tardes e o começo da noite para cuidá-lo, preparar a comida, cuidar das roupas, como uma esposinha daquelas que não se fazem mais. E antes de ir pra casa, só era liberada após, de joelhos diante do pau do seu macho, dar uma deliciosa chupada até deixá-lo duro. E na cama do casal, podia enfim deitar-se, abrir as pernas e receber o gozo. Sem precisar imaginar-se a fêmea. Ela agora é a fêmea, ainda que aprisionada.