Do Começo ao Fim | Incesto e Homossexualidade

DVD Os Sonhadores, no SubmarinoHá algum tempo assisti The Dreamers, de Bertolucci[bb].  Conta a história de dois irmãos franceses (Theo e Isabelle) que se amam de uma maneira estranha, obsessiva, e encontram na figura de um estudante americano (Mathew) a possibilidade de “consumar” este amor sem pecar realmente (culpa ou sadismo?), na Paris de maio de 1968. Assistam, o filme é mais que isso, é claro, mas citei, pois se pra muitos foi chocante este amor incestuoso, o que dirão de Do Começo ao Fim, filme de Aluizio Abranches já citado anteriormente por aqui em umas Sex Drops que, para completar, adiciona a homossexualidade ao que  já é tão tabu? O tema sempre gera grande polêmica por aqui, os comentários do post Pecados Secretos – Incesto, são a prova de que a prática é mais comum do que possamos imaginar. O anonimato libera depoimentos interessantes e reveladores. O texto do Daniel é delicado e leva à reflexão do quanto somos preconceituosos com o que não entendemos ou aceitamos. Independente de certo ou errado, vale ler e refletir também.

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O amor acima de qualquer preconceito.

Mais uma vez vou começar falando de um filme, porém o assunto desta vez é mais delicado do que apenas a homossexualidade. “Do Começo ao Fim”, com estreia prevista para o dia 27 de Novembro, narra a história de amor entre Francisco e Thomás. Escrito e dirigido por Aluízio Abranches o filme já está causando polémica desde o semestre passado por conta de seu tema.

“Do Começo ao Fim” ousa mais do que contar uma história de amor homossexual, o filme narra a história de amor entre dois irmãos. Por mais polémicos que os dois assuntos possam ser, me pareceu, e quem viu o trailer pode concordar – ou não – que o filme consegue conciliar os aspectos morais da homossexualidade e até mais ainda do incesto com muita sensibilidade.

Confesso que nunca tinha parado para pensar no incesto da forma que o filme propõe, pois a idéia está sempre ligada a algo negativo junto com o abuso sexual de forma geral. O filme traz uma visão positiva do incesto, onde duas pessoas se amam e apenas querem ser felizes juntas.

A verdade é que para nós é simples julgar o que acontece com os outros, é fácil falar que é errado dois irmãos se amarem ou que é errado duas pessoas do mesmo sexo se relacionarem. A gente só vai pensar no assunto quando acontece com a gente ou com a nossa família. Como a B. já comentou por aqui, fetiche do outro é coisa estranha. Pois bem, vamos parar de julgar os outros, se cada um estivesse cuidando da própria vida provavelmente as coisas seriam muito melhores para todos.

O incesto é considerado um tabu universal, além dos fatores genéticos existe a questão moral, muitas religiões consideram pecado e alguns países considerem o incesto crime. A homossexualidade também é considerada crime em alguns países, e na Arábia Saudita, Mauritânia e Iêmen os homossexuais são condenados com pena de morte.

É estranho, com tantos problemas mundiais para nos preocuparmos estarmos julgando e condenando a morte pessoas que só querem amar sem fazer mal a ninguém, não?

E como diz minha colega Betina Botox, alguém já perguntou o que me choca? Se para você um relacionamento homossexual é um absurdo, por que para mim um marido que trai a mulher não pode ser abominável? Por que a sociedade acha tão normal certos comportamentos enquanto repudia outros?

Novamente citando a B., concordo que enquanto todas as partes – duas ou mais risos… – estiverem de acordo, quem somos nós para julgar? O importante é não fazer mal para ninguém, do resto gosto é gosto, com amor e sexo – ainda não estou fazendo merchandising do programa da Globo risos – muitas são as possibilidades.

Como o assunto aqui é respeito a diferença, antes de terminar vou deixar o endereço do projeto de Criminalização da Homofobia, onde vocês podem conhecer melhor sobre o projeto, o site é www.naohomofobia.com.br e é uma das maneiras de lutar contra o preconceito, é difícil mudar a maneira das pessoas pensarem, mas com a aprovação do PLC 122/06 asseguramos nossos direitos de vivermos nossa orientação sexual sem medo – ou pelo menos com a justiça ao nosso favor.

Como já disseram, de perto ninguém é normal, vamos então celebrar a diversidade que faz a vida muito mais interessante e prazerosa. Respeitar a diferença é o primeiro passo contra os pré conceitos.

Enquanto isso espero ansioso pela estreia “Do Começo ao Fim” e torço que seja só o começo de uma iniciativa para que as pessoas possam, através do cinema e da arte, refletir e rever seus conceitos. Pra mim amar é normal, e para você, o que é normal?

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Daniel é analista de sistemas, tem 21 anos e mora em SP. Como blogueiro encontrou no mundo virtual uma maneira de misturar razão e sentimentos para mostrar que ser gay é absolutamente normal.