A Perversão Nossa de Cada Dia

Esta semana, uma cena da novela das 20h, que vai ao ar às 21h (olha eu noveleira de novo), mostrou uma cena que poderia ser apreciada por qualquer um e que tinha como instrumento de sedução… Os pés! O ponto alto da massagem erótica da personagem de Daniele Suzuki em seu namorado na trama, Max Fercondini, foi finalizar sua massagem sensual esfregando suas solas nas costas dele. Fico realmente feliz em ver a podolatria e o erotismo retratado em uma novela sem a típica caricatura habitual. Em novelas, o sexo quase sempre é retratado com um romantismo extremo ou um fetichismo bizarro. Ambos extremamente longe da realidade.

Conversava com um amigo recentemente e comentei que graças a este meu instinto sexual pervertidinho sou uma pessoa sexualmente ativa e feliz entre tantas que passei. Infelizmente o termo perversão relacionado ao sexo denomina um desvio, as tão conhecidas parafilias. O mais incrível é que todo aquele que fala de “normalidade” em seu mais íntimo guarda um que de perverso, desviado, seja realizado ou apenas pensado. De perto ninguém é normal, quanto mais eu conheço gente, mais tenho certeza disso. E quase sempre aqueles que levantam bandeiras pela normalidade são os mais perversos.

Generalizando um pouco, mas dando espaço para as exceções que podem existir, quase todo homofóbico tem sua sexualidade mal resolvida. Homem ou mulher. Tanta aversão não deixa de ser uma espécie de perversão também. Ser normal deveria ser aceitar a diversidade, que a vida e as pessoas são diferentes e tem direitos a uma sexualidade plena, apesar de diversa. Outro que me incomoda profundamente é aquele, homem ou mulher, que diz amar o sexo, mas busca um modelo, um padrão, tão distorcido da realidade que passa grande parte da sua vida sozinho (completamente ou pulando de galho em galho), esquece que se relacionar implica em conceder um pouco aqui e ali para ser feliz.

No entanto, é muito importante lembrar que normal ou anormal é algo que depende do ponto de vista de cada um. Quantos não tiveram ao longo de uma vida preferências sexuais, ditas incomuns, naturalmente inseridas em uma sexualidade plena? Um ótimo exemplo foi a cena da massagem podólatra citada anteriormente. Quer coisa mais natural, ao olhos de qualquer um, e mais erótica, para um fetichista, do que ter em suas preliminares o objeto de desejo como protagonista? Na cena citada foi o pé, mas poderia ser qualquer outra parte do corpo ou objeto de predileção.

É possível inserir práticas sexuais relativamente incomuns em relações comuns. Até porque, para qualquer fetichista, o botãozinho que liga e desliga o prazer é extremamente psicológico. Para um submisso, por exemplo, ser guiado durante o sexo, servir de objeto de prazer do outro é o grande barato. Já para o masoquista, submeter-se a situações de humilhação ou dor também podem ser inseridas de maneira bem natural. Mesmo o CrossDresser, um tabu tão grande para muitos homens, com a parceira certa dá pra levar tudo com muita espirituosidade, até mesmo no lado lúdico. Aliás, esta é a chave, buscar um parceiro que só ache estranho não ser feliz.

Diante de tanto, não consigo deixar de ter um pensamento. Diversidades e adequações à parte, perversão, perversão mesmo é deixar de tentar ser sexualmente feliz (ou deixar que o outro seja) por puro tabu, achismos e falsas certezas de possíveis normalidades. Repito,  de que de perto ninguém é normal e estranho sempre é o fetiche do outro, só isso.


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