Os fetichistas que me perdoem, mas bom senso é fundamental… Sacher-Masoch estaria perdido nos dias atuais, afinal em tempos de ecologia e sustentabilidade  como vestir sua vênus sem peles?

Seu fetiche, que era servir sua Senhora  que ficava invariavelmente nua sobre altos saltos e sob as peles (seria um antecessor do Furry Fetish?Meeeedo…) entre uma humilhação e outra, teria acabado antes de começar e quem sabe o famoso romance A Vênus das Peles, pra ser algo ecologicamente sustentável e sem promover maus tratos animais, devesse se chamar A Venus do Algodão Cru, rs…
(Aliás, encontrei uma cena ótima do filme Venus in Furs de 1995, clique aqui, onde ela apenas vestida com peles e calçando saltos, faz uma belÃssima cena de smoking fetish apagando o cigarro… Nele! Como na imagem do post.)
Brincadeiras à parte, desculpem se ofendi (fetichistas e defensores dos animais), mas sei que o assunto é sério e vale ser comentado aqui, onde o fetiche por couro, seja ele no vestuário ou nos calçados, é uma paixão para muitos.
Eco-chatos X Eco-conscientes
Durante muitos anos, toda vez que via alguma campanha ecológica desses ativistas radicais contra o uso de peles na confecção de roupas ficava meio entediada. E não porque não me enternecesse pela causa contra os maus tratos animais, mas porque quase todo ativista ecológico é meio chato e obcecado (isso quando um exibicionista enrustido, né?!). E ao invés de levar às pessoas à reflexão, conseguem mesmo é irritá-las na maioria do tempo. Particularmente acho que existem maneiras menos chatas de chamar atenção à causa.
Por exemplo… Esta semana, um intenso debate no grupo Luluzinha Camp que começou devido ao posicionamento questionável (porque não dizer abominável) da loja/fábrica de acessórios Arezzo (e não só a Arezzo, tem mais lojas com essa postura) em utilizar pele  verdadeira, não fake,  em sua nova coleção (juro que demorei a acreditar que em tempos de sustentabilidade e consciência ecológica alguém ainda fosse capaz disso, mas…) me fez refletir não quanto ao ativismo ecológico acerca do tema, mas sim sobre o meu posicionamento diante do assunto.
Em que a matança de animais da nossa cadeia alimentar como bovinos, caprinos, peixes e aves para a alimentação e uso de seu couro, ossos, penas e peles difere da matança de animais de peles nobres/exóticas raposas, arminhos, chinchilas e outros? No fim das contas não é tudo uma questão de maus tratos animais?
Hipocrisia Seletiva?
Eu confesso, não só amo um bifinho, como também amo casacos e botas de couro. E até saber dessa postura da marca, também amava a Arezzo. E gosto do couro não apenas pelo visual, mas porque os produtos confeccionados são confortáveis e mais duradouros (dizem as más linguas que eu sou muito controlada com o dinheiro – canguinha – e prefiro investir em produtos que façam valer meu dinheirinho).
Não tenho e nem nunca tive a menor intenção de me tornar vegetariana, quem dirá Vegan, e talvez por isso, ou mesmo por questões culturais, eu nunca me senti doÃda em comer carne de vaca e usar couro de boi.
Salvem as raposas, arminhos, chinchilas e etc e tais, mas… Desde que ninguém se meta com o bifinho nosso de cada dia… É isso? Hipocrisia seletiva? Não sei…
Posso estar buscando desculpas para as minhas culpas, mas… Cultural ou não, bois, aves, cabras e peixes, não iriam mesmo para o abate? Somos em grande maioria carnÃvoros mesmo. Sendo assim a atitude mais sustentável não seria mesmo o total aproveitamento não só da carne para alimentação, como também o couro, ossos, penas e tudo o que mais for possÃvel aproveitar?
Eu realmente acredito que é possÃvel ser consciente no consumo de carnes animais e seus derivados. É nossa cadeia alimentar, é aproveitamento sustentável.
(Se bem que estou me questionando realmente…)
Questão Pessoal ou Cultural?
Citei a questão cultural, pois sei que em alguns paÃses (como a China, por exemplo) é comum o consumo da carne de animais que aqui domesticamos, como cães, porquinhos da Ãndia e outros, que por aqui não são tão usuais.
Fazer parte da cultura de um povo minimiza a crueldade? Explica?
Às vezes acho que é uma questão pessoal… Respondendo por mim, sei que em sã consciencia eu não comeria, como não como coelhos, por exemplo, porque simplesmente não consigo. E sei que mesmo aqui no Brasil é uma carne que se consome e fazem uso de sua pele nos acessórios (inclusive a Arezzo não retirou das lojas produtos de peles de coelhos e outras marcas também tem usado em suas coleções) que, aliás, eu não uso,  não consigo.
Eu simplesmente não entendo porque matar as raposinhas, chinchilas e outros bichinhos apenas para fazer acessórios de suas peles??? Nossa tecnologia está tão avançada para fazer similares artificiais…
Estou extremamente decepcionada com a marca, que até então sempre teve destaque pra mim por fazer coleções belÃssimas e campanhas publicitárias interessantes, que promovem a diversidade de estilos e até mesmo sexual. Pra mim foi uma tremenda bola fora e de agora em diante vou preferir a concorrência à uma empresa que acha que vale tudo em nome do diferencial, por mais questionável que ele seja. E a Arezzo não é a única. Cabe a nós sermos conscientes e não incentivar estes abusos.
Já pensou se virar moda casaco de pele de gente? Vou me sentir dentro do filme O Silêncio dos Inocentes… Afffffffffffffffff.
Consciência Antes do Fetiche
Repito: os fetichistas que me perdoem, mas bom senso é fundamental. É melhor ter alguma atitude que nenhuma – e a minha é não comprar mais produtos e nem dar mais nenhum destaque à marca (ou a outras marcas que tenham esse tipo de postura) por aqui.
Finalizo voltando à questão: é justificada a matança de animais para o uso de suas peles única e exclusivamente para fins decorativos, ornamentais?
Bem… Eu acho que não. E você, o que pensa disso?!
