Unkiss - Beijo Gay, imagem de One From RM, no Flickr

O mercado erótico nacional está preparado para os gays?

Quando faço esta pergunta, incluo homens e mulheres gays. Este questionamento vem me ocorrendo desde a última Erótika Fair (19ª) por alguns motivos, entre eles os mais relevantes:

Unkiss - Beijo Gay, imagem de One From RM, no Flickr
Unkiss – Beijo Gay, imagem de One From RM, no Flickr
  • Os colaboradores da Feira não estão aptos a lidar com o público gay, de modo especial o masculino.
  • Quase não existe publicidade de produtos eróticos voltadas ao público gay.

Dois acontecimentos foram pontuais para culminar nessa matéria:

Fomos à fila do túnel de sensações, eu e um amigo gay. Na hora de entrar, a hostess já fez uma carinha estranha quando meu amigo perguntou:

– Tem ‘entrada para os gays?

Ela respondeu:

– Não!

Ele já emendou:

– Vou pela entrada das mulheres!

Até aí, tudo bem, adentramos no túnel e logo veio um homem, pra mim e mulher às pressas pra ele. Mais constrangimento! Relevamos, Ok. Correram e logo apareceu um morenão magia e continuamos…

Segundo espaço dentro do túnel, era experimentação de toque, (nós os tocávamos e em seguida, eles nos tocavam) vieram à mim 2 homens, e depois uma mulher. Com meu amigo o primeiro momento foi tudo bem, visto que o rapaz que estava sendo tocado curtiu, no segundo momento que era tocá-lo, chegou o segundo rapaz e disse:

– Ah, faz aí uma massagem!

Oi???  Amor, isso não é espaço pra massagem!! Sem querer fazer confusão, meu amigo deixou rolar e saímos, foi quando conversamos sobre e percebemos essa ‘falha’ no mercado.

O segundo episódio foi após uma série de fotos de um grupo de modelos eróticos, tanto masculinos quanto femininos com homens e mulheres (no colo, abraçados, em clima de brincadeira), alguns deles pediram para que não fosse publicadas suas imagens.

Quero esclarecer que não estou falando mal da feira, até porque essa não é uma falha da Erótika Fair, é um pecado do mercado erótico brasileiro como um TODO, que culmina e chega a percepção extrema na feira.

Sim, temos filmes eróticos e pornográficos para o público gay (os atores de porn gay no Brasil são escassos), mas é pouco. E isso não basta, é necessário mais publicidade, produtos específicos, enfim, pesquisas de mercado. Os norte americanos tem feito essas pesquisas desde 2007, no Brasil, houve algumas conversas sobre esta demanda em 2009, mas pouco saiu do papel e foi às vias de fato.

Ano passado houve uma tentativa, com a Erótika LGBT, que ocorreu em meio um turbilhão de outras atividades, não acredito que tenha funcionando, tanto que esse ano não houve. O que estamos esperando?

O nosso mercado erótico já ocupa o 4ª lugar no ranking mundial, atrás somente da China, Alemanha e EUA, movimenta cerca de R$ 1 bilhão (filmes, casas de swing, saunas, shows, lojas e profissionais diversos), fazendo o Brasil ser visto como uma potência mundial. No meu ponto de vista, este é o início de uma discussão, de movimentação.

Ah Vanessa, vamos militar por isso? Não sei se a palavra correta seria militância, mas e porque não? A luta não é por publicidade e produtos sexuais, mas por compreensão e aceitação de liberdade sexual, assim como aconteceu com as mulheres héteros, que hoje representam uma fatia grande de consumo erótico.


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