Sei que A Vida Secreta é um espaço para falar sacanagem, mas sempre acreditei que há uma função social por trás disso tudo. Mais que liberar fantasias, gosto de acreditar que mais gente se beneficia (e não só em masturbações) com o que escrevo. O texto de hoje (não é um conto erótico) é uma prova de que vale à pena blogar, eventualmente me expor, e sempre que possÃvel ajudar. Agradeço à leitora N. por aceitar partilhar com A Vida Secreta a sua história. Obrigada! Espero que se emocionem com a história, como eu me emocionei.
Relato – Texto enviado por N.
Em Novembro do ano passado escrevi a B. pedindo ajuda. Eu era uma completa estranha para ela (eu era leitora do “Me and my secret lifeâ€, mas nunca comentava) e dela eu só conhecia o que permitia em seus posts. Talvez isso tenha me deixado à vontade para contar sobre o meu caso, coisa que até aquele momento nunca havia feito. Lembro exatamente qual texto motivou-me a escrever, nele a B. comentava sobre a vaginite que desenvolveu quando iniciava sua vida sexual. Lia os sintomas que ela descrevia como se estivesse vendo um filme da minha própria vida. Ok, exageros à parte, eu estava passando por um problema sério e naquelas palavras enxerguei uma luz no fim do túnel. Vou explicar melhor.
Namorei o R. por 4 anos, foi meu primeiro namorado sério. Eu era virgem quando o conheci e, confesso, apesar de amá-lo eu não sentia aquele tesão por ele. Mesmo assim foi com R. que perdi minha virgindade. Não vou dizer que o sexo era ruim, mas também não era espetacular, e como eu não possuÃa “conhecimento de causa†achava que estava tudo muito bem daquele jeito. Mas na verdade não estava, e com o tempo eu fui perdendo a vontade, cedia apenas para satisfazê-lo, por mim eu viveria bem sem sexo. Isso durou em torno de dois anos e a cada vez eu me sentia pior. Até o dia em que adquiri uma infecção vaginal, fiz diversos exames e o tratamento seria longo, o que impossibilitava qualquer relação sexual por uns 40 dias. Para mim foi o céu, para o R. o inferno, mas tenho que admitir, ele foi bem compreensivo. Passado a “quarentena†eu deveria voltar a ter relações, mas fiquei surpresa ao ver que eu simplesmente não conseguia mais, era como se eu estivesse travada, como se algo impossibilitasse a penetração e, se eu forçasse, a dor era insuportável. Retornei a ginecologista e ela disse que estava tudo bem comigo, e na suas palavras era só “relaxar e gozarâ€. Tudo muito fácil na teoria, mas na prática não deu certo. E assim começou uma das piores fases da minha vida.
Procurei vários médicos, fiz um zilhão de exames e todos eram categóricos em dizer que eu não tinha problema algum, que era tudo psicológico, mas, chongas, porque eu não conseguia transar!? Nem preciso dizer que minha auto estima foi parar no pé, meu namoro, que já não andava bem, piorou, no fundo eu sabia que nosso relacionamento havia morrido, eu já não o amava mais, mas eu não podia perdê-lo, afinal que outro homem aceitaria uma namorada nas minhas “condições� Em certo momento eu desencanei de procurar ajuda, aceitei que nunca mais ia conseguir ser penetrada novamente e pronto! E aqui voltamos ao começo do texto.
Quando escrevi a B. eu já estava nessa angústia há dois anos e a resposta dela foi o ponto de partida para a minha cura. Nenhum dos médicos que procurei mencionaram sobre a vaginite e fiquei curiosa. Ela me contou como conseguiu superar seu problema, me indicou links, um livro e me incentivou a buscar ajuda psicológica, uma vez que todas as possibilidades fÃsicas já haviam sido descartadas. E foi exatamente o que eu fiz. Sem contar nada a ninguém (nem mesmo ao R.) procurei uma nova ginecologista, contei meu caso e perguntei sobre a vaginite. Ela foi ótima, pediu uma nova bateria de exames para realmente descartar qualquer outra hipótese e após os resultados me encaminhou a uma terapeuta especializada. Segundo elas meu caso não era muito severo e com o tratamento adequado logo estaria curada, mas para isso eu tinha que descobrir a origem do meu trauma e superá-lo.
Realmente não foi muito complicado, em minhas conversas com a terapeuta descobri que meu corpo apenas estava reagindo a uma ordem minha, pois no fundo eu não queria transar, e se eu não queria ele não ia deixar mesmo. Trabalhamos outras questões, o fato de eu não sentir desejo, algumas “neuras†e ela me passou exercÃcios que são chamados de “exercÃcios de dessensibilizaçãoâ€, que serviram para me provar que eu não era “travada†e que nada estava impedindo a penetração.
Em menos de dois meses eu estava, teoricamente, “curadaâ€. Não sentia mais dor ao introduzir objetos na vagina, mas ainda não havia transado, e essa sim, seria a prova final. E aqui entra outra questão, meu namoro terminou antes mesmo de eu iniciar o tratamento, ele já havia se arrastado muito além do que devia. Essa foi umas das decisões mais difÃceis e mais certas que já tomei na vida, afinal não foram quatro meses, e sim quatro anos, é uma vida toda compartilhada com uma pessoa, mas havia chego a hora de ser egoÃsta e pensar em mim, no que seria melhor para mim, e aquele relacionamento já não me fazia bem, não tinha motivos para continuar. Claro que estava ansiosa para ver o “resultado final†do meu tratamento, mas não ia apressar as coisas, seria quando tivesse de ser.
E é nessas fases que a vida nos surpreende, pouco tempo depois me envolvi com o A., e um relacionamento que tinha TUDO para dar errado, deu certo. Vocês não podem imaginar como era bom sentir tesão de novo, ele me fez subir pelas paredes e eu já estava explodindo de vontade, mas demorei um pouquinho para deixar rolar. E, felizmente, tudo aconteceu como deveria ser e parecia que o peso do mundo havia sido tirado das minhas costas, estava provado, eu era uma mulher “normalâ€!
Hoje sou outra pessoa, nunca me senti tão à vontade com alguém e, principalmente, nunca me senti tão à vontade comigo mesma, com minhas vontades, com meus desejos e até mesmo com meus medos. Aprendi que não devo abdicar do meu prazer, e mais, devo lutar por ele.
Só tenho a agradecer a B. e dizer que nunca, de modo algum, deixem de procurar ajuda, seja qual for seu problema. Nunca SE deixem de lado, na maioria das vezes não é fácil, mas eu sou a prova viva que vale a pena.
UP DATE:
O livro que indiquei para N. foi “A Cama Celestial” de Irving Wallace e já comentei dele por aqui. Na ocasião eu não coloquei link para download, faço agora, quem quiser ( e tiver paciência de ler em e-book) pode baixar aqui.
Os links que enviei à N. eram todos do Me and My Secret Life, acho que valem à pena serem lidos novamente: