Pissing ou Chuva Dourada, conhece este fetiche?

Recentemente através do Formspring, um leitor perguntou se era normal a namorada desejar que ele urinasse nela. Sexualmente falando, normal ou anormal só depende do ponto de vista de cada um.

Coincidência ou não, o texto de hoje, de nossa querida Violet fala de uma controversa preferência sexual, o pissing. O fetiche de ver, provar ou banhar-se de urina. Sem mais delongas, paro por aqui, indicando o riquíssimo texto abaixo. E você, o que acha deste fetiche?

Outra vez desejo falar de uma prática que adoro.

Mas não é o erotismo puramente visual e intelectual do smoking-fetish, desta vez escrevo sobre algo muito material e corporal, que em adição à visão envolve outros dois sentidos, o paladar e o tato.

Me refiro ao pissing. Pissing nas duas formas principais nas quais fica diferenciado:

  1. Urofilia (ou, como fica nomeada no âmbito médico, ondinismo ou urolagnia): flutua desde a excitação mental no ver ou imaginar outra pessoa cumprindo com a sua necessidade líquida, a micturar (fazer pipi) em lugares públicos, a deixar-se urinar sob o olhar alheio ou ao longo do corpo,
  2. Urofagia: se chama assim o ato de beber a urina do parceiro/da parceira (direitamente da extremidade dos genitais, ou com efeito chafariz, ou trazendo o líquido a partir de um copo).

O pissing é uma prática que dificilmente provoca opiniões à metade. Ou se ama (de maneira quase incondicional) ou desperta reações de repulsão atávicas tão fortes para ser excluída a priori da vida intima. Por quê?

how does it feels like to piss standing up, por theredrollerball, no Flickr
how does it feels like to piss standing up, por theredrollerball, no Flickr

Pissing: tesão ou repulsa?

A paixão imensurável se dá porque a urina é parte do que os genitais do parceiro/da parceira produzem, e porque é uma maneira diferente de entrar na sua intimidade, livre da “indução” da relação sexual que implica a secreção do sêmen ou do líquido vaginal. Beber a urina do parceiro/da parceira não envolve indispensávelmente preliminares, nem de forma categórica uma excitação sexual palpável no momento do ato, nem mesmo um contato físico.

No BDSM os escravos e as escravas gostam do pissing também porque tem uma forte valência simbólica de devoção e humilhação em relação aos seus Senhores/as suas Senhoras. No meu lado residual de escrava nunca encontrei algo de humilhante na recepção da urina de uma hipotética Domme: o tesão que traz esta prática fica tão intensa, que provavelmente não posso ser mesmo objetiva sobre o assunto.

O pissing repugna porque o cheiro (fedor?) da urina fica mal tolerada, porque nos ensinam desde que somos crianças que é uma coisa suja, porque o mijo fica percebido como líquido descartado e que, absolutamente, não tem que ficar readmitido no ciclo vital das pessoas. As opiniões requerem maximo respeito, nesse caso acho todavia que a conexão e o confim entre preferências pessoais e educação transmitida desde mocinhos/as ficam muito nebulosos.

Pissing na história e literatura mundial.

A imaginação de algumas pessoas cultas foi povoada pela fantasia do pissing. Acima da citação mais óbvia, o Marquês De Sade[bb], podemos falar de Guilherme Apollinaire no livro “Lembranças de um jovem libertino”, publicado no começo do século XX, no qual conta com abundância quase insana de detalhes a excitação do protagonista vendo a sua irmã Elise dedicar-se as suas necessidades fisiológicas. Ou ainda mais a léndaria soprano alemã Wilhelmine Schroeder-Devrient: na sua biografia póstuma, redigida entre os anos 1868 e 1875 (ela morreu em 1860), podemos ler quanto prazer obtinha nos atos de receber e doar os fluidos corporais, tanto dos (e aos) homens que das (e as) mulheres.

O notório Abade Guisbourg, conhecido na história pelo Affaire dos Venenos com o qual queria enganar o rei da França Luiz XIV em favor damarquesa Montespan, considerava a urina da mulher um excelente filtro de amor, como o sangue menstrual. Passando desde as medicinas alternativas a tradicional moderna, o psicologista e sexólogo britânico Henry Havelock Ellis, não suficientemente indulgente contra a homossexualidade masculina,  se casou e formou um relacionamento aberto com a escritora lésbica  Edith Lees, a qual (e as quais parceiras) se entregava com vontade, também nos seus úmidos deleites.

Pissing, uma experiência pessoal

Duas pequenas observações pessoais, antes de acabar o artigo: no pissing, o banho de urina se chama também “chuva dourada”. Para mim, tendo muita razão. Sobretudo quando uma copiosa urinada é consequência da penetração – melhor se com um dildo ou os dedos, para ter o maior controle possível sobre a duração do ato – da vagina (ainda melhor se acompanhada pela estimulação da clitóris), ou da reiterada masturbação do pênis. Naquele caso a doação da urina fica tão  lisonjeira, que o líquido parece sempre cristalino e suculento, também nas ocasões nas quais cheira mal e tem um colorido estranho.

Segunda anotação, fiquei excitada graças a muitos vídeos de pissing (sobretudo o preview do site Fully Clothed Pissing): o que me excitou mais, todavia, foi um vídeo heterossexual (circunstância que pode aparecer estranha para quem conhece a minha orientação sexual, não para mim, que estou consciente do fato de ficar estimulada visualmente por muitas coisas que levam mais longe do meu lesbianismo) no qual uma mulher de uns 35 anos, vestida de professora contida com paletó grisalho e blusa branca, entra no banho dos homens e faz xixi sobre o soalho das duchas. Depois entra um homem que, aproveitando o feito que ela ainda fica endurvada pela execução da mijada, abre o zíper dos jeans e urina na sua boca. A coisa extraordinaria daquele vídeo, acima da sensual serenidade da mulher em todos os seus atos – urofagia incluída – é o extremo controle que possui o homem em interrumpir a urina cada cinco segundos, para que a boca da mulher não perda nem uma gota do seu fluido corporal.

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Violet vive na devota Italia e tem características fisicas tipicamente etruscas. Oscila eternamente entre amor e vampirismo… mas entretanto escreve.


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