Mais um texto de nossa colaboradora italiana Violet. Neste texto, à partir da recente polêmica na mÃdia sobre o caso da atleta sul africana que foi colocada em suspeição (confirmada) de hermafroditismo, Violet faz um verdadeiro passeio pela história dos esportes mostrando que esta ambiguidade de gêneros e sexos é mais antiga do que possamos lembrar.
Ambigüidade de Gêneros e Sexos na História do Esporte
A ambigüidade dos gêneros e dos sexos na História, pôde exprimir-se de muitas maneiras, de acordo com as épocas e os contextos. O caso da atleta da Ãfrica do Sul, Caster Semenya, ganhadora dos 800 metros nos últimos Mundiais de Berlim, independente dos resultados finais da análise médica, levanta outra vez o problema, velho de décadas, da ambigüidade da identidade sexual, seja transsexual ou hermafrodita, no mundo do esporte.

O primeiro caso que ficou conhecido foi da atleta Stella Walsh. Nascida na Polônia em 1911 com outro nome, Stanislawa Walasiewicz, viveu entre a Polônia e os Estados Unidos. Competindo pelas cores do paÃs no leste europeu, ganhou ou ouro nas OlimpÃadas do ano 1932, em Los Angeles, e a medalha de prata nos Jogos OlÃmpicos do ano 1936, em Berlim, onde curiosamente foi levantada a suapeita de ambigüidade sexual pela ganhadora do ouro, a estadounidense Helen Stephens. Morta em 1980 em Cleveland durante um assalto à mão armada, o relatório da autópsia revelou que a Stella Walsh tinha genitais masculinos e cromossomas de ambos os sexos.
Décadas depois, surgiu o caso de Renée Richards, oftalmologista novaiorquina apaixonada pelo tênis que, depois dos quarenta anos, decidiu passar pela intervenção de vaginoplastica e concorrer nas competiçoes femininas. A primeira solicitação foi rejeitada pelos organizadores dos U.S. Open em 1976. Depois de seu apelo ganhar na Corte Suprema da Nova Iorque, em 1977 pôde participar finalmente nos torneios femininos. A sua carreira durou somente 4 anos, de 1977 a 1981, conseguindo bons resultados (chegou a ficar vigésima na classificação WTA do fevereiro 1979), lembrando também a avançada idade na qual começou a jogar no circuito profissional. Se tornou treinadora de Martina Navratilova, depois do fim da carreira ativa.
Também o Brasil teve a sua história de hermafrodita nos esportes, no caso de Edinanci Silva, judoka paraibana nascida em 1976 com genitais masculinos e femininos e operada na metade dos anos 90 (antes das OlimpÃadas da Atlanta) para remover os primeiros. A carreira de Edinanci fala de triunfos e medalhas nos Jogos Panamericanos e nos Mundiais, no entanto, nas quatro edições das OlimpÃadas nas quais concorreu colecionou somente três sétimas posições e uma quinta.
Parinya Kitbusaba, também conhecida como Nong Toom (nascida na Tailândia em 1981), depois de um curto perÃodo como monje budista, decidiu dedicar a vida ao kick-boxing, para ajudar economicamente a familia e também juntar dinheiro para intervenção de vaginoplastia. Em 1999, coincidindo com a operação, decidiu retirar-se das competiçoes esportivas pra sair a caminho da carreira da modelo e atriz, com ótimo sucesso. Entretanto, em 2006 reiniciou a atividade do kick-boxing com desafios de exibição e muitas vezes declinando a atividade esportiva no contexto do espetáculo.
* Intervenção da B. – Só pra lembrar que a história de Nong Toom foi contada no filme Beautiful Boxer, de 2003.
Ainda na Asia, encontramos o caso da indiana Santhi Soundarajan (nascida em 1981), à qual descobriram a sÃndrome da insensibilidade aos andróginos (SIA) durante um exame médico depois de ganhar a medalha de prata nos 800 metros nos Jogos Asiáticos em 2006. O ano seguinte tentou o suicÃdio.
O alemão Balian Buschbaum (nascido em 1980), competiu no salto com vara feminino como Yvonne Buschbaum até 2007, antes da mudança do sexo, colecionando algumas medalhas nos Campeonatos Europeus.
Outras duas transsexuais que têm grande sucesso no mundo do esporte são a  competidora e campeã mountain-biker canadense Michelle Dumaresq (protagonista de um documentário entitulado 100% Woman)  e a encantadora jogadora de golfe australiana Mianne Bagger, nascida na Dinamarca em 1966, em 1979 mudou para a Austrália e começou a jogar golfe.
Mianne em 1995 passou pela intervenção de vaginoplastia e em 1998 começou  a competir nos torneios amadores femininos. Depois de conseguir algumas vitorias, em 2003 pediu à LGPA (o circuito profissional feminino) para entrar em suas competições. Pedido rejeitado, com a patética justificativa que eram aceitas somente as mulheres “nascidas tais” (e eu que pensava que as pessoas chegam ao mundo neonascidos e neonascidas…). Em 2004 o Comitê OlÃmpico Internacional permitiu aos/as atletas transsexuais participarem nas competições do gênero adquirido, se foram operados/as pelo menos a dois anos. Só então, depois de algum tempo, por causa dessa decisão do COI,a Mianne Bagger foi admitida na LGPA.

O mais recente caso, antes de Semenya, foi o da linda tenista alemã Sarah Gronert, que tem 22 anos, nasceu com ambos os genitais e foi operada em 2007 para remover os masculinos. Atualmente ainda fica acima da 500ª posição na classificação WTA, e  apesar disso já foi centro de polêmica, em abril desse ano, depois de duas vitórias em torneios secundários.
Gostaria que ressaltar também as suspeitas recaÃdas sobre outras desportivas, como a mossambicana Maria Mutola (nascida em 1972 e ganhadora de várias medalhas de ouro nos 800 metros nos anos 90 e 2000) e a atleta de meia-distância tchecoeslovaca Jarmila KratochvÃlová (nascida em 1951, as caracterÃsticas faciais e fÃsicas masculinas da qual podem ser o resultado da dopping, prática difundida em Praga e Berlim Oriental naquela época, resultado mais provável da possibilidade que foram causadas da evolução natural do seu corpo).
*As imagens que ilustram o texto foram escolhidas aleatoriamente na busca de imagens do Google e desconheço os autores, se por acaso alguma delas ferir a lei de direitos autorais, basta entrar em contato que sua retirada do site será imediata.
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Violet vive na devota Italia e tem caracterÃsticas fisicas tipicamente etruscas. Oscila eternamente entre amor e vampirismo… mas entretanto escreve.