Temos recebido um número considerável de comentários relacionados à sexualidade na 3ª idade. Curiosamente, a maioria dos que enviam depoimentos e questionamentos são homens. A grande verdade é que o advento da pÃlula azul e das próteses penianas, a sexualidade masculina deixou de ter prazo de validade. Recentemente, uma resposta em nosso questionário on-line sobre comportamento sexual me chamou atenção:
“Tenho 84 anos e casado há 62 anos. Minha esposa 83 anos. (…) Eu e minha mulher praticamos sexo umas tres vezes por mes. Nos masturbamos, sendo que faço gozar nessa ordem: oral, vaginal, clitoriano e no seio. Antigamente tambem anal quando o penis era normal, hoje ereção é imperfeita. Gostaria de melhorá-la.”
O relato deste leitor me chamou atenção por alguns motivos.  A idade avançada de ambos, a longevidade da relação, a frequência sexual (absolutamente normal para um casal casado, diga-se de passagem), mas sobretudo a criatividade sexual deles na satisfação sexual, apesar de uma notável insatisfação erétil. A grande verdade é que para a disfunção erétil existe tratamento, é preciso vencer o constrangimento e procurar cuidados médicos. No entanto, a maior solução eles já encontraram sozinhos no dia-a-dia, sem negar  a própria sexualidade, apesar da idade.

Saúde Sexual
Este e outros relatos que tenho recebido, me fizeram parar e pensar um pouco mais no sexo maduro e no melhor aproveitamento dele ao longo da vida. Se eu, que às vésperas de completar 40 anos no próximo dia 5, for tão bem sucedida sexualmente como o casal em questão, ainda tenho (pelo menos) mais 40 anos de atividade sexual. O que me dá uma grande sensação de  felicidade, mas também uma responsabilidade enorme. É preciso me cuidar agora e sempre para que o sexo seja sempre prazer e nunca risco.
Segundo pesquisas do Hospital EmÃlio Ribas em SP, são diagnosticados 10 a 15 novos casos de AIDS por mês entre idosos. Infelizmente, 75% das mulheres contraÃram o vÃrus através do marido. E entre os homens, 80% foram infectados através de relações sexuais fora do casamento.
Fonte: BBC Brasil
Portanto, tão importante quanto ter uma vida sexual feliz, o importante é ter uma vida sexual saudável. O ministro da Saúde indicou o sexo como terapia da longevidade, mas pra isso é preciso estar sempre atento a alguns pontos importantes. Coisas como evitar bebidas alcoólicas e o fumo, alimentação adequada e atividade fÃsica moderada para afastar o fantasma da obesidade, controle de hipertensão e diabetes (entre outros) através de um acompanhamento médico frequente, sem esquecer dos exames preventivos necessários, tanto para homens (exame de próstata) quanto mulheres (mamografia e papanicolau), anualmente.
E já que falei no assunto, resolvi compartilhar com vocês um texto que escrevi originalmente para a Revista Deusas, cujo tema era exatamente este: Maturidade e Vida Sexual. Apenas com um enfoque maior à sexualidade da mulher, por ser uma revista feminina.
Outono Sexual? Que nada…
Quando o assunto é sexo, uma livre associação leva a maioria das pessoas a imaginar corpos jovens nus enroscando-se num balé de cobra, mas… Quantos netinhos, ou mesmo filhinhos, conseguem imaginar a vovó sexualmente ativa?
Se há 20 anos mulheres a partir dos 50 encontravam-se no outono da sua vida sexual, hoje graças aos avanços da ciência e, principalmente, à adoção de uma nova postura social, elas tem se permitido mais, inclusive, sexualmente.
Recentemente, uma senhora de 61 anos, desbocada, cheia de malÃcia ao passar óleo nos corpos seminus de seus pseudo-netinhos no BBB9, chocou o paÃs quando no fim do programa se entregou ao beijo cinematográfico do marido. Perguntada sobre uma das coisas que mais sentiu falta durante o confinamento, a mulher foi categórica: sexo.
É claro que não se podem esperar malabarismos kamasútricos aos 60, talvez de uma praticante de yoga, mas nem eu aos 38 anos estou com esta bola toda. Felizmente a criatividade e sensibilidade tendem aumentar com o tempo. Se tiver um parceiro cúmplice então…
Hoje, graças aos hormônios sintéticos, as pÃlulas azuis e a mudança de hábitos – minha mãe de 66 anos caminha diariamente, coisa que não fazia há 20 anos – palavras como menopausa e idade não são mais nenhum bicho papão. Mesmo limitações fÃsicas como a secura vaginal, têm jeitinho com o uso de lubrificantes à base de água e muito carinho.
E como todo bônus tem seu ônus também, possibilidades múltiplas trazem problemas múltiplos. É necessária a conscientização dessa postura sexualmente livre e ativa. Fazer uso de preservativos como prevenção as DSTs e AIDS são uma realidade que mesmo o Ministério da saúde decidiu não ignorar.
Portanto, esqueça as antigas fórmulas de que longevidade = marasmo sexual. Sexo aos 60, 70, sempre! Porque não?
Se pra você, como eu, ainda falta um pouco para chegar lá, cuide-se! E, sobretudo, pare de torcer o nariz para a realidade. Velhinha assanhada não, mulher, sempre mulher. Ainda bem…
Texto originalmente postado na Revista Deusas