menage a trois musical

Ménage-à-Trois Musical – Edição 009 – Chico Buarque

“Ói eu aqui tra veiz!” Estava com saudades e cheia de vontades de propor a vocês um novo Ménage-à-Trois Musical. Como sempre, minhas propostas são mais voltadas ao conteúdo, ao que dizem as letras, a como elas nos tocam,  já que pra mim o erotismo é algo extremamente intelectual.

Justamente por isso, resolvi propor como tema destepost obras do maravilhoso Chico Buarque. Pra mim, Chico Buarque está em um pedestal, totalmente acima do bem e do mal. Com sua imensa capacidade de se expressar no feminino, é um gozo só. Nem preciso dizer que este será o primeiro de muitos dedicados a Chico.

Um Amor Especialmente Comum: Valsinha – Chico Buarque e Vinícius de Morais

Valsinha é belíssima por N motivos. A melodia é envolvente, a letra cantando um amor do dia-a-dia é deliciosamente bela e, sobretudo, é um encontro mais que perfeito de dois mestres da poesia e música nacional, Chico e Vinícius. Valsinha me encanta de uma maneira que eu talvez não saiba jamais explicar. Quem sabe porque eles conseguiram usar de um lirismo ímpar em algo tão normal e comum, quem sabe porque eu jamais tenha vivido esse tipo de amor cotidiano, quem sabe…

Um dia ele chegou tão diferente do seu jeito de sempre chegar
Olhou-a dum jeito muito mais quente do que sempre costumava olhar
E não maldisse a vida tanto quanto era seu jeito de sempre falar
E nem deixou-a só num canto, pra seu grande espanto convidou-a pra rodar

Então ela se fez bonita como há muito tempo não queria ousar
Com seu vestido decotado cheirando a guardado de tanto esperar
Depois os dois deram-se os braços como há muito tempo não se usava dar
E cheios de ternura e graça foram para a praça e começaram a se abraçar

E ali dançaram tanta dança que a vizinhança toda despertou
E foi tanta felicidade que toda a cidade enfim se iluminou
E foram tantos beijos loucos
Tantos gritos roucos como não se ouvia mais
Que o mundo compreendeu
E o dia amanheceu
Em paz.

Um amor Malandro: O Meu Amor – Chico Buarque

Esta música é parte integrante da peça Ópera do Malandro. Onde duas mulheres comentam separadamente sobre o quanto o seu homem, o mesmo homem, lhe faz tão bem. É delicosa a explicitude erótica dos versos. Canta o malandro que encanta cada uma de suas mulheres saciando-as de maneira única e particular. Nota especial para as sensações, tão tipicamente femininas, relatadas minuciosamente com uma poesia que só Chico é capaz.

O meu amor
Tem um jeito manso que é só seu
E que me deixa louca
Quando me beija a boca
A minha pele inteira fica arrepiada
E me beija com calma e fundo
Até minh’alma se sentir beijada, ai

O meu amor
Tem um jeito manso que é só seu
Que rouba os meus sentidos
Viola os meus ouvidos
Com tantos segredos lindos e indecentes
Depois brinca comigo
Ri do meu umbigo
E me crava os dentes, ai

Eu sou sua menina, viu?
E ele é o meu rapaz
Meu corpo é testemunha
Do bem que ele me faz

O meu amor
Tem um jeito manso que é só seu
De me deixar maluca
Quando me roça a nuca
E quase me machuca com a barba malfeita
E de pousar as coxas entre as minhas coxas
Quando ele se deita, ai

O meu amor
Tem um jeito manso que é só seu
De me fazer rodeios
De me beijar os seios
Me beijar o ventre
E me deixar em brasa
Desfruta do meu corpo
Como se o meu corpo fosse a sua casa, ai

Eu sou sua menina, viu?
E ele é o meu rapaz
Meu corpo é testemunha
Do bem que ele me faz.

Um amor Clandestino: Eu Te Amo – Chico Buarque e Tom Jobim

Uma paixão que desnorteia, que ilumina, que cega. Toda vez que ouço Eu te Amo imagino os amores clandestinos, aqueles que seduzem e encantam, tanto quanto desorientam e fazem sofrer… Esta música tem um sentido especial em minha vida, poderia ser trilha sonora de muitos momentos, mas me lembra uma tarde intensa e apaixonada, roubada de uma outra vida que por um instante se confundiu com a minha.

Ah, se já perdemos a noção da hora
Se juntos já jogamos tudo fora
Me conta agora como hei de partir

Se, ao te conhecer, dei pra sonhar, fiz tantos desvarios
Rompi com o mundo, queimei meus navios
Me diz pra onde é que inda posso ir

Se nós, nas travessuras das noites eternas
Já confundimos tanto as nossas pernas
Diz com que pernas eu devo seguir

Se entornaste a nossa sorte pelo chão
Se na bagunça do teu coração
Meu sangue errou de veia e se perdeu

Como, se na desordem do armário embutido
Meu paletó enlaça o teu vestido
E o meu sapato inda pisa no teu

Como, se nos amamos feito dois pagãos
Teus seios inda estão nas minhas mãos
Me explica com que cara eu vou sair

Não, acho que estás só fazendo de conta
Te dei meus olhos pra tomares conta
Agora conta como hei de partir.


Publicado

em

por