Is Internet For Porn? Campus Party 2010 | Parte 1

Apesar de não ter ido à Campus Party acompanhei tudo online, pude assistir a todos os painéis do Campus Blog pela TV Campus Party e Omedicast (o conteúdo do painel permanece offline com livre acesso). E foi ótimo! No geral, mais uma vez os painéis foram interessantes, os painelistas também, mas o som vazava demais entre as arenas. Soube de pessoas presentes que preferiam se afastar, ficar em bancadas mais distantes, para assistir à tudo online, que ironia…

O texto que escrevi é longo, não consegui ser concisa sem ser “rasa”, tentei ser bastante fiel ao conteúdo do painel e por isso o texto será dividido em duas partes e postado hoje e amanhã. Infelizmente, eliminei muitos trechos do debate sobre sexo, apesar de divertidos e interessantes, por achar que fugiam bastante do tema Is Internet For Porn? E dessa maneira, comentá-los deixaria o texto ainda maior.

Eu e o Admin gravamos um PodSecret Especial Campus Party, ele direto da lá e eu de cá, na toca da B. Acredito que até o fim da semana ele tenha tempo de editar, nele a gente vai comentar alguns acontecimentos da semana, coisas que rolaram no evento ou concomitantes a ele. Espero que gostem. A segunda parte já foi publicada aqui.

Is Internet For Porn? Campus Party 2010

A mesa composta por Gustavo Gitti (Não 2 Não 1) como moderador e Fausto Salvadori (Boteco Sujo), Alê Felix (Não, Não Para), Castrezana (Omedi) e @lini compunham a base do debate. Debate este que, sendo bem crítica, ficou um pouco a desejar no quesito pornografia e internet, comparado ao debate do ano passado. Muito se falou de sexo, mas pouco se falou da internet como ferramenta para interação, literatura erótica, direitos e ativismo sexual que havia sido proposto no tema inicialmente. Para os interessados em assistir ao painel na íntegra, e tirar suas próprias conclusões, o Omedicast deixou livre, à disposição para quem quiser assistir, basta clicar aqui.

O painel começou atrasado, com um divertido comentário dos organizadores: “Pessoal, pedimos desculpas pelo atraso, mas uma das painelistas ainda não chegou à mesa. Motivo, foi cercada por nerds que ficaram em polvorosa por causa do seu corset e latex.” Bem, pelo pouco que conheço do pessoal do painel, nem precisei queimar muito a mufa para saber que a mocinha de corset era a @lini. O painel começou sem ela com o comentário do moderador: “Vamos começar as apresentações, daqui a pouco a @lini poderá se apresentar com direito à entrada triunfal e, quem sabe, striptease.”.

Fausto Salvadori do Boteco Sujo, é jornalista e começou sua apresentação lembrando que seu blog não é sobre sexo, mas sim de sacanagem de um modo geral (inclusive política). Ainda assim, vale lembrar que junto com o Manual do Cafajeste, o Boteco Sujo foi eleito o melhor blog de sexo pelo Best Blogs Brazil, ganhando de blogs como A Vida Secreta, Pequenos Delitos, Sexto Sexo e Pinky, The Kinky. Fausto é uma figura simpática, carinha de nerd, gosto do moço! Aliás, sigo no twitter e tenho seu blog em meus feeds. Ele foi jornalista que primeiro noticiou em seu blog a barbárie na UNIBAN contra a Geyse Arruda, com seu maravilhoso texto: Os Polanskis do ABC. Foi legal saber que o interesse putanhístico do moço é em nome de um motivo maior que o 5 contra 1. Junto com outro jornalista, Gil Mendes, eles preparam uma pesquisa para um livro sobre Sadi Baby, cineasta freak da antiga Boca do Lixo, que promete dar o que falar.

(Fausto, fica o convite, quando lançar o livro e quiser divulgar aqui, o AVS está de portas abertas.)

