submissa

Mulher gosta de…

É óbvio que gostaríamos de viver em um mundo onde não existisse isso ou aquilo que necessitasse de uma data para levar o tema à conscientização, mas… Se este mundo existe, deve ser ainda em algum universo paralelo. Por enquanto ainda necessitamos de uma lembrancinha, sim!

Ontem foi o Dia Internacional da Não Violência Contra a Mulher. Um debate diversificado, já que existem diferentes formas de violência. Seja ela moral, física ou sexual.

E apesar do Brasil estar demonstrado esforços no combate à violência contra a mulher (a lei Maria da Penha completa seis anos), e o número de denúncias vir aumentando, mas a maioria ainda esbarra em um velho obstáculo que beneficia os agressores: a impunidade. A morosidade da justiça, preconceito e machismo, ainda são alguns dos principais itens que atrapalham. Infelizmente…

“Não existe mulher que gosta de apanhar. O que existe é mulher humilhada demais para denunciar, machucada demais para reagir, com medo demais para acusar ou pobre demais para ir embora.”

* Frase veiculada em uma charge no facebook, da qual desconheço a autoria.

Um tapinha não dói?!

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Vivemos um tempo em que o BDSM nunca foi tão comentado como hoje, afinal um dos maiores best sellers do momento – a trilogia Cinquenta Tons de Cinza – é erótico e tem o sadomasoquismo como tema principal. E as curiosidades, tanto quanto as dúvidas, são inevitáveis e os equívocos também.

Fico preocupada, de verdade,  quando ouço alguém dizendo que mulher gosta de apanhar, descambando para a safadeza e fazendo uma mistureba só, questionando aquelas que curtem BDSM ou mesmo um tapinha na hora H.

Sim, existem mulheres que tem prazer com a dor e humilhação, como existem homens que curtem fio terra e outros que sequer cogitam…

O problema é que além de cada um ser cada um, e ter direito a seu limites e preferências aqui e ali, ainda há um agravante. Na maioria dos casos, homens são mais fortes fisicamente que mulheres e errar a mão, em todos os sentidos, pode acontecer, mesmo sem querer.

Entendam, jogos eróticos são válidos, para alguns, necessários, mas um jogo de domínio e submissão não é um torneio de spanking, e mesmo aquela que pede um tapa, não está pedindo, me espanca!

E ainda que peça, cabe ao parceiro lembrar que aquilo é só um jogo sexual e além da cama existem duas pessoas, seres humanos, que vivem e convivem com outros, que marcas até são belos troféus para quem curte, mas… Ainda assim é lesão corporal, e responsabilidade para quem fez.

Portanto, da próxima vez que o assunto violência contra a mulher aparecer e, mesmo por brincadeira, a frase: “Mulher gosta mesmo é de apanhar” aparecer na conversa. Não esqueça que mesmo as que pedem por isso, caso algo saia do controle, isso é crime e há responsabilidade penal, sim!

Nota da B.

Domínio e submissão é um jogo muito mais psicológico que físico. No BDSM cabe ao Dominador, muito mais cuidar (e disciplinar), que provocar dor simplesmente. Sádicos e masoquistas existem aos montes por aí, mas estes, não pedem permissão ou usam uma etiqueta na testa. Em um jogo erótico, a consensualidade é a base de tudo. Sem ela, até papai e mamãe é estupro. Pense nisso!

 

 


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