Já fazia um tempo eu andava com este tema em mente, o post do Pequenos Delitos só serviu para amadurecer a minha idéia. Não lembro qual foi o primeiro fetichista que chegou à minha cama, mas foram vários, acreditem. Não sei exatamente porque, sempre atraà pessoas de desejos incomuns.
Antes de mais nada, melhor definir o fetichista pra mim. Vejo o fetichista como um meninão que se fixa a uma cena, objeto ou parte do corpo e à partir dali desenvolve uma fantasia sexual, repetindo e elaborando ao longo da vida. Muitos dizem “eu tenho fetiche por…†determinada coisa, mas vivem bem, normalmente e passeiam por diferentes praias (sexualmente falando). Para mim este cara não é fetichista, apenas tem fantasias sexuais, mais saudável impossÃvel. No entanto, só é verdadeiramente fetichista aquele que apesar de desejar a normalidade, só se excita de determinada forma ou fantasia e, quase sempre, tal desejo vem seguido de grande sofrimento. Porque sentem-se incapazes de confessar seus desejos para suas parceiras de muitos anos. Até porque estes indivÃduos dificilmente se aceitam na totalidade.
Um ponto interessante de ser abordado aqui, é que apesar de muitas mulheres também acreditarem ser fetichistas (muitas delas inclusive acreditam ser por sapatos, bolsas, etc), não o são. Porque o fetiche, psicologicamente falando, está diretamente ligado ao prazer sexual e à satisfação do mesmo. Temos todos, determinadas predileções sexuais, objetos de desejo, no entanto, fetiches vão mais além que isso.
Já atraà muitos tipos de fetichistas, e devido não encanar com as esquisitices alheias, até porque tenho muitas, tive a oportunidade de lidar com os tipos mais variados.
Dentre eles o tipo mais comum é o voyeurismo. Meu pai era voyeur. Tinha a minha mãe como um bibelô e amava tê-la em exposição. Era assim na praia, nas festas e principalmente nas saÃdas a sós. Financiava a sua estética de uma maneira pra lá de cuidadosa e ao longo dos anos ouvi-o muitas vezes dizer que um homem deve ser invejado, lastimado, jamais. Tive parceiros assim, ao mesmo tempo em que amavam a maneira que eu me vestia e provocava o desejo, também tinham ciúme, quase sempre a trepada após a briga era especialmente deliciosa, no fundo eles morriam de tesão em ver que outros me desejavam.
Podólatras, eu perdi as contas, mas me lembro especialmente de dois. Um que me fez odiar por anos a podolatria, pois o fetiche pelos meus pés, que a princÃpio eu achei até divertido, transformou-se em um tormento quando ele desenvolveu uma obsessão pelos meus pés e se saciava sem penetração. Isso em uma época em que eu acreditava que sexo era penetração. Anos depois conheci um outro que me mostrou exatamente o contrário, que as preliminares do sexo regadas a deliciosas doses de podolatria, podiam ser finalizadas (ou não) com a penetração. Conhecer este fetichista me fez abrir a mente para um universo de fantasias, onde descobri que penetração era apenas uma das muitas formas de ter prazer.
O Sadismo e o Masoquismo veio depois, experimentei as duas faces da moeda, queria entender. Costumo dizer que sou uma mente Dominadora em um corpo eventualmente masoquista, porque curto alguma dor. No entanto, descobri que tenho maior tesão em submeter do que ser submetida. Há quase três anos mantenho um relacionamento com um masoquista e com ele eu descobri o meu lado sádico e Dominante. Confesso, não foi fácil me olhar no espelho depois de ter um orgasmo fazendo o outro sofrer. Tenho problemas?! Sim, tenho, como tantos, mas se existo como sádica é porque existe um masoquista que goza com a dor que eu imponho. Queijo e goiabada.
Já me envolvi também com um que curte Asfixia Sensual, de todos os fetiches talvez o mais hard, pois nesse caso o fetiche gira em torno do poder de vida e morte. Temos casos famosos de morte com asfixia erótica, como o vocalista do INXS Michael Hutchence. No entanto, não vou ser hipócrita aqui e negar que gozei profundamente, intensamente, estrangulando um homem que tinha o pau completamente encaixado e pulsante dentro de mim. Este mesmo homem já desmaiou em minhas mãos em outra ocasião e o medo que senti na hora, o medo que ele morresse em minhas mãos, só se compara ao prazer que sinto quando eventualmente lembro da cena. Não tem como explicar. Para terem idéia, na intenção de entender o prazer em ser asfixiado, já me submeti a um amigo que tem tesão em estrangulamento (e ele também se submeteu a mim) para saber como era. E o que posso afirmar, é que o meu tesão é inexistente quando a asfixiada sou eu.
Outro fetiche hard ligado à podolatria é o Crush. Conheci alguns apreciadores deste fetiche. Para eles, os pés da mulher são objetos de poder, de vida e morte, de destruição. Já esmaguei frutas, objetos, formigas, caramujinhos, tudo para a apreciação do podólatra em questão. Quase todos nós já fizemos um crush uma vez na vida, matando uma barata, um besouro e sequer paramos para pensar que naquele momento estávamos dando fim a uma vida. No filme Kill Bill 2, Bill comenta com Beatrix, que a filha já entende de vida e morte após ter esmagado sem querer o peixinho do aquário que quebrou. Muitos desaprovam este fetiche, porque ele é associado a requintes de crueldade, alguns fetichistas tem prazer em presenciar a morte de animais delicados como pintinhos, hamsters e chegam a horrores como desejar ver pés esmagando animais maiores como gatos, lebres, pôneis ou mesmo eles próprios. Já recebi uma proposta economicamente tentadora para esmagar com os pés determinada parte do corpo de um fetichista e eu, obviamente, neguei. Porque acredito que junto com o prazer há também a responsabilidade.
O Crush tem uma ramificação mais fantasiosa, o Giantess, onde o fetichista se imagina um pequenino e pode ser a qualquer momento esmagado pelos pés da sua Deusa Malvada. Prefiro estes fetichistas, porque neste caso, posso exercitar toda a minha face intelectualmente má, sem causar nenhum dano real a nada nem a ninguém.
Não considero fetichista um homem que deseja me ver em lingeries sedutoras. Espartilho e cinta liga é o que há de mais normal no mundo real. No entanto, já me envolvi com homens, heterossexuais convictos que jamais se envolveram com homens, que tinham o fetiche em vestir as minhas lingeries ou roupas, são os Cross Dressers. Com estes eu desenvolvi um carinho especial. Sinto-me extremamente à vontade, como se brincasse de boneca. Tenho pelo menos três relacionamentos eventuais com homens desse tipo. Trato-os como minhas namoradinhas lésbicas e não como homens travestidos de mulher. E isso faz toda a diferença. Gosto da caracterização o mais fiel possÃvel, peruca, maquiagem, roupas e o jogo psicológico da questão, chegam a esquecer que tem pau, gozo e faço gozarem sem penetração homem/mulher.
Um outro tipo de fetichista interessante é o Misofilista/Osmolagnista, estes além de apreciar odores corporais, alguns gostam até de mastigar, chupar calcinhas, meias e peças de roupas usadas e sujas. Alguns chegam ao extremo de pedir que eu use uma peça por vários dias, já fiz isso com meias, calcinhas, nunca! No entanto, adoro fazer minhas calcinhas de mordaça, ou vestir o rosto como uma máscara. Gosto de forçar que cheirem minha bunda, axilas ou meu pé e meias com chulé (que só cultivo especialmente para tais eventos). Este tipo de fetichista sofre muito, pois dificilamente sente-se à vontade em confessar este fetiche com suas parceiras. Quase sempre recorrem à prostitutas ou Dominadoras profissionais. Os que por acaso esbarraram comigo, deram sorte.
Um ponto importante a frisar aqui, e isto acaba sendo mais um ponto que dá embasamento ao meu pensamento que mulheres não são fetichistas, é que apesar de passear por todas estas praias o que me dá prazer realmente é estar com o outro, chamegar, me apaixonar ou apenas tesão, tanto faz. Sexo, sentimento, prazer, amor, nada disso se exercita sozinho.
Sempre que eu tenho contato com um fetichista patológico eu pergunto se ele sofre e diante de resposta positiva indico tratamento psicológico, não para que ele deixe de ser fetichista, mas que aprenda a conviver com o fetiche em questão. Ser fetichista não é doença, sofrer com isso é.