Alê Felix do Não, Não Para, um blog de conteúdo adulto (que ainda está em fase de construção) voltado para mulheres, que terá a participação de Raquel Pacheco (Bruna Surfistinha) e Syang, também estava presente. Adorei a proposta de um conteúdo voltado para o feminino. Existem muitos blogs sobre sexualidade, mas sempre de conteúdo misto, nada de clube da luluzinha safadinho. Alê comentou um dado interessante, o fato de que 70% das mulheres que acessam conteúdo adulto na internet o façam escondidas e completou dizendo que muitas o fazem assim por medo do julgamento masculino. Vale reflexão sobre o assunto, pois não sei se concordo. Eu por exemplo, gosto de privacidade para ver putaria e nada tem relacionado ao medo do julgamento de qualquer pessoa. Mesmo homens, creio, preferem ver pornografia mais reservadamente. Ou não?

Castrezana do Omedi, publicitário e pro-blogger, que com seu Omedicast foi um dos responsáveis pela transmissão online dos painéis da Campus Blog na Campus Party, também começou sua apresentação lembrando que o Omedi não é um blog de sexo, mas tem sempre uma pitada safada sim! Foi lá que eu recentemente, a partir de um link no twitter, assisti a uma ótima campanha de prevenção à AIDS (clique aqui para assistir) e adorei! Depois ele não entende muito bem porque o chamam para falar de sexo na net… Na minha opinião, foi o que falou de putaria com mais propriedade, todas as poucas vezes que falou, mandou muito bem!

CampusParty 2010-14-2
Lini, no alto do seu salto vermelho, vestindo latex. Imagem: f_mafra, no Flickr

@lini é uma personagem forte. Em seu twitter se autodenomina alguém que só pensa em sexo. E é assim que tem se apresentado nos eventos que tive acesso (ela participou da ação da Trident no metrô de PoA e também de um Painel da YouPix em dezembro passado). Nessa Campus Party eu pude perceber que esse carisma e magnetismo é uma característica da moça que parece ter nascido para os holofotes desde que o tema seja safadístico. O problema é que ela acaba monopolizando um pouco as atenções e o debate fica muito centralizado em seus assuntos, o que termina sendo um ponto negativo. Cafeína, do Bebendo Fumaça, em seu twitter sintetizou a participação da @lini no evento: “Muito bacana o stand sit comedy da @lini #isinternetforporn”

Pornografia e Internet

Gustavo Gitti começou o debate levantando um tema até interessante. O acesso livre à pornografia na internet como um agente educador, nem sempre da melhor forma. A massificação de conteúdo pornográfico acessível aos pré-teens acaba de certa forma queimando etapas  que seriam descobertas pouco a pouco, com tempo? Informações que, à primeira vista, podem até ser chocantes (como um vídeo onde alguém no auge do tesão estapeia a face do outro, que gosta) e nem sempre entendidas no contexto erótico certo? Ele lançou a pergunta aos painelistas: o que vocês aprenderam vendo pornografia e eu simplesmente amei a resposta do Fausto: “Aprendi que entregador de pizza é a melhor profissão do mundo!!!” Foi impossível não rir aqui.

Alê Felix continuou o assunto, citando uma experiencia pessoal com filmes pornos, comentando que nunca foi fã e quando demonstrou algum interesse para fazer uma seção de resenhas em seu novo site esqueceram de dizer a ela que alugar DVDs sobre o assunto eram bem difíceis. Ressaltou mais uma vez a necessidade de existir uma pornografia voltada ao público feminino, para aquelas (sim, pois não são todas) que não se excitam com o fuck-fuck típicamente voltado ao público masculino. E ressaltou as diferenças entre as fantasias masculinas e femininas que refletem neste mercado porno. Comentou que filmes mais bobinhos, como O leitor, surte mais efeito em sua sexualidade que um filme pornô.

Tenho que concordar. Sou da turma que prefere um filme europeu metido a cult e repleto de safadeza do que qualquer porno comercial. Um dado que talvez a Alê não saiba e que vale à pena ser comentado é que isto está mudando e a internet tem sido a grande incentivadora. O filme Five Hot  Stories For Her, de Erika Lust, foi feito por uma mulher, para mulheres, são estórias tesantes, com muito sexo, boa plasticidade e, o melhor, sua comercialização se dá pela internet. A revista Época já falou sobre o assunto e recentemente a revista Marie Claire também. Está havendo um verdadeiro levante feminista no quesito pornografia e isso é muito legal!

(Continua…)

A segunda parte deste texto, falando sobre a evolução da safadeza na internet, propaganda enganosa, vídeos amadores e contos eróticos, está publicada aqui.