Sobre Radical Chic e Reflexão

Radical Chic, a tradução mais que perfeita da mulher moderna

“Penso, logo, mudo de idéia!” Esta é uma frase da filósofa Radical Chic psicografada por Miguel Paiva. Sei que parece brincadeira, mas a personagem Radical Chic tem tanta personalidade que poderia até ser uma entidade que o autor “recebe” e psicografa, tamanha a fidelidade que há na tradução da  alma feminina. Se Chico Buarque “cantou” os sentimentos femininos como ninguém, Miguel Paiva de maneira  leve (ok, às vezes ácida), mas sempre bem humorada descreveu as contradições femininas através da charmosa personagem. No entanto, toda esta introdução babando a obra é só porque este pensamento da nossa filósofa de plantão poderia ser o meu lema (aliás, eu já pensava assim em maio de 2007), já que sou uma contradição ambulante, como muitas outras mulheres, acho… Uso hoje o A Vida Secreta, para um de meus momentos Me and My Secret Life.

RadicaL Chic, de Miguel Paiva. A musa mais que imperfeita.

Decretada a falência da Equipe de Manutenção Sexual?

A alguns anos (nossa, já?!), escrevi um post sobre o meu modelo de relacionamento na época. Algo que, sem ter muito bem como explicar eu chamava de “Equipe de Manutenção Sexual”. Relacionamentos que eu mantinha levando em consideração quatro itens:

  • amizade,
  • carinho,
  • respeito
  • e sexo.

Neste meio tempo, inconstante que sou, já desisti do modelo (ilusão?), retomei ao modelo (costume, talvez…), fiz gente que amava sofrer (mesmo sem querer), sofri (bem feito?), descartei, fui descartada… E depois de tanto, a única coisa que sei, é o que Sócrates[bb] já sabia: que nada sei! (Eita que isso está filosofado demais hoje…) Entendi, finalmente, que nem mesmo as relações abertas ou os acordos mais claros, nos isentam de sofrimento quando o fim acontece. Porque até aqueles que são ótimos administradores de suas vidas descobrem (em algum momento) que  é inevitável  admitir que sentimentos não são administráveis.

Apesar de ter funcionado por algum tempo, acabou sendo uma furada pra mim, já que sentimentos são indomáveis. Naturalmente os relacionamentos foram chegando ao fim, por iniciativa minha, do outro ou de ambos. Não sei se acreditei que tal modelo de relação fosse pra sempre, pois pra sempre é tempo demais, mas realmente, quando escrevi aquele texto (janeiro de 2008) quis retratar o meu momento, só que hoje muita coisa mudou.

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Toda esta conclusão no melhor estilo Radical Chic se deu muito recentemente, em um início de 2010 repleto de mudanças,  ecos de um passado recente. Será uma reflexão antecipada desse meu momento quase loba? Quem sabe… Nós somos o que vivemos, as escolhas que fazemos. A cada instante estamos em uma encruzilhada optando pela estrada da direita ou a da esquerda. Às vezes lamentando não ter escolhido um ou outro caminho, mas isso faz parte. Acredito que exatamente por este motivo, pelo menos para mim, é tão importante a clareza nos acordos, a responsabilidade nas relações e a isso inclui a responsabilidade sexual também!

Constatações sobre “amigos com benefícios”

Recentemente li um texto em inglês, que diz existir algumas desvantagens sexuais de “amigos com benefícios” (um outro nome para a minha ex-equipe, né?). Muitos, acreditando conhecerem bem os parceiros sexuais, mesmo não tendo com eles relações estáveis e monogâmicas, dispensam cuidados básicos de prevenção.  Esquecem da necessidade da adoção, sem distinção, da tão cantada em verso e prosa por aqui, camisinha. Isso não é só um erro: é burrice! Confesso que mesmo eu, burra velha que sou, já caí na cilada romântica de desejar o sexo sem preservativos. Felizmente meu romantismo não passa da página 2 e, até o momento, comprovadamente não tenho nada do que me arrepender com gravidade ou que faça meus parceiros se arrependerem de ter feito sexo comigo. No entanto, se os riscos do sexo entre amigos fosse apenas as DSTs… Tsc, tsc, tsc, tsc, tsc…

Como eu disse antes, quem manda nos próprios sentimentos? Quem é capaz de prever a próxima opção nesse organograma de doido que são nossas relações afetivas? Como medir se a maior dor é física ou emocional? Se por um lado, é possível optar em fazer sexo seguro ou não, entre usar camisinha ou ser um kamikase sexual, o envolvimento com o outro já não é bem assim. E para alguns, inclusive os mais racionais, o comprometimento  em uma relação assim que (em tese) deveria não ter compromissos, acontece!

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Quem dera todos fossemos capazes de administrar nossas relações com a maior inteligência racional e emocional possível, justamente para evitar chororôs posteriores. Responsabilidade sexual e comportamento ético nas relações é o mínimo necessário…

Penso, logo, mudo de idéia!

E é por isso que termino este post bastante reflexivo lembrando que adoro perceber que sou um ser humano em constante evolução. E também rindo de mim mesma ao concluir que neste modelo de relação atual só tenho envolvimento e comprometimento com o meu parceiro mais fiel, o meu vibrador e, mesmo assim, até a que a bateria descarregada nos separe 🙂

É claro que se eu pudesse pediria desculpas a todos que feri, como também gostaria de entender com mais clareza o como e o porque de certos fins, mas… Pena que isso é impossível! O que passa, passa! Possível é viver, continuar tentando, eventualmente errando, não desistindo…

Sinceramente, não sei qual será o meu próximo modelo de relação. Se continuarei poliamorosa, se farei um acordo monogâmico ou não, mas… Ainda acredito nas quatro palavrinhas mágicas das relações quase perfeitas: amizade, carinho, respeito e sexo. O resto se ajeita, sempre se ajeita…