Meu estranho caso com Chico Buarque é antigo, eu era pequena e já observava de longe o relacionamento que meu tio tinha com ele, mas… Calma, não é nada do que vocês estão pensando.
Todos os domingos ele, meu tio, colocava uns cinco discos do Chico na antiga vitrola, girava o volume no máximo, deitava no tapete entre duas caixas de som, começava a cantarolar algumas músicas e… Dormia!
Eu nunca entendi porque meu tio colocava o som no máximo, ou mesmo porque ele dormia, jamais saberei, ele morreu levando esta resposta. Às vezes penso que era a sua maneira de se desligar do mundo real e viajar em sonhos por aquele universo de mulheres que amam até o fim de suas forças os sedutores cafajestes.
Por troça de criança, eu e meus primos ficávamos observando ele roncar de boca aberta, entre um ou outro sorriso, dormindo em um sono tão profundo ao som de Chico, enquanto tentávamos jogar bolinhas de papel em sua boca, ou fazer qualquer outra brincadeira idiota.
Sem querer, nascia ali o meu relacionamento com o autor, cujas letras me tocam tanto, mas tanto, que muitas vezes já foram motivo de textos por aqui em citações a Chico Buarque.
Pois bem, Esta noite eu sonhei com Chico. Meu primeiro sonho erótico com ele em uma vida, apesar de tantas vezes já ter embalado ou inspirado muitos de meus momentos eróticos.
No meu sonho, em um ambiente público, Chico Buarque se ajoelhava, e sob a mesa na qual eu trabalhava, diante de todos fazia em mim um sexo oral estonteante… Situação que, no sonho, foi filmada por um telefone celular de alguém que observava, caiu na internet e, antes mesmo que pudéssemos perceber, já éramos alvo de paparazzis… Assim, quase que imediatamente, meu gozo em rede mundial.
Acordei incomodada, mas também excitada, minha relação que começou voyeur na vida real, terminou em um sonho de exibicionismo erótico acidental.
Creio que este é o efeito que Chico Buarque incita, nos fazer mergulhar no inconsciente. Uma explicitude de sentimentos tão intensos, expostos, que nos faz grudar os olhos, abrir os ouvidos e, sobretudo, a mente…
(…) O que será que será
Que dá dentro da gente e que não devia
Que desacata a gente, que é revelia
Que é feito uma aguardente que não sacia
Que é feito estar doente de uma folia (…)
