Sim, vou confessá-lo. Adoro o smoking-fetish.
Começo com um preâmbulo: não questionarei as campanhas de luta contra o fumo dos diferentes ministérios da saúde e da sanidade dos Estados europeus (não conheço a situação do Brasil nesse campo). Campanhas que têm atingido resultados palpáveis na luta contra o tabagismo, com uma sensÃvel redução das doenças, dos tumores e da taxa de mortalidade relativo ao fumo.
Além do mais, tendo que passar por uma operação nas cordas vocais dentro de um ano (a da contração cricotireoidea) para que a minha voz se torne mais aguda, não poderei fumar o cigarro que a cada três dias gentilmente me ofereciam (o que me traÃa, aproveitadora da generosidade das outras pessoas… depende do ponto de vista) as minhas amigas, porque o cigarro tem também a contraindicação de tornar mais roucos os sons emitidos pela glote.
Todavia…
Todavia, não sei se por uma forte inclinação à estética do ato, por uma das muitas facetas nas quais se expressa o meu fetichismo, ou somente porque gosto das mulheres em situações que são comuns, mais silenciadas e sufocadas pelo politicamente correto do bem-estar, de toda maneira sinto muita tesão vendo (e contemplando) mulheres que fumam.

Como diriam os latinos, nihil novum sub sole (nada novo sob o sol): ainda no século XVII  muitas mulheres trabalhavam nas manufaturas de charutos em Sevilha, coisa que inspirou a literatura e o imaginário erótico de diferentes escritores franceses. Na novela “Carmen“, por exemplo, o fora-da-lei dom José Navarro se apaixona pela cigana que da tÃtulo ao livro, e que trabalha numa indústria de charutos. A obra foi publicada pela primeira vez no ano 1845.
160 anos depois, a admiração intelectual e erótica pela mulher fumante se encontra com novos meios de expressão, além dos livros e dos retratos (que para mim, podiam ser suficientes). Acho que a fotografia é um excelente meio, sobretudo se os cortes de luz sabem valorizar as mãos, as papeiras, a boca e a expressão pintada no rosto da mulher, durante o ato.
Todavia…
Todavia para mim a sétima arte sabe fazer ressaltar como nenhuma outra a refinada beleza da mulher que fuma. E não falo de longas metragens com trama complexa (como a Sharon Stone no Basic Instinct, na lendária cena do cruzamento de pernas), mas além de tudo os clipes e os pequenos videos que povoam a Rede, desde YouTube até os sites especÃficos sobre o assunto.
Porque o smoking-fetish por si mesmo já supõe uma ação e mobilidade, qualidades próprias das funçoes de uma câmera, muito mais que de um pincel ou uma máquina fotográfica.

Porque naquela ação e naquela mobilidade, os dedos finos da mulher podem atingir a sua sublimação, no aceno de aproximação do cigarro, ou do charuto aos lábios, lábios quiçá recheados, pintados e polidos numa maneira distinta (e se espera, exentos das fendas).
Porque ver aquela ação, cumprida com serenidade e com os músculos dos braços e rosto esticados, fica inevitavelmente percebida como uma alusão velada a preliminares que antecipam uma feliz noite de sexo.
Porque os olhos de uma mulher que fuma e, ao mesmo tempo, observa na câmera, sabem irradiar uma intensidade que dificilmente encontrei em outras partes, seja na cinematografia pornô, seja nas cenas de sexo incluidas nas histórias de filmes “comuns” (lembro somente da imagem saliente final da Nona Porta, na qual a Emmanuelle Seigner monta o Johnny Depp… Bem, naquele filme a atriz francesa representava o demônio encarnado e personificado, se não tivera a mirada de fogo, não sei quém deveria ter :))
Em resumo, acho que a visão de uma mulher que fuma, feita atrás de um monitor, pode ser um bom meio para imergir-se em frenéticos momentos de masturbação, como para introduzir sensuais instantes de junção carnal. Na vida cotidiana, além da sÃmbologia ligada ao pre- ou pós-trepada, a mulher que fuma pode representar também a humiliação que uma Senhora inflige ao seu escravo (tratado como cinzeiro ou sobre o qual derramar a expiração do fumo) numa relação BDSM.
Muita gente afirma que o smoking fetish é uma caracterÃstica peculiar do imaginário masculino. Se fosse realmente assim, me consideraria uma orgulhosa exceção à regra.
PS: Â Se tivesse uma parceira fumante, todavia, poderia acabar a voluptuosidade que percebo no smoking-fetish: os dentes amarelos e um permanente cheiro de tabaco no ar seriam dois excelentes impedimentos.
PS2:  Os meus olhos brilham mais vendo mulheres que fumam pequenos charutos ou cigarrilhas inseridas em longas piteiras brancas e negras… E se a suas mãos são embelezadas pelo suave abraço de luvas de seda, ou de cetim… Não haveria algo melhor que isso 🙂
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Violet vive na devota Italia e tem caracterÃsticas fisicas tipicamente etruscas. Oscila eternamente entre amor e vampirismo… mas entretanto escreve.