Por que a sexualidade tem que ser em branco e preto?

Eu nunca entenderei por que há tanto interesse na sexualidade das celebridades. Aliás, por que há tanto interesse na sexualidade de quem quer que seja?! Há quem diga que o ser humano necessite de modelos para avalizar seus atos, inclusive sua sexualidade, a dita “normalidade”. Talvez por este motivo os mais conservadores sejam tão resitentes a manifestações diferentes do que acreditam como senso comum.

Recentemente o ator Kevin Spacey, por ser frequentemente questionado quanto a sua sexualidade e sentindo-se pressionado a um engajamento à causa gay afirmou: “(…) Sou um cidadão americano e não abro mão de meu direito à privacidade (…)”. Ou seja, em outras palavras o educado moço disse: “Sai do meu pé, chulé!”

“Terceiro filme gay? Sai do armário logo!”

Enquanto isso James Franco, o Harry Osborn de Spider Man (Homem Aranha), que já viveu personagens gays na tela grande (o escritor Allen Ginsberg, em Howl, o ativista Scott Smith em Milk e o poeta Hart Crane no novo The Broken Tower) e namora há alguns anos a atriz Anna O’Reilly, leva na brincadeira e, na contramão de Spacey, declara: “Talvez eu seja gay mesmo…”

“O engraçado é que do jeito que essas coisas são faladas em blogs tudo é tão preto e branco. É uma política de identidade de corte seco. ‘Ele é hétero ou é gay?’ Ou, ‘esse é seu terceiro filme gay – sai do armário logo!’ E tudo baseado em ‘gay ou hétero’, baseado na ideia de que seu objeto de afeição decide sua sexualidade”, afirmou.

“Há muitas outras razões para se interessar por personagens gays do que eu querer sair e fazer sexo com outros caras. E também há muitos outros aspectos destes personagens que me interessam, além da sexualidade. Então, de algumas maneiras é coincidência, de outras, não.

Quero dizer, eu interpretei um homem gay que vivia no anos 60 e 70, um gay dos anos 50, e outros nos anos 20. Todos foram períodos quando ser gay, ao menos em público, era muito mais difícil. Parte do que me interessa é como essas pessoas que viviam estilos de vida não convencionais lidavam com a oposição. Ou, quer saber, talvez eu seja gay mesmo”, conclui Franco.

Fonte: Portal Terra

O que achei mais interessante nesta declaração de Franco é exatamente a clareza com que ele critica essa patrulha sexual da mídia. Uma sexualidade em preto e branco, homo ou hétero e ponto.

A indústria da sexualidade instantânea

Não acredito que seja o caso de James Franco, aliás, nem acredito que o cara seja gay (no máximo bissexual, mas… Sinceramente? Nem estou preocupada com isso).

A verdade é que já foi muito comentado, que essa patrulha é algo tão vazio e despropositado que as próprias “celebridades” percebendo a mecânica da coisa aprenderam a fazer uso em proveito próprio. “Assumir” uma sexualidade alternativa vende. Tanto jornais e revistas quanto a imagem… É fato.

O fenômeno das saídas coletivas de armário, que quase sempre coincidem com uma tentativa de sair do limbo do esquecimento midiático é algo tão imbecil, mas tão… Quem se importa se fulano (ou fulana) faz, fez ou fará sexo com x, y ou z, entre iguais ou diferentes?

A infinidade de homo e bissexualidades assumidas, de privacidades expostas, exacerba o valor do sexo e da sexualidade como se fosse a única coisa realmente interessante em um ser humano, quando no entanto, sejamos sinceros, o que muda em nossas vidas a notícia que fulana do reality show tal faz sexo grupal com babuínos? (Opa, isso seria no mínimo interessante… rs)

Termino este texto colando aqui uma pergunta recentemente feita no Formspring do A Vida Secreta questionando a minha orientação sexual.

Sou humanamente sexual! Homo, bi, hetero são nomenclaturas psicossociais que eu, confesso, não estou nem um pouquinho a fim de me preocupar…

Enfim, este é meu #prontofalei, de saco cheio!!!