Relacionamentos e traidores. Trair é fácil?

Há alguns meses, em ocasião do lançamento da série Traidores, do Discovery Home and Health, o canal promoveu uma palestra com o Dr. Flávio Gikovate como parte da campanha de divulgação da série convidando a imprensa e alguns blogueiros, entre eles, nós.

Particularmente me encantei com a palestra, até porque como sou meio fora da curva quando o assunto são comportamentos e padrões de relacionamento e sexuais, aproveitei a oportunidade para refletir.

Incorporei no texto  o vídeo da palestra, para aqueles que tiverem um tempinho livre, mas segue abaixo algumas das minhas anotações que valem como reflexão. espero que gostem.

Dr. Flavio Gikovate debate a infidelidade conjugal 

  • Sexo é diferente de amor, isso é um fato. Ao contrário do que canta a música ( “Amor é um, sexo é dois”), o amor precisa do outro para acontecer, já o sexo é uma experiência solo que até pode ser compartilhada, mas é essencialmente individual (não é à toa que fechamos os olhos ma hora H… rs)
  • O amor é uma sensação de incompletude e desamparo, por isso buscamos nessa experiência interpessoal paz e aconchego no outro (a excitação é diferente de aconchego). Enquanto o sexo é uma experiência pessoal, individual, mesmo quando compartilhada. É excitação, experimentação individual (ternura é diferente de tesão)
  • A infidelidade sexual é mais comum aos homens. E quase sempre é uma infidelidade tipicamente sexual. E também muito mais “perdoável”, talvez por isso as traições femininas tendem a ser menos aceitas, e nem é por machismo, mas sim porque quase sempre há envolvimento emocional. A traição com envolvimento emocional é muito mais imperdoável, tanto para os homens quanto para as mulheres.
  • A excitação é táctil, o desejo é visual. Do desejo à infidelidade propriamente dita o que faz acontecer ou não é o freio moral de cada um.
  • Os traidores circunstanciais o fazem pela oportunidade e não por qualquer vínculo afetivo. Há quem diga que a traição com prostitutas seja uma espécie de “masturbação terceirizada”
  • O traído também tem a sua parcela de culpa (quase sempre não reconhecida) e vive uma mistura de sensações. Se sente traído em sua vaidade, além de se sentir abandonado e/ou rejeitado. Curiosamente, a descoberta de uma traição instiga o traído a uma verdadeira luta para reaver a relação. Mesmo que o outro já estivesse há muito preterido.
  • A traição pode ser benéfica, pois abre possibilidade de diálogo, negociação. Levando muitos casais à terapia e a um acordo.
  • O termo “casamento aberto” é típico dos anos 60, época em que a pílula anticoncepcional foi difundida. Veio como uma tentativa de sustentação para as curiosidades sexuais femininas. Afinal, a traição masculina sempre existiu por baixo dos panos.
  • O ciúme é natural aos seres vivos. No entanto, ele não é só legítimo, como também não é só baixa-estima. Aliás, o ciúme pode ser até patológico!

Sobre os diferentes tipos de traidores:

  • Traidores podem ser egoístas (traem sem culpa) ou generosos (traem com culpa), mas ambos os tipos traem.
    • Sexuais:
      • compulsivos – traem por vício, e como todo vício é patológico. Caso das ninfomaníacas ou viciados em sexo.
      • egoistas – sem freio moral, traem sem motivo
      • circunstanciais – que aproveitam uma oportunidade para trair, em viagens, por exemplo.
    • Emocionais
      • motivados por frustrações – descontentes com a relação, por exemplo, quase sempre se apaixonam
      • motivados pela perda de admiração do cônjuge – traição tipicamente feminina

Frases do Dr. Flávio sobre traição:

  • “O amor cafajeste é movido pelo desafio e adrenalina” – sobre mulheres que só se envolvem com o tipo “cafa”.
  • “Mulheres não “dão por dar”. Há sempre interesse! Mesmo que só sentimental.” – sobre o fato de a infidelidade ser mais incidente entre os homens.
  • “Se eu fosse mulher, relevava…” – sobre os traidores circunstanciais, que aproveitam uma oportunidade atípica para trair. Ex. aqueles que traem em viagens
  • “Filhos e sexo não foram feitos um para o outro” – sobre a diminuição das relações sexuais após o nascimento dos filhos
  • “O casamento aberto não funcionou e não funciona até hoje, pois o amor não tem esta flexibilidade.” – sobre as tentativas de casamento aberto.
  • “É o imaginário que determina a excitação!” – sobre a capacidade que temos de fantasiar